Adiamento dos Jogos Abertos de Santa Catarina revolta delegação brusquense

Presidente da Fesporte diz que não havia opção

Adiamento dos Jogos Abertos de Santa Catarina revolta delegação brusquense

Presidente da Fesporte diz que não havia opção

O anúncio de que a realização da 55ª edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) será adiada de novembro para dezembro não foi bem digerido pela delegação de Brusque. Os responsáveis pelas equipes que participarão do maior evento poliesportivo do estado demonstraram indignação com a decisão da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), em conjunto com a Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte (SOL).

A principal reclamação diz respeito ao condicionamento dos atletas, que se prepararam para estar no auge em novembro, mas terão um ‘buraco’ que precisará ser replanejado se as equipes ainda desejarem lutar por medalhas no fim do ano. Os problemas, no entanto, vão além, como o desgaste financeiro, a reprogramação do calendário e o cancelamento da participação em eventos paralelos. Este ano, o evento será realizado em Joaçaba, Luzerna e Herval d’Oeste, no Oeste.

Balde de água fria

Se há alguém em Brusque com experiência nos Jasc, ele é João Nunes. O professor responsável pela equipe de atletismo do município e frequenta a competição estadual desde 1974, iniciando como atleta, e depois de 1986 atuando como treinador. Estes mais de 40 anos participando da competição o dão a propriedade para afirmar: “Eu nunca vi isso acontecer antes. É uma grande falta de respeito com os atletas e as administrações municipais”.

Segundo Nunes, o prejuízo é grande. O trabalho com a equipe de rendimento do atletismo brusquense é realizado, praticamente, baseado nos Jasc de novembro, e o replanejamento em cima da hora pode levar tudo por água a baixo. “Nosso município tem poucas modalidades as quais pode contar com medalhas, e o atletismo é um. É um trabalho baseado no planejamento, o qual temos que pensar na mente e no corpo do atleta. Não vai ser fácil manter o mesmo nível técnico”, explica.

Quando soube da decisão da Fesporte e da SOL, Nunes confessa que levou um susto. “Não consegui dormir à noite. Como que você vai chegar para o atleta e dizer que ele vai ter que replanejar a vida dele? A faculdade, o trabalho, os planos para o fim do ano… Uma competidora já me perguntou se terá de abandonar o vestibular que iria fazer, e isso me doeu”, afirma.

O lado pessoal dos atletas, que frequentam faculdade ou exercem outras funções além da prática esportiva, é um dos fatores que mais abalaram a delegação. Fernanda Araújo, competidora do atletismo nos Jasc por Brusque, é natural de Teresina, no Piauí, e pretendia visitar a família no período em que estará lutando por medalhas. “Me sinto revoltada, essa é a palavra. A gente programa o treino focado em uma competição, e de repente ela adia. É difícil sustentar mais um mês com o mesmo desempenho”, explica.

“A Fesporte tá brincando”

Coordenador da equipe de basquete que briga por medalhas em dezembro, José Eurico Frota, o Zurico, também não se agradou com a decisão. Para ele, tudo foi decidido sem consultar os municípios que vão participar do evento. “A Fesporte tá brincando com coisa séria. Eles querem mudar a regra do jogo na última hora, e isso implica na quadra e financeiramente”, afirma.

Para o dirigente, falta respeito com as equipes participantes e uma posição definitiva quanto ao calendário. “Uma hora não vai ter Olesc, outra hora não vai ter Jasc… Essa era para ser nossa última competição. Nós temos que dar resposta aos apoiadores, temos prazos para cumprir, mas ficamos dependendo de uma entidade que não nos trata com respeito”, explica.

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Equipe brusquense de basquete precisará estender o treinamento | Créditos: Cristóvão Vieira / Arquivo MDD

Única opção

Segundo Osvaldo Juncklaus, presidente da Fesporte que assumiu o cargo há cerca de 20 dias, nem mesmo as entidades que tomaram essa decisão ficaram satisfeitas. “É evidente que é totalmente inapropriado, mas não nos restou outra opção. Ou isso, ou o cancelamento da competição, o que definitivamente seria pior”, explica.

Ciente de que as delegações e os atletas envolvidos não gostaram da nova data, Juncklaus pediu paciência. “Nós contamos sempre com a compreensão de todos. Sabemos que este foi um ano tumultuado que atrapalhou as federações e entidades esportivas, mas vamos lutar para que isso não volte mais a acontecer”, afirma.

 

 

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