Adolescentes infratores causam medo na praça da Cidadania

Teste com a limitação do uso da internet gratuita tenta diminuir movimento; Polícia Militar intensificou rondas no local

Adolescentes infratores causam medo na praça da Cidadania

Teste com a limitação do uso da internet gratuita tenta diminuir movimento; Polícia Militar intensificou rondas no local

A Praça da Cidadania continua sendo motivo de preocupação por causa da quantidade de adolescentes e crianças que circulam pelo local fazendo o uso de drogas ilícitas e bebidas alcoólicas. A presença diária desses grupos gera medo nas pessoas que precisam passar pelo espaço. Os comerciantes na redondeza, especialmente no camelódromo, que fica ao lado, já sentiram também efeitos negativos por conta da criminalidade no local.

A funcionária de uma imobiliária próxima à praça, Keli Archer, 42 anos, conta que todos os dias passam grupos de adolescentes “mal encarados” em frente ao escritório. “A presença deles incomoda, pois dá certo medo de ficar sozinha, pois não se sabe do que eles são capazes de fazer”, comenta. Geralmente, a movimentação aumenta após o meio-dia e segue até o fim do dia.

Um comerciante do camelódromo, que preferiu não se identificar, afirma que a presença constante dos adolescentes na praça atrapalha significativamente o movimento em seu estabelecimento. “As pessoas têm receio em passar por eles por medo de serem atacadas”, lamenta.

O problema do uso de drogas e bebidas no local é antigo. Por isso, a Fundação Cultural tomou uma medida para tentar diminuir a movimentação dos menores infratores, especialmente no período noturno. “Há duas semanas começamos a fazer um teste deixando a internet gratuita ligada apenas das 7h às 18h. A diferença nesse período está absurda, a praça esvazia. O resultado está sendo muito positivo”, conta o diretor da instituição, Marcos Fumagalli.

O teste será realizado durante 30 dias, junto com um monitoramento dos resultados. Após o período, a proposta de controle da wi-fi será levada para o prefeito analisar e tornar ou não permanente. Fumagalli ressalta que o espaço já conta também com vigias diários que têm a função de zelar pelo patrimônio público. “Quando eles veem algo de irregular, fazem abordagens, mas acabam sendo desacatados e ameaçados. Então pedimos auxílio para a Polícia Militar, pois com o policial fardado o tratamento é diferente”, diz.

O superintendente destaca ainda que após a prisão de uma jovem, na quinta-feira, 8, por tráfico de drogas, o movimento no local reduziu consideravelmente.


Polícia Militar: “Situação é fruto da falta de políticas públicas”

A Polícia Militar tem feito rondas diariamente pela praça da Cidadania, porém, o comandante, tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, afirma que a situação é fruto da falta de políticas públicas. “Inúmeras vezes apreendemos adolescentes com drogas ou em situações de álcool, e constantemente fizemos operações e abordagens. Mas, é uma situação que está perdurando e muita coisa tem que ser feita, não apenas ações de repreensão”, analisa.

Ele acredita que é necessário haver um programa preventivo de combate às drogas, principalmente na adolescência. “Falta uma ocupação para eles, além da responsabilização das famílias, pois alguns estão ali em horário escolar, e às vezes são encontradas até crianças”, diz.

ROCAM / DIVULGAÇÃO

Para o tenente-coronel, as instituições que têm obrigação de trabalhar com os jovens e adolescentes precisam dar uma contrapartida para solucionar, efetivamente, o problema. “Não adianta colocar apenas a PM ali, poderia até colocar uma viatura 24 horas se tivesse essa disponibilidade, mas o problema iria migrar para outro local, pois não seria resolvido como deveria”.

Contrário a essa opinião, o superintendente da Fundação Cultural diz que a intenção é fazer as pessoas irem para outros lugares, pelo fato da praça da Cidadania ser um complexo público. “Há pessoas que não passam por ali por medo, e há pessoas que trabalham ali na praça que também têm medo de circular no fim do expediente”.

Mesmo entendendo que o município tem prioridades muito mais recorrentes em termos de criminalidade, na semana passada, Gomes solicitou aos policiais para atuarem com ainda mais firmeza na praça. “Drogas não são um problema da polícia e sim de saúde pública. Acho que já fizemos até a mais, pois não fazemos apenas a repreensão, mas também a prevenção das drogas por meio do Proerd”.

Quando a PM flagra situações de posse ou tráfico de drogas, os infratores são encaminhados à Delegacia de Polícia Civil. Porém, dependendo da situação, o acusado é liberado logo após os procedimentos de praxe. “Infelizmente a legislação para o consumo de drogas é muito branda e eles acabam voltando para a prática, pois não houve efetividade nas ações que deveriam ser feitas”, lamenta o comandante.

Efeito das abordagens
As operações da PM têm tido resultados com as diversas apreensões e confecções de termos circunstanciados (registros de infrações de menor potencial ofensivo) para pessoas flagradas em posse de drogas. Além disso, a atuação da polícia parece ter incomodado alguns usuários, que fizeram uma pichação em uma parede do prédio público com frases ofensivas ao policiamento tático e a um policial.

Na página oficial do Facebook da equipe de Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) foi feita uma publicação com fotos, na noite de terça-feira, 14, mostrando que as abordagens policiais têm incomodado os grupos que frequentam o local. “Hoje (terça-feira) tivemos a alegria de ver o reconhecimento pelo belo serviço prestado exposto nas paredes da praça da Cidadania. Percebe-se que o mal está se sentindo perturbado no local”, diz a postagem feita pela Rocam, ilustrada com a foto da pichação.


Conselho Tutelar: “Não temos como fazer a abordagem”

O Conselho Tutelar, que tem sede fixa na praça da Cidadania, convive com a presença dos adolescentes infratores no local. Atualmente, o órgão não tem nenhuma ação prática pensada para tentar solucionar a situação.

Um dos membros do Conselho Tutelar, Nathan Krieger, explica que quando algum adolescente é flagrado fazendo uso de drogas, a Polícia Militar é comunicada. “Não temos como fazer a abordagem, até por não ter preparo de como lidar em uma situação dessa, pois se trata de um ato infracional”, diz.

Polícia Militar/Divulgação

Porém, ele esclarece que a entidade atua de forma complementar, ou seja, faz o encaminhamento necessário para garantir que o adolescente saia do vício. “Oferecemos ajuda, chamamos os pais, encaminhamos para tratamentos e fizemos o acompanhamento para ver se está sendo realizado”, acrescenta.

Para Krieger, o assunto é bastante polêmico, pois envolve diversas situações, como a questão da evasão escolar.

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