Adolescente de 15 anos que anunciou venda de negros na internet depõe na polícia

O jovem alegou que fez a publicação por não ter passado em processo seletivo em função das cotas para negros

Adolescente de 15 anos que anunciou venda de negros na internet depõe na polícia

O jovem alegou que fez a publicação por não ter passado em processo seletivo em função das cotas para negros

Um adolescente, de 15 anos, foi apreendido nesta quinta-feira, 16 de janeiro, por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) por ter publicado anúncio no site MercadoLivre oferecendo a venda de negros a R$ 1. Em depoimento à polícia, o rapaz disse que publicou o anúncio por não ter passado no vestibular de um centro de ensino federal em decorrência da política de cotas.

Segundo a Polícia Civil, ele foi localizado após investigação e monitoramento de dados iniciados pela DRCI há cerca de uma semana. Os trabalhos começaram depois da denúncia feita pela Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

De acordo com o delegado titular da DRCI, Gilson Perdigão, o rapaz prestou depoimento ao lado da mãe e confirmou ser autor da publicação.

Segundo o delegado, o adolescente contou que publicou os anúncios porque foi reprovado no processo seletivo para o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, na Tijuca, zona norte do Rio. No depoimento, o menor alegou que se não existissem as cotas para negros ele teria sido aprovado. Depois do depoimento, ele foi liberado.

O rapaz foi autuado por fato análogo ao Artigo 20 da Lei 7.716, que trata da prática, indução ou incitação à discriminação ou ao preconceito de raça, de cor, de etnia, de religião ou de procedência nacional. O inquérito foi aberto na sexta-feira (10) passada, um dia depois de o caso ser denunciado.

A Polícia Civil informou que o adolescente não tinha antecedentes criminais e nem praticou algo semelhante anteriormente. A delegacia encaminhou o caso à Vara da Infância e Juventude da Justiça do Rio.


Agência Brasil
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