Após explosões de tanques, cervejarias de Brusque e Guabiruba redobram cuidados na produção

Casos aconteceram em um intervalo de 30 dias e repercutiram nas redes sociais.

Após explosões de tanques, cervejarias de Brusque e Guabiruba redobram cuidados na produção

Casos aconteceram em um intervalo de 30 dias e repercutiram nas redes sociais.

Em um intervalo de 30 dias, explosões em tanques de fermentação de duas cervejarias de Blumenau acenderam um alerta sobre as condições de segurança nesses estabelecimentos.

O primeiro caso aconteceu na Oktobier, que funciona no mesmo prédio do Madrugadão Lanches, no bairro Itoupava Norte, no fim de setembro. O segundo foi no fim de outubro, na Cervejaria Conteiner, no bairro Itoupava Central. Em ambos os casos, as explosões não deixaram feridos, mas as imagens da destruição causada pelos acidentes repercutiram nas redes sociais.

Após as explosões, a Cervejaria Zehn Bier, de Brusque, realizou um treinamento com seus colaboradores orientando sobre as questões de segurança relacionadas ao estabelecimento.

O gerente de produção, Rafael da Silva Viviani, destaca que durante a reunião, foi repassado aos funcionários os possíveis motivos que levaram às explosões e como evitar que casos como estes se repitam.

“Mostramos fotos dos acidentes e explicamos que pode ter acontecido falha mecânica, humana ou de projeto”, diz.

De acordo com ele, todos os tanques são projetados para suportar até determinada pressão. “Alguns chegam a suportar até 6 kg de pressão, sendo que numa fermentação natural, o máximo que chega de pressão é 3,5 kg a 4 kg”.

Na Zehn Bier, os tanques têm uma válvula de segurança e quando a pressão na fermentação chega a 3,5 kg, já começa a vazar o CO2 (gás carbônico). “A fermentação intensa tende a espumar. Essa espuma pode cair sobre a válvula e travá-la, impedindo que ela abra e ocasionando a explosão”.

De acordo com ele, a assepsia, que é a limpeza interna e externa dos tanques, também deve ser feita com muito cuidado, inclusive com a desmontagem de todas as válvulas de segurança, já que o entupimento desse equipamento pode contribuir para uma explosão durante a fermentação.

Assim como na Zehn Bier, na Cervejaria Kiezen Ruw, em Guabiruba, os oito tanques de fermentação também possuem a válvula de segurança. O mestre cervejeiro da fábrica, Márcio Alexandre Ferreira, destaca que antes de manipularem os equipamentos, todos os funcionários recebem orientação e, assim como na fábrica brusquense, a assepsia dos tanques com a desmontagem e regulagem das válvulas são considerados fatores primordiais de segurança.

“Dois casos em tão curto espaço de tempo realmente são surpreendentes, principalmente em microcervejarias”, afirma Ferreira.

Os tanques das cervejarias são feitos por projetistas especializados e antes de colocar o projeto em prática, é preciso passar pela aprovação do Ministério da Agricultura. Entretanto, não há nenhum tipo de fiscalização depois que as cervejarias entram em operação.

“Temos as vistorias de segurança dos bombeiros, onde eles observam as instalações, rota de fuga, extintor, mas nada específico nos tanques, pois eles não têm um conhecimento técnico sobre isso”, diz Rafael Viviani.

O gerente de produção da Zehn Bier destaca que é imprescindível o acompanhamento diário do cervejeiro durante a fermentação, já que qualquer descuido pode gerar um acidente. “A cervejaria funciona 24 horas por dia, sete dias na semana. O processo de fermentação leva sete dias, então precisa ter o acompanhamento de perto do profissional”.

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