Após criticas, artistas retiram obras de exposição na Fundação Cultural

Em forma de protesto, grupo substituiu as obras pela frase "amai-vos uns aos outros"

Após criticas, artistas retiram obras de exposição na Fundação Cultural

Em forma de protesto, grupo substituiu as obras pela frase "amai-vos uns aos outros"

Na noite desta quinta-feira, 18, os artistas que compõe a exposição In(corpo)rar montada na Fundação Cultural de Brusque, retiraram as obras do local em forma de protesto. Desde o início da exposição, no dia 15, as obras têm sido alvo de críticas e reclamações por parte de pais de alunos que frequentam a Fundação Cultural, por considerarem as obras pornográficas.

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Para tentar resolver o problema, a Fundação Cultural chegou a colocar classificação indicativa na entrada na exposição, no entanto, as reclamações não pararam. O livro de visitas da exposição chegou a ser riscado com ofensas aos artistas que decidiram retirar suas obras do local e, em forma de protesto, fixaram a frase “Amais-vos uns aos outros” no lugar.

Indignado, Douglas Leoni, um dos artistas responsáveis pela exposição, desabafou sobre a polêmica formada em torno da mostra. “A cidade evoluiu, mas as pessoas não. É impossível que no século 21 um desenho afete tanto a população de Brusque”, diz.

De acordo com ele, o protesto ficará no lugar da exposição até o dia 2 de setembro, data em que a mostra seria encerrada. “Riscaram o nosso livro, nos chamaram de vagabundos. Não somos vagabundos, somos artistas. Eu tenho direito de me expressar. Essa exposição demorou três meses para ser feita, não é uma brincadeira. Merecemos respeito”, declara.

O artista também reclama da falta de espaço para exposições em Brusque. “Precisamos de um lugar que não seja moralista. Estamos há cinco anos lutando para ter espaço para a arte na nossa cidade, mas somos muito desvalorizados. Hoje, tenho vergonha de ser brusquense”.

O superintendente da Fundação Cultural, Jean Fischer, lamentou a polêmica criada sobre a exposição. “Nós temos o papel de abrir o espaço e fazer a mediação entre o artista e a população. Não estamos aqui para julgar, mas para movimentar o cenário da arte no município. É uma infelicidade o que aconteceu. Não estamos podendo expor, estamos sendo censurados e a censura não cai bem com a arte. Infelizmente, uma minoria conseguiu fazer barulho e criar toda essa confusão”.

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