Agente acusado de envolvimento com esquema de corrupção é exonerado

Servidor havia tentado firmar parceria com empresa de guincho para receber percentual sobre o valor dos serviços

Agente acusado de envolvimento com esquema de corrupção é exonerado

Servidor havia tentado firmar parceria com empresa de guincho para receber percentual sobre o valor dos serviços

Investigação iniciada em janeiro deste ano pelas comissões processantes da Prefeitura de Brusque culminou, na quinta-feira passada, na exoneração do agente da Guarda de Trânsito de Brusque (GTB), Éberton Gonçalves de Saibro. Ele era acusado de envolvimento com um esquema de corrupção que visava beneficiar empresas de guincho.

Além de Éberton, o agente Willyan Luciano também estava envolvido no caso, que consistia na realização de abordagens para apreensão de automóveis e, posteriormente, recebimento de percentual sobre o valor do guincho em parceria com a empresa responsável pelo serviço – esquema popularmente conhecido como “guinchada”. Willyan, porém, havia pedido demissão dias depois do caso vir à tona.

O esquema não chegou a se concretizar porque o ex-secretário de Trânsito e Mobilidade, Paulo Sestrem, recebeu a denúncia do dono de uma empresa procurada pelos agentes e, logo em seguida, encaminhou o caso à Secretaria de Orçamento e Gestão e remeteu ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Como medida preventiva, a secretaria de Orçamento e Gestão determinou, em fevereiro, o afastamento remunerado de Éberton.

A investigação das comissões processantes demorou quase nove meses para a conclusão. A demora, segundo o atual secretário de Trânsito e Mobilidade, Bruno Knihs, gera sensação de impunidade e prejudica o “clima” no órgão.
“No meu entendimento, as sanções disciplinares quanto mais rápidas melhor. Porque elas geram a certeza da punição. A demora causa sensação de impunidade. O reflexo na equipe é ruim. Quanto menor o prazo mais efeito tem na equipe porque se tem a certeza que a infração tem punição”, diz.

Tanto o cargo de Éberton quanto o de Willyan já foram preenchidos. Em agosto, três agentes que prestaram concurso foram chamados pelo órgão. Além deles, outro iniciará as atividades hoje. Ao todo, a GTB tem 22 agentes de trânsito.
Denúncias

Knihs explica que denúncias internas e externas relacionadas aos agentes de trânsito são recebidas por ele mesmo ou pelo diretor da GTB, Adalberto Zen. São eles quem escutam a versão do denunciante e a versão do denunciado e as encaminham, através de memorando, à Secretaria de Orçamento e Gestão, responsável por julgar os casos.

Desde o ingresso de Knihs no comando da secretária de Trânsito e Mobilidade, apenas um caso foi encaminhado à de Orçamento e Gestão. No documento, o secretário solicitou o afastamento do agente devido a problemas de relacionamento entre os colegas.

“Primeiro tentamos conversar, depois fiz uma notificação por escrito. Mas como não resolveu e acabou extrapolando, solicitamos a instalação de um procedimento disciplinar e já o afastamos do ambiente de trabalho para servir de exemplo e melhorar o clima interno da organização. Sentimos que o grupo aceitou e assimilou a nova dinâmica”, diz.
Investigação no MP-SC

Além da apuração nas comissões processantes da Prefeitura de Brusque, o caso de corrupção envolvendo os agentes Éberton Gonçalves de Saibro e Willyan Luciano também chegou ao Ministério Público através do secretário de Transito e Mobilidade Urbana da época, Paulo Sestrem. Desde o começo de março, a 3ª Promotoria de Justiça de Brusque investiga o caso por meio de inquérito civil. Segundo o promotor Daniel Westphal Taylor, o inquérito está em fase de finalização. Ele fiz que na semana que vem ouvirá novamente algumas testemunhas e deverá finalizar a investigação até o fim deste mês.

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