Após 20 anos, tradicional caminhada ao Santuário Santa Paulina não será mais realizada

Organizadores da peregrinação justificam a decisão pela burocracia e falta de estrutura

Após 20 anos, tradicional caminhada ao Santuário Santa Paulina não será mais realizada

Organizadores da peregrinação justificam a decisão pela burocracia e falta de estrutura

Após 20 anos, a tradicional Caminhada da Fé, que reunia quase mil pessoas, anualmente, saindo da rua Nova Trento em direção ao Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento, não será mais realizada.

Os organizadores da peregrinação, que chegaria à sua 21ª edição neste ano, optaram por não continuar devido à burocracia e falta de estrutura. O vereador Joaquim Costa, o Manico, é um dos organizadores da caminhada.

De acordo com ele, ao tirar as licenças necessárias com a Guarda de Trânsito, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, ele fica responsável pelas pessoas que participam da peregrinação, que acontecia sempre no terceiro domingo de maio.

“Eu sou responsável por quase mil pessoas. Hoje em dia não é bem assim, se acontece alguma coisa, alguém sofre um acidente durante a caminhada, a responsabilidade é minha. E é muito complicado”, diz.

Além da grande responsabilidade, Manico destaca que, atualmente, os peregrinos não têm estrutura adequada durante o percurso como acontecia antigamente. Ele afirma que a organização perdeu alguns pontos de banheiro que ficavam disponíveis para os participantes da caminhada.

“A cada quatro quilômetros, tínhamos residências que abriam suas portas para os peregrinos usarem banheiro, mas de alguns anos para cá, muitos não querem mais abrir as casas e ficamos com um trecho muito longo sem banheiro à disposição”, diz.

Charlene Costa de Aquino, que também auxiliava na organização da Caminhada de Fé, lembra que a estrutura disponibilizada no Santuário Santa Paulina durante a chegada dos peregrinos também não é mais a mesma.

“No começo a gente tinha um galpão lá e conseguia servir macarronada, risoto para os peregrinos. Agora, construíram lojas no lugar e fomos tirados de lá. Hoje, quando chegamos, tem que ficar sentado no meio-fio, a estrutura pra servir o almoço é improvisada e quando chove piora tudo”.

Ela ressalta que o fim da caminhada não tem a ver com falta de patrocínio. “Muita gente nos pergunta se é por falta de patrocínio, mas não é isso. A Embreex continuaria nos patrocinando, aliás, é por causa do seu Vânio, que já é falecido, dono da empresa, que a caminhada começou”.

Charlene e Manico lamentam o fim de uma tradição marcada por muita fé e louvor. “Ficamos tristes e pedimos desculpas às pessoas que sempre participam, mas está complicado continuar. Era uma caminhada muito bonita, ficará as boas lembranças”, diz Charlene.

Caminhos de fé
A Caminhada de Fé surgiu em 1996 durante uma conversa entre alguns amigos. Sovenir Silvestre, o Vânio, já falecido, foi um dos que mais apoiou a ideia e começou a patrocinar a peregrinação.

A caminhada chegou a reunir mais de mil pessoas nos 24 quilômetros saindo da rua Nova Trento, em frente ao Bar Chega Mais, até o Santuário Santa Paulina. Durante o trajeto, os peregrinos tinham à disposição, água, café e frutas, além do tradicional cachorro-quente, produzido pelos voluntários da organização.

“A cada dois quilômetros distribuíamos água, balas, laranjas e quando chegada na metade do caminho, 12 quilômetros, entregávamos o cachorro-quente”, conta Manico.

A peregrinação iniciava às 5h30 do terceiro domingo de maio e terminava com os últimos peregrinos chegando ao santuário ao meio-dia. Todos os peregrinos participavam da missa das 14h e depois retornavam de ônibus para Brusque. A participação era gratuita.

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