Nos primeiros anos, era bastante comum em Brusque o plantio de arroz, seja para o consumo próprio das famílias, ou então para a venda ou troca por outras mercadorias.

De acordo com pesquisas do historiador Paulo Kons, na edição do Anuário Administrativo, Agrícola, Profissional e Mercantil do Brasil, publicada em 1914, duas fábricas de beneficiar arroz já existiam no município naquele período. As fábricas eram de propriedades de Edgard von Buettner e de Max Jönk.

Nascido em 1933, Henning Jönk, 86 anos, tem suas principais lembranças da infância relacionadas à plantação do pai, Max.

“Não sei quando ele começou a plantar arroz, mas eu lembro que era muito criança e ele já tinha a plantação. Além do arroz, ele também tirava leite, fazia manteiga, tinha porcos”, conta.

Naquela época, de acordo com Jönk, o arroz era pilado, descascado, limpo e entregue a outras famílias e produtores. “Tinha um pilão tocado a roda d’água, que até fazia uma música, o arroz saia limpinho. Ele beneficiava o arroz para terceiros, o pessoal trazia aqui e ele pilava pra eles. Eu lembro quando era criança que a gente ficava vendo isso”.

Henning Jönk recorda do trabalho do pai com beneficiamento de arroz | Foto: Bárbara Sales

Max Jönk faleceu quando Henning tinha apenas 12 anos. O menino, junto com os irmãos, sempre ajudou o pai na plantação de arroz e, quando ele morreu, continuou no ofício. “Plantei arroz a minha vida inteira”, diz.

Henning fez do arroz sua profissão. O pequeno pedaço de terra do pai, onde havia a plantação, no bairro Bateas, foi ampliado com o tempo. 

“Naquela época, todo mundo que tinha possibilidade plantava, porque não era só ter terra, precisava de água também, o arroz é uma planta d’água, semeava-se tudo a mão”, lembra.

Nos anos 60, a família já plantava em uma área de 50 a 80 hectares de terra. Com isso, Henning foi estimulado a investir em uma empresa para beneficiamento do produto, assim como seu pai fazia no início. 

Nascia aí o Arroz Jönk, que por muitos anos foi vendido no país inteiro. A fábrica não existe mais, entretanto, Henning continua envolvido com a plantação de arroz. “Fiz as lavouras, mas arrendei. Ainda assim, acompanho tudo de perto todos os dias”, diz.

Em parte das antigas plantações de seu pai, hoje está a HJ Tinturaria, empresa criada por Henning há 27 anos. Mesmo com idade já avançada, Henning faz questão de ir até a empresa todos os dias acompanhar tudo de perto. Apesar de todas as transformações ao longo dos anos, ele sempre será aquele menino plantador de arroz.


Você está lendo: A fábrica de arroz do Bateas


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