Após operação da Polícia Federal, consumo de carne permanece normal em Brusque

Investigação revelou esquema de pagamento de propinas a fiscais para venda de produtos adulterados

Após operação da Polícia Federal, consumo de carne permanece normal em Brusque

Investigação revelou esquema de pagamento de propinas a fiscais para venda de produtos adulterados

A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na sexta-feira, 17, resultou na prisão de 36 pessoas. Após dois anos de investigações, a PF descobriu que frigoríficos envolvidos no esquema criminoso “maquiavam” carnes vencidas com ácido ascórbico e as reembalavam para conseguir vendê-las. Também há registros de casos de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiças.

A operação teve muita repercussão, inclusive, fora do país, e pegou os consumidores de surpresa.

Em Brusque, no entanto, os reflexos da operação ainda não chegaram até os supermercados, pelo menos nos primeiros dois dias após a divulgação das irregularidades. O gerente do supermercado Archer, Udo Wandrey, afirma que o fato ainda é recente e que há muitos contrapontos, por isso, é preciso esperar o desenrolar da operação para ver como os consumidores irão reagir. Ele também diz que o Archer não trabalha com marcas citadas pela operação.

Os mercados Bistek, Angeloni, O Barateiro, Guarani e Carol, também foram procurados pela reportagem, mas os responsáveis não foram localizados até o fechamento desta edição.


A operação
Segundo as investigações, as empresas, dentre elas, algumas das maiores do ramo alimentício do país – JBS, dona de marcas como Big Frango e Seara e a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão -, subornavam fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação. Frigoríficos menores como Master Carnes, Souza Ramos e Peccin também são investigados.

Além do repasse de dinheiro, os agentes públicos recebiam como propina produtos alimentícios das empresas. A operação é considerada pela PF a maior realizada na história da corporação. Mais de 1,1 mil policiais federais cumpriram 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.

A Justiça Federal no Paraná (JFPR) determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das empresas investigadas, que também são alvo de parte dos mandados de prisão preventiva, condução coercitiva e busca e apreensão expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba.

O grupo JBS disse, em nota oficial, que adota “rigorosos padrões de qualidade” para garantir a segurança alimentar de seus produtos. Já a BRF informou, em nota, que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. Segundo a empresa, não há risco para os consumidores.

O secretário executivo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Eumar Novaki, disse que as fraudes no processamento de carnes são um “fato isolado” e que os consumidores podem “ficar tranquilos”. Segundo o secretário, 33 servidores do órgão já foram afastados.

Com informações da Agência Brasil

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