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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Alegrai-vos!

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Alegrai-vos!

José Francisco dos Santos

Na semana passada, escrevi que sou um chato que não gosta de carnaval, mas descobri que somos muitos na mesma situação. Muita gente que curtia o carnaval já não suporta mais nem ouvir falar na folia. O fato é que o carnaval, como em geral boa parte das diversões, tornou-se uma imensa alienação dos sentidos. Parece que a alegria foi reduzida a um estado corporal, sensitivo, em que algum prazer físico precisa estar tomando conta da pessoa para que ela se sinta alegre.

Como tudo que afeta os sentidos é necessariamente passageiro, a criatura precisa ficar repetindo a dose, indefinidamente, para prolongar o prazer, que virou sinônimo de alegria. Nessa brincadeira, é muito fácil que as fronteiras entre o que é razoável e o que é loucura se desfaçam. A parte sensitiva assume o controle, obscurece o que é racional e espiritual e o desastre se anuncia.

Imagine um bando de pessoas entregues aos prazeres, bebendo, se drogando, todo mundo passando a mão em todo mundo, perdendo qualquer limite, se irritando por qualquer coisa e reagindo com violência, no ímpeto do momento…e por aí vai. Boa parte do carnaval já se tornou isso, ou algo próximo a isso. Por esse motivo, quem ainda reserva para si um pouco de bom senso prefere se afastar.

Há cada vez mais casos de pessoas adultas, de boa família e posição social, estudadas, que pagam o maior mico nessas ocasiões (e fora delas), bebendo até desfalecer, aprontando “barracos”, envergonhando filhos, pais e amigos. Homens e mulheres de meia idade se divorciam e se jogam num frenesi de prazer desenfreado, para “tirar o atraso” do que imaginam ser a alegria à qual renunciaram. E quantos jovens, em tenra idade, já estão trilhando esse caminho!

Eu olho para esse cenário de horrores e fico imaginando como pudemos chegar a um nível tão baixo. Lembro-me dos filósofos que pregaram a degradação moral como meio para atingir a liberdade e vejo como tiveram sucesso.

Mas quem quer que faça um raciocínio simples, com honestidade, vai perceber que há algo de profundamente equivocado aí. Quem percebe isso, mesmo que não consiga explicar, tem uma reação natural de afastamento e repúdio. Somos um composto de corpo, mente e espírito, que precisa funcionar em harmonia. Muito do que é sacrifício, renúncia, “chatice”, é parte essencial na construção de uma alegria real e responsável, da pessoa completa, não só do estômago ou dos genitais. Tal alegria não pode ser experimentada nem compreendida por quem pensa que a responsabilidade e o esforço para crescer e amar de verdade sejam um “atraso”, que precisa ser compensado no “festerê”. Se você percebe essas coisas no seu íntimo, significa que algo superior, dentro de você, está lhe apontando um caminho. Siga a trilha, procure se informar mais, entender as razões da loucura para escolher a lucidez. A ânsia por uma alegria verdadeira está dentro de todos nós. Não nos percamos na alegria burra de quem procura diamantes no depósito de lixo.

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