É em um ambiente predominantemente masculino que Adriana Carla Ribeiro Moço Monteiro, de 39 anos, tira o seu sustento. Há três anos, ela é a única motorista mulher na Secretaria de Obras de Guabiruba. Diariamente, das 6h às 14h, ela é a responsável por guiar um caminhão Atego Mercedez 1518, que pesa, aproximadamente, 4,5 toneladas.

O trabalho dela é transportar os materiais necessários para fazer consertos de ligação de esgoto, calçada e limpeza em geral. O trabalho é, quase que exclusivamente, na estrada. Quase todos os cantinhos de Guabiruba já receberam Adriana e o seu caminhão ‘toquinho’.

“Conheço tudo de Guabiruba. O melhor deste trabalho é que cada dia eu estou num lugar diferente. Não tem rotina e não fico parada”, diz a motorista.

A história de Adriana com os veículos pesados, entretanto, vem bem antes de seu trabalho na prefeitura. Como sempre se interessou por carros, ela aprendeu a dirigir ainda na adolescência, com 14 anos. De lá para cá, o seu interesse pelas quatro rodas só aumentou, e o seu grande sonho era trabalhar como motorista.

Após muito tempo, ela decidiu voltar para a autoescola e mudou sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para a categoria D – condução de veículos utilizados no transporte de passageiros, cuja lotação excede oito passageiros.

Mas, por ser mulher, a busca pelo trabalho dos sonhos sempre foi muito difícil.

“Eu sempre fui deixando a mudança de categoria de lado por questão financeira, mas quando a oportunidade apareceu não pensei duas vezes, fiz todos os cursos e mudei para a categoria D, fui atrás de emprego no transporte escolar, transporte de turismo, mas nunca consegui nada”, conta.

O seu início como motorista foi no Café Colonial de Brusque. Ela dirigia uma Ducato e era a responsável pelas entregas dos produtos, mas isso ainda não era o suficiente para realizar o seu sonho. Surgiu, então, o concurso para a Prefeitura de Guabiruba, na função de motorista.

“Quando fiquei sabendo do concurso, sabia que era a chance de realizar meu sonho”.

Adriana ficou em 24ª lugar na prova escrita e, na prova prática, realizada com um ônibus, ficou na 14ª posição. Os aprovados no concurso foram chamados conforme a disponibilidade de vagas. Quando chegou a vez de Adriana, a vaga era para a Secretaria de Obras, para dirigir o caminhão caçamba.

“Fiquei surpresa porque a minha vontade era dirigir ônibus escolar, mas fui mesmo assim. Eu adoro o meu trabalho. Hoje, considero uma vitória na minha vida, um sonho realizado de poder mostrar para as pessoas que nós, mulheres, podemos fazer o que quisermos”.

Agora, a vontade da motorista é ir além. “Pretendo mudar para a categoria E e dirigir uma carreta”.

Adriana sempre teve o apoio da família no seu sonho de ser motorista, sobretudo, do marido e dos dois filhos. Porém, muitas vezes, ainda sente o olhar de desconfiança quando as pessoas veem que ela é a motorista da caçamba.

“Já fui muito questionada, muita gente já disse que meu lugar não é aqui, mas meu lugar é onde eu quiser. Amo ser motorista, não me vejo fazendo outra coisa”.

É em um ambiente predominantemente masculino que Adriana Carla Ribeiro Moço Monteiro, de 39 anos, tira o seu sustento. Há três anos, ela é a única motorista mulher na Secretaria
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