Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Alemães: a epopeia de uma imigração – parte 3

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Alemães: a epopeia de uma imigração – parte 3

Rosemari Glatz

Dando sequência a série que tem como objetivo apresentar aspectos da imigração alemã em Brusque e Guabiruba, o tema de hoje apresenta uma síntese do crescimento demográfico da Colônia Itajahy-Brusque durante todo o ciclo da colonização alemã, ou seja, entre a sua fundação até o início da grande imigração italiana, em 1875. Também aborda suscintamente a questão da religião dos primeiros imigrantes. A parte I abordou sobre o início da colonização do rio Itajaí-Mirim, e a parte II apresentou partes do diário de um imigrante alemão que relatou a experiência comum dos que chegaram nos primeiros anos da colônia.


A evolução populacional de Brusque
Embora tenham os primeiros colonos enfrentado inúmeras dificuldades, fáceis de imaginar, pois que se tratava de gente pobre, sem recursos próprios, em busca de melhores dias para seus descendentes, a distribuição de lotes se fazia sem grande demora, os auxílios governamentais eram pagos com alguma regularidade, e as novas levas de imigrantes permaneciam hospedadas ou alojadas em barracões coletivos de recepção apenas o tempo necessário para construírem suas casas provisórias, nos lotes que lhes eram destinados.

Até 1874, a colonização de Brusque e o seu povoamento foi feita gradativamente, com pequenas levas de imigrantes a chegar ano após ano. A tabela apresenta a evolução populacional de Brusque a partir da fundação da colônia até o término da entrada em massa de imigrantes italianos.

Ano Habitantes
1860 406
1861 727
1862 833
1863 955
1864 1.121
1865 1259
1866 1.333
1867 1.443
1868 1.517
1869 1.673
1870 1.728
1871 1.915
1872 2.166
1873 2.505
1874 2.891
1875 4.578
1876 8.110
1877 11.089…

A partir do início de 1875, as condições alteraram-se por completo. Navios e navios de imigrantes, em quase totalidade italiana do Norte, eram desembarcados em Itajaí ou Desterro, e encaminhados à Colônia Brusque. A população duplicou em um ano e em 1876 o número de imigrantes entrados era 300% maior que o de alemães introduzidos em 15 anos de imigração.


A religião nos primeiros anos da colônia
A população dessa primeira época era quase toda teuta (alemã) mas, de forma diversa do que aconteceu com a Colônia Blumenau, ondo os imigrantes alemães eram quase todos da religião luterana, a Colônia Brusque recebeu mais imigrantes da religião católica.

O relatório de 1863 assinala uma população dividida em 204 casais, dos quais 139 casais eram católicos (68%), 53 eram luteranos (26%) e os demais eram mistos (6%).

O relatório de 1866 aponta uma população com 931 católicos (70%) e 402 luteranos (30%), indicando a predominância quantitativa da religião católica sobre a luterana.

Essa predominância se acentuou ainda mais a partir de 1875, com a chegada dos imigrantes italianos, dentre os quais não havia luteranos.

 


O progresso da Colônia
De acordo com Cabral (1958), a fascinação que Brusque exercia sobre os imigrantes era tal que, quando alguém fugia ou se retirava de outra colônia qualquer, mandava-se saber em Brusque se não estava ali. Segundo descrito por D’Amaral (1950), o progresso da Colônia Brusque foi surpreendente: a notícia da salubridade do lugar e da fertilidade de suas terras se espalhou rapidamente, atraindo grande número de colonos ao novo estabelecimento. Se consolidou, cresceu e foi dividida e, desta divisão, duas cidades têm predominância da colonização alemã: Brusque e Guabiruba. As demais tem predominância de imigrantes italianos. (Fonte: CABRAL, Oswaldo R. 1958; D’AMARAL, Max Tavares. 1950).

A série “Alemães – a epopeia de uma imigração”, continua na próxima semana.

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