O Águas Negras Futebol Clube foi fundado oficialmente na década de 1990, mas a história do futebol no bairro vem de bem antes. O Botafogo foi um dos clubes mais antigos fundados no município, mas foi encerrado na década de 1980 após o local onde ficava o campo ser cedido para a instalação uma empresa.

O que tornou possível o ressurgimento do Águas Negras foi o empenho e perseverança de um grupo de pessoas que não mediram esforços para tornar o sonho realidade. “Assim como uma partida de futebol é disputada por equipe, assim também foi para reerguermos nosso amado clube: unir forças, formar uma equipe com objetivos em comum, restabelecendo em nossa comunidade a alegria do futebol”, diz o primeiro presidente do clube e atual prefeito da cidade, Alcir Merizio.

Valdir J. Merizio, Agemir dos Santos, Laércio Araldi, Mário J. Garcia, Alcir Araldi, Jaime Rescarolli, Arlindo Filipone, Lindanor Rescarolli, Gilson Assini, Sérgio Dalcegio, Bernardino Vitorino e tantos outros, com o apoio de suas respectivas esposas, que de uma forma ou de outra contribuíram para que tudo desse certo.

O atual presidente da equipe é Bernardino Vitorino, que sempre esteve ligado ao futebol botuveraense e era membro ativo do Palmeirinhas, do bairro vizinho, Pedras Grandes, onde ele morava. Ele e a esposa se mudaram para o Centro da cidade e, após algum tempo, foram para o bairro Águas Negras.

Naquela época, existia o vácuo no bairro, causado pelos dez anos sem campo no local. Desta vontade da comunidade e da equipe de entusiastas do futebol surgiu o novo clube, uma junção de Botafogo e Palmeirinhas.

Entre 1995 e 2005, Alcir esteve à frente da equipe, e foi responsável por grandes avanços para o time: o plantio do gramado, construção do alambrado e de vestiários, além de uma sede de 500 metros quadrados, com cancha de bocha.

“Quando a prefeitura comprou esse terreno, o espaço não era suficiente para o campo, precisava de um canto onde tinha uma casa. A gente tinha uma empresa de madeira, então na época, para poder fazer o campo, meu irmão, que era goleiro e morreu em 1991, deu uma casinha para esses moradores. Cheguei a colocar empresários para agilizar a implantação da grama. A gente tinha nossos afazeres, mas pegava firme para finalizar. É um orgulho nosso”, lembra Alcir.

O Águas Negras foi campeão municipal seis vezes, duas antes da construção do campo, em 1990 e 1991, quando atuavam no campo do União, e depois já na sua casa, em 2004, 2005, 2009 e 2017.

Festa do time campeão municipal de 2017 | Foto: Divulgação

História de dedicação

Atualmente, Vitorino e a esposa Mafalda moram nas proximidades do estádio e são os responsáveis por cuidar da estrutura do clube e também da lanchonete, que abre de sexta-feira a domingo, vendendo um churrasco famoso em toda a cidade. “Dificilmente eu não estou aqui um dia”, destaca.

A paixão de Vitorino pelo futebol começou ainda novo, como jogador, e nunca se apagou. A ligação dele com o esporte é tão grande que já perdeu a conta do quanto gastou do próprio bolso para comprar chuteiras para dar para colegas poderem jogar.

“Eu jogava, mas, se tivesse um sobrando do time, ficava de fora para ele jogar, mesmo se fosse pior do que eu. Eu comprava a camisa para os jogadores. Comecei a fazer futebol em 1976 e nunca mais parei”.

Bernardino e a esposa Mafalda cuidam da sede do Águas Negras | Foto: Bruno da Silva

No Águas Negras, a maioria dos jogadores ainda é do bairro, mas Vitorino destaca que, ao longo dos anos, o futebol amador mudou muito. Ele lembra de muitas histórias inusitadas em que ele se envolveu para buscar os jogadores em suas casas para levar até os jogos. 

Para Vitorino, o compromisso com o Águas Negras é quase que diário. Desde que chegou ao bairro, não saiu mais, e o vínculo com o clube apenas se fortalece. “Se eu não venho aqui um dia, parece que me falta alguma coisa”, resume.


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