Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

149 anos da imigração polonesa em Brusque e no Brasil

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

149 anos da imigração polonesa em Brusque e no Brasil

Rosemari Glatz

No processo de ocupação do território brasileiro por imigrantes europeus, ao longo dos anos o país acolheu vários imigrantes poloneses. Mas o início da imigração polonesa organizada no Brasil efetivamente começou por Brusque, com a chegada, em agosto de 1869, de um grupo de emigrantes poloneses vindo de uma região que se encontrava sob o domínio prussiano. Este grupo foi instalado na Colônia Príncipe D. Pedro, concedendo a Brusque o título de “Berço da Imigração Polonesa em Brusque e no Brasil”.

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Mas o que motivou os poloneses emigrar da opa em busca da terra prometida? Essa resposta só pode ser obtida conhecendo alguns fatos importantes da história da Polônia que acabaram impulsionando o movimento emigratório e contribuindo para a vinda do primeiro grupo de imigrantes poloneses que se instalou em Brusque.

Fragmentos da história da Polônia
O Estado polonês foi estabelecido no ano de 966, mas o Reino da Polônia somente foi fundado em 1025. Em 1569, foi formada a Comunidade Polaco-Lituana, a República das Duas Nações, também conhecida como Primeira República da Polônia, que existiu até 1795. O território prosperou militar e economicamente, e o século XVI ficou conhecido como o “Século de Ouro” da Polônia. A partir de então começam as chamadas “Partilhas da Polônia”, até que ela desaparece do mapa político da Europa:

1772. Primeira partilha da Polônia: a Áustria tomou a Galícia, a Rússia conquistou a maior parte da Bielorrússia e a Prússia obteve o controle do Sul do Báltico e da Pomerânia.

1793. Segunda partilha da Polônia: a Rússia dominou todo o resto da Ucrânia, enquanto a Prússia absorveu a Posnânia. Em 1794, o “Levante de Kościuszko”, uniu todas as classes sociais polonesas numa insurreição contra o Império Russo, porém, suas tropas foram suplantadas ao final do mesmo ano.

1795. Terceira partilha: a Polônia desaparece do mapa político da Europa por longos 123 anos.

1918. Na 1ª Guerra Mundial, a Alemanha, a Rússia e Império Austro-Húngaro, estavam fortemente comprometidos com a guerra e, ao final dos conflitos, haviam perdido vastas extensões de seus territórios. Em 11/11/1918, as Legiões Polonesas garantiram a independência do país e a Polônia volta ao mapa político da Europa.

Os impulsos ao movimento emigratório
No século XIX, sob o domínio dos impérios da Rússia, Prússia e Austro-Húngaro, a Polônia sofria todo tipo de dificuldades provenientes da falta de independência e exploração por parte dos opressores. Sem as reformas necessárias na área rural, com grandes latifúndios e excesso de mão de obra, começaram a surgir graves problemas sociais. Os movimentos em prol da independência fizeram com que muitos poloneses procurassem fugir do país.

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Centenas de revoltosos foram executados e milhares se viram condenados e enviados para a Sibéria, na Rússia, para trabalhar em regime de escravidão. Após o Levante de Janeiro, em 1863-64, os impostos aumentaram, propriedades foram confiscadas, conventos e monastérios foram fechados. A língua polonesa foi proibida nas escolas e na administração pública. O serviço militar tinha que ser cumprido nas forças armadas dos países ocupantes. A miséria, a fome, a falta de quaisquer esperanças de mudança na vida dos mais pobres também era um fator importante na procura de uma nova “terra prometida”.

Ao mesmo tempo, nosso país procurava pessoas livres para colonizar e desenvolver o seu território com uma agricultura variada e relativamente moderna. Os imigrantes poloneses, em sua grande maioria agricultores, trabalhadores honestos e perseverantes, encaixavam-se muito bem nas necessidades do país. E assim teve início o movimento emigratório da Polônia para o Brasil.

Fonte: PIEKAS, Mari Inês. VII Seminário Temático do Programa História e Memória Regional 150 Anos de Imigração Polonesa no Brasil. UNIFEBE. 24/08/2018.

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