Alunos da escola Dom João Becker protestam em apoio aos professores

Estudantes do Ensino Médio do Dom João Becker não comparecem à escola desde sexta-feira

Alunos da escola Dom João Becker protestam em apoio aos professores

Estudantes do Ensino Médio do Dom João Becker não comparecem à escola desde sexta-feira

Em apoio aos professores, alunos do nono ano e do Ensino Médio da Escola de Educação Básica Dom João Becker protestaram ontem pela manhã em frente à instituição. Com cartazes e apitos, os manifestantes pediram maior valorização aos professores e a contratação de profissionais qualificados. O protesto soma-se a outro ato de solidariedade aos educadores: os alunos não comparecem às aulas desde sexta-feira, 27.

A informação é dos próprios estudantes e também da professora Ana Márcia Nogueira, uma das representantes do movimento. Na escola, dos 60 funcionários, sete professores do Ensino Médio paralisaram as atividades.

“Os alunos estão nos apoiando porque eles também são prejudicados com a desvalorização da classe. Não estamos lutando pelo reajuste salarial, estamos lutando pela valorização do profissional e pelos nossos direitos trabalhistas”, afirma a professora.

A principal reivindicação dos professores, no entanto, está atrelada à Medida Provisória 198/2015, apresentada pelo governo do estado, que fixa a remuneração básica do professor admitido em caráter temporário (ACT). Com a nova medida, os professores ACTs seriam remunerados conforme as horas trabalhadas e receberiam bônus por produtividade em sala de aula.

“Com a medida, o professor que tirar atestado por problema de saúde não terá o dia pago. Além disto, ele também não irá receber salário para corrigir as provas e para preparar as aulas. Duas tarefas que são feitas fora de sala de aula e que não contariam como horas trabalhadas”, diz Ana.

Alunos do terceiro ano do Dom João Becker, Amanda Pias, de 18 anos, Roger Bittelbrunn, de 16 anos, e Julia Samagaia, de 17 anos, participaram da manifestação em prol dos educadores. Para Roger, a pressão no governo por parte dos estudantes é válida porque demonstra que eles se importam com os professores e com a Educação.

“Nós tivemos e ainda temos aulas com professores muito despreparados, que não tem qualificação. E isso é culpa da desvalorização e da falta de exigência do governo na hora de contratar. Queremos que mude isso e que os profissionais qualificados sejam valorizados”, diz.

Os alunos contam que a ideia de paralisar as atividades surgiu em conjunto com os professores baseada em manifesto semelhante que ocorreu na escola em 2011. Em relação aos familiares, os três afirmam que os pais e as mães aprovam a atitude de solidariedade aos educadores.

A diretora da escola, Ione Teresinha Hassmann, afirma que os professores e os alunos são livres para paralisarem as atividades e para se manifestarem. Porém, os professores que não aderiram à greve seguem ministrando as aulas para os alunos que continuam frequentando a escola.

“Na segunda-feira, os professores deram aula para três alunos do terceiro ano. A escola não pode parar. Temos de aguardar os próximos dias para ver quando tudo volta ao normal”.

Contrário às manifestações, o estudante do segundo ano Rafael Barbosa, de 18 anos, dirigiu-se à escola pela manhã. Mesmo sem aula, permaneceu no local. Para ele, a greve dos professores envolve “mais a política do que a luta pelos direitos”.

A paralisação, tanto dos professores quanto dos alunos, não tem prazo para acabar. Na terça-feira da semana que vem, os professores de todo o estado se reunirão com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino (Sinte-SC), em Florianópolis, para definirem os próximos passos.

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