Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

​A indústria têxtil em Brusque – Parte Final: Schlösser

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

​A indústria têxtil em Brusque – Parte Final: Schlösser

Rosemari Glatz

Tecelão de Lodz, Polônia, Gustav Schlösser chegou a Brusque no dia 02/02/1896. Acompanhavam-no sua esposa Natália e quatro filhos menores. Já chegou contratado para trabalhar como técnico têxtil na Fábrica de Tecidos Carlos Renaux e, em 1911, entrou para a história ao fundar, com os filhos, a terceira grande empresa têxtil a iniciar operações em Brusque e se consolidar no mercado.

A experiência da família no Brasil
Os filhos Hugo e Adolph também trabalharam como tecelões na fábrica de Carlos Renaux por algum tempo, mas, entre fevereiro e agosto de 1908, Hugo e Adolph estiveram trabalhando no mesmo ramo no Rio de Janeiro, para uma firma de nome Prinz & Cia.

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Decidiram voltar para Brusque, e ainda em 1908 Hugo começou a tecer em casa, em tear manual adquirido do tecelão Tietzmann, que o trouxera de Lodz. Adolph foi trabalhar na Empresa Industrial Garcia, em Blumenau. Enquanto isso, Gustav trabalhava como técnico têxtil na Fábrica Renaux de onde saiu em 1911, para fundar, com os filhos, a empresa Gustavo Schlösser & Filhos.

O princípio da empresa Gustav Schlösser & Filhos
O capital inicial da “Gustavo Schlösser & Filhos” era de seis contos. A tecelagem iniciou com dois teares manuais, um deles provavelmente aquele utilizado por Hugo na fabricação doméstica, e o outro, um tear jacquard, adquirido com o crédito concedido por Carlos Renaux, que se encarregou, também, do fornecimento de fio e da distribuição do produto em sua “venda”.

No início, os artigos produzidos pela Schlösser eram toalhas de mesa e rosto com flores na bainha, de jacquard, com base no mostruário da tecedura trazido por Gustav Schlösser.

A produção mensal no início da fundação da empresa – 1911, era de 400 metros de tecido por mês. Além da Renaux, Bauer e Buettner aparecem como compradores da Schlösser.

Pano de seda, com matéria-prima fornecida pelos italianos de Nova Trento, também era fabricado pela Schlösser e esse material era utilizado para a confecção de lenços especiais para as italianas irem ao cemitério.

Nos anos seguintes, Renaux continuou a ser o fornecedor de fios para a firma Schlösser. Esses fios eram importados pela empresa Carl Hoepcke. Do mesmo modo, a empresa Industrial Garcia, de Blumenau, fornecia fios para a Schlösser.

O crescimento após a primeira guerra
De 1913 em diante as vendas passaram a ser realizadas para as companhias de Hoepcke, Wendhausen e outras de Florianópolis e também para Blumenau e Joinville, vindo, a seguir, Jaraguá do Sul, Curitiba e Pelotas.

Em 1914, antes do início da Primeira Guerra Mundial e quando em Brusque já havia energia elétrica – fornecida pela hidrelétrica de João Bauer, a fábrica Schlösser se expandiu, inaugurando uma fase de crescimento.

Depois de 1918 a indústria têxtil do Brasil entrou em sua fase decisiva. O governo começou a taxar os tecidos estrangeiros, em escala ascendente, com direitos de importação, o que veio proporcionar ótimas condições de desenvolvimento à indústria nacional.

Era natural que essa medida viesse favorecer as empresas que já haviam se adaptado e, efetivamente, estavam em condições de satisfazerem a parte que lhes cabia no grande consumo do país. É o que se deu em relação às indústrias têxteis de Brusque.

Em 1924, a Schlösser instalou tinturaria própria. Com seu crescimento, passou a fabricar toalhas de copa, mesa, rosto e banho, além de tecidos em brim. No ano de 1933, a firma foi transformada em Sociedade Anônima, passando a ser denominada “Companhia Industrial Schlösser” até o final da sua existência.


As três grandes fábricas têxteis de Brusque – Renaux, Buettner e Schlösser – chegaram a ser centenárias, mas não existem mais. A crise que levou ao fechamento das empresas começou com a abertura comercial no Brasil, nos anos de 1990. As indústrias não conseguiram competir com as importações.

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Com produção verticalizada, faltou capital de giro para manter o negócio. O modelo dessas empresas concentrava na fábrica todo o processo produtivo, da compra do algodão à entrega da toalha ou tecido. Isso faz com que o prazo entre o investimento nos insumos e a receita com o produto fique mais longo, prejudicando a situação do caixa.

Outro golpe foi a crise do algodão, em 2011, que fez o preço da commodity triplicar em um ano. Na época, as empresas entraram em recuperação, e não conseguiram sair da situação. E assim esta história chega ao fim.