A família Leoni é uma das mais famosas do esporte de Botuverá. O time dos cinco irmãos Leoni formado no futsal fez muito sucesso, vencendo títulos em sequência e de forma invicta. No futebol de campo, eles muitas vezes foram adversários, mas conquistaram muitos troféus, deixando o nome marcado no futebol amador da cidade.

“Desde que viemos para cá, a gente sempre se destacou. Eu e meus irmãos temos esse dom”, resume Marciano Leoni, 47 anos. Ele é centroavante e tem mais de 40 troféus de artilheiro em casa. Marciano nasceu no bairro Ourinho que, na época, fazia parte da cidade de Vidal Ramos, mas a família se mudou para o Centro e ele começou no futebol amador atuando pelo União.

Marciano ganhou mais de 40 troféus de artilheiro na carreira | Foto: Arquivo pessoal

Ele conta que seu primeiro troféu de artilheiro foi em 1994, quando atuava pelo Águas Negras. A mudança do time aconteceu por causa da namorada – hoje esposa – que era do bairro e gostava de futebol. Lá, ele conquistou os primeiros títulos municipais de futebol de campo.

“Nosso primeiro título foi em 1994, contra o Ourífico. Perdemos o primeiro jogo por 3 a 1 no campo deles, e precisávamos ganhar de 2 a 0 em casa. Fizemos uma partida memorável na volta, ganhamos de 4 a 1 e eu fiz três gols. Em 1995, a mesma situação, enfrentamos o Ourífico novamente. Perdemos de novo fora de casa, e conseguimos reverter de novo, fiz três gols outra vez”.

Passagem pelo profissional

Famoso pelo seu restaurante, Odenildo José Leoni, o Nido, também fez sucesso no futebol amador de Botuverá, além de ter atuado também como atleta profissional.

Ele chegou a passar em um teste no Internacional, mas acabou não ficando em Porto Alegre pela saudade de casa. De volta do Rio Grande do Sul, ele passou a jogar campeonatos na região, até ser convidado para atuar no juniores do Joinville, onde os tios moravam. Lá, ele conheceu grandes nomes do esporte nacional, como Pingo e Renato Gaúcho.

Depois de sua passagem pelo tricolor, ele voltou para Botuverá, e jogou no Brusque em 1991, mas acabou não se adaptando. “Não gostei de algumas atitudes”, conta. Depois disso, ele passou a atuar apenas por times amadores.

Nido jogou e conquistou vários títulos por equipes de futebol e futsal na região, e também em Botuverá. Nos campeonatos municipais de campo, ele foi campeão pela União, Águas Negras e Flamenguinho.

Sucesso em vários times

Marciano deixou o União para o Gabiroba em 1996, quando recebeu “uns trocos” para se transferir. Ele ainda jogou outra vez pelo Águas Negras, também no Ourinho, e foi campeão pelo Figueira e, mais recentemente, com Los Bandoleiros.

Além dos gols, Marciano se destacava também pela velocidade e, por isso, era muito visado pelos adversários. Isso lhe rendeu alguns problemas físicos, mas que ele acabou tirando de letra.

“Como eu era muito rápido, era caçado, apanhava muito. Sempre tive sorte, porque tenho os ossos um pouco mais fortes que o normal, mas isso de ser caçado era quase todo o jogo. Tenho três operações no joelho, mas todos rompimentos em lances sozinho, na hora de chutar mesmo. Tive muita luxação, de ficar tempo inchado, mas é normal do futebol”.

Marciano (centro) esteve com o Águas Negras no time campeão municipal em 2009 | Foto: Arquivo pessoal

Paixão pelo esporte

Apesar da disputa acirrada nos gramados, Marciano e Nido carregam com carinho o vínculo criado com os colegas durante os anos. “Temos uma trajetória bonita, com muitos amigos. Lá dentro do campo, dá aquelas encrencas, que é normal, estava todo mundo de cabeça quente, mas o que levamos para a vida é a amizade”, conta Marciano.

Nem sempre os irmãos jogaram juntos, por causa de questões individuais, mas, quando jogavam, a vontade era sempre de ganhar.

“No campo, às vezes a gente jogava junto, outras não, até por causa do meu trabalho, do restaurante. O pai preferia que a gente jogasse junto, mas nem sempre deu certo. Quando jogávamos juntos, dava uns arranca-rabos. A gente discutia muito, mas logo depois já estava tudo certo. As discussões aconteciam porque queríamos as coisas perfeitas, queríamos ganhar até par ou ímpar, e às vezes não dava certo. Mas era só coisa do jogo, a gente nunca ficou mal um com o outro por causa de esporte”, garante Nido.

Nido (agachado, de branco) em amistoso de inauguração do uniforme do Ourinho em 1994 | Foto: Arquivo pessoal

O futebol sempre foi prioridade para os Leoni. Marciano abriu mão até de estudar para aproveitar o tempo jogando. Eram outros tempos. Hoje ele percebe que a maioria dos jovens perderam a conexão com o esporte no geral.

“A gente mal tinha chuteira, bola, uniforme não eram bons, o campo era precário, mas o futebol sempre foi minha vida. Agora depois de velho que finalizei o Ensino Médio. Hoje, a gurizada tem outras prioridades, mas talvez se tivesse internet na nossa época seria a mesma coisa”.

A pandemia obrigou todos a se afastarem dos campos, mas Marciano ainda joga quando pode e promete que vai estar no próximo campeonato que for possível ser realizado.

“Chega certa idade, que a cabeça manda, mas o corpo não obedece. Mas eu estava jogando três vezes por semana. Hoje, são 15 minutos bons e depois a perna começa a ficar pesada. Mas ainda dá pra brincar, Quando tiver, vou jogar de novo [o campeonato]. Meus 15, 20 minutos, ainda vou incomodar. Não perdi o jeito de fazer gol, só perdi a velocidade. Vou jogar até quando eu puder, é minha paixão”.

Por causa de um acidente, Nido teve que abandonar os gramados há três anos. Para ele, ficar longe dos campos, depois de tanto tempo conectado com o esporte, é um desafio

“Hoje, sinto muito falta, está nas minhas veias. Vivia dentro do esporte, eu roçava o campo no sábado para jogar no domingo. Vejo que hoje tem campo bom, chuteira boa. Para quem jogou de kichute, descalço, quadra não tinha… Hoje tem tudo bonito e as pessoas não se interessam”.


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