Psicóloga dá dicas para readaptação das crianças na volta às aulas

Início do ano letivo geralmente é marcado pelo choro dos pequenos que estão começando na vida escolar

Psicóloga dá dicas para readaptação das crianças na volta às aulas

Início do ano letivo geralmente é marcado pelo choro dos pequenos que estão começando na vida escolar

Após alguns meses de folga, o início das aulas se aproxima e, com ele, há a volta à velha rotina. Durante as férias, as crianças puderam aproveitar bastante: viajar, passar um bom tempo ao lado dos pais, dormir e acordar tarde.

Entretanto, com a volta às aulas as crianças precisam se readaptar à rotina e, este momento, gera dúvidas e muita preocupação, principalmente para os pais de crianças com pouca idade, que de início, acabam estranhando o ambiente escolar. Para os que estão no primeiro ano escolar, o estranhamento é ainda maior.

“Geralmente temos duas semanas de adaptação a essa rotina. Os que já frequentavam a escola no ano passado têm mais facilidade, já entendem como funciona, já os que estão entrando pela primeira vez sentem mais dificuldade em se adaptar”, diz a diretora do Centro de Educação Infantil dos Comerciários, Anna Gevaerd.

De acordo com ela, é normal os pequenos chorarem no momento em que os pais os deixam na escola, principalmente para aqueles que nunca frequentaram o espaço.

“Os que entram acima de seis meses na escola, estranham tudo: o local, as professoras e as crianças, porque muitos não têm contato com outras crianças e isso influencia muito. Eles acabam chorando muito no início até se acostumarem. O choro reflete um sentimento de perda, eles estão saindo de um ambiente conhecido e entrando em um lugar novo”, diz.

O choro das crianças, muitas vezes, acaba assustando os pais. “É um momento de transição, tanto para as crianças como para os pais. Não aconselhamos levar as crianças de volta para casa quando elas choram porque é com o choro que elas conseguem o que querem. Assim, elas vão perceber que se chorar, o pai e a mãe levam para casa, e vão chorar sempre. Sei que dói deixar o filho chorando, é constrangedor, mas é só nos primeiros 30 minutos, até eles entrarem no ritmo, depois já fica tudo bem”, destaca Anna.

A psicóloga Fernanda Belli Mafra afirma que o choro nos primeiros dias de aula é normal. “É um período de adaptação deles mesmo. O importante é que as professoras saibam lidar com isso, entender que é um momento de adaptação das crianças, é um período normal em que vão chorar, e por isso, é importante saber acolher bem. Tem aqueles que se adaptam no primeiro dia, e tem aqueles que são mais sensíveis e levam um pouco mais de tempo”.

Segundo ela, um fator que pode auxiliar muito nesta fase de adaptação da criança na escola é os pais demonstrarem segurança aos filhos. “Os pais precisam demonstrar que se sentem seguros em deixá-los na escola ou na creche. Às vezes, os pais acabam se mostrando inseguros com essa situação, vão sentir muita saudade e isso interfere na adaptação da criança porque elas percebem quando os pais estão inseguros”.

A psicóloga destaca ainda que é importante os pais conversarem com as crianças sobre a escola. “Os pais devem comentar com os filhos sobre o que eles podem esperar da escola, como é bom eles passarem um tempo lá. Se puderem, podem já falar o nome da professora para que eles comecem a se habituar”.

Para as crianças que têm mais dificuldade, a dica da psicóloga é que os pais e a direção da escola pensem em alternativas juntos. “O pai pode ficar um tempinho maior na escola para a criança saber que ele está ali até se sentir mais segura, ou levar uma foto ou algum objeto pessoal dos pais nos primeiros dias também pode ajudar, mas só para crianças com mais dificuldade em se adaptar. Para as outras, o importante é os pais mostrarem segurança”.

Para os que já frequentam a escola, a orientação da psicóloga é que a criança volte à rotina aos poucos. “É importante ir entrando nesse novo ritmo com alguns dias de antecedência, principalmente dormir mais cedo e ter horários para se alimentar e fazer as atividades do dia, o que não acontece durante as férias”.

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