Após voltar às origens, Casa Padre Dehon busca modernização

Local é utilizado como casa de retiros e chegou a abrigar seminário durante 15 anos

Após voltar às origens, Casa Padre Dehon busca modernização

Local é utilizado como casa de retiros e chegou a abrigar seminário durante 15 anos

A tradição do Centro de Retiros e de Animação Espiritual, ou Casa Padre Dehon, atrai para Brusque líderes religiosos de diferentes regiões do estado a cada semana. A estrutura, de cerca de 4 mil metros quadrados, tem 36 anos de operação e abrigou um seminário de formação de padres entre 2001 e 2015.

Pessoas de cidades como Florianópolis, Joinville, Blumenau e Itajaí buscam a Casa Padre Dehon para eventos voltados à fé e espiritualidade. A maior movimentação no espaço ocorre entre a quinta-feira e o domingo, quando o local também é utilizado como estadia. Atividades que exijam menor tempo de uso interno são desenvolvidas aos finais de semana.

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Além da infraestrutura, com 40 apartamentos, auditório com capacidade para 130 pessoas, refeitório e capela, a tranquilidade do local é um dos atrativos. Locais para oração estão espalhados pelos setores do prédio. No entorno, trilhas para caminhada, uma via-sacra por um bosque, vegetação e uma fonte.

“É um serviço que a cidade de Brusque tem para atender todo o estado”, resume o diretor da casa, padre Nivaldo Alves de Souza. Segundo ele, o ambiente da casa favorece o silêncio e descanso dos visitantes. Entre eles estão padres, grupos de leigos, líderes das diversas paróquias da região, de religiosos ou casais que participam de algum movimento de igreja ou de alguma pastoral nas paróquias.

Prédio recebe visitantes de diferentes cidades do estado  todas as semanas | Foto: Marcelo Gouvêa

Presença alemã
De acordo com o padre, mesmo com a tradição que possui a Casa Dehon, é necessário pensar em formas de melhorar a qualidade dos atendimentos. Hoje, o espaço passa por melhorias estruturais para adaptação às normas de segurança e revisão elétrica. O ritmo é lento, para não atrapalhar as programações já agendadas..

Além das manutenções para atualizar a estrutura, os organizadores planejam retomar a organização de eventos próprios para a entidade. A tendência é que as atividades sejam desenvolvidas em cerca de dois anos. “O importante é que a casa continua cumprindo sua missão”.

A criação do espaço, lembra, é fruto de ajuda financeira de membros alemães e brasileiros da Congregação Sagrado Coração de Jesus. Sua construção foi finalizada em 1982 e é motivo de orgulho para representantes da comunidade. Ao longo do tempo, segundo padre Nivaldo, mesmo recebendo eventos variados de forma esporádica, a casa manteve sempre o foco da atuação em atividades religiosas.

De acordo com ele, o próprio religioso que nomeia a casa esteve na cidade por volta de 1903, durante visitas ao Brasil. O francês Leão João Dehon faleceu em 1925. Além de fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, ele foi convidado, pelo Papa Leão XIII, a divulgar e defender a doutrina social da Igreja Católica e contida na Carta Encíclica Rerum Novarum, em 1891.

“Brusque é o primeiro centro de filosofia de Santa Catarina, criado ainda pelos padres alemães”, destaca o padre que também é professor. De acordo com ele, a partir de 1970, a cidade começou a receber estudantes das dioceses de Santa Catarina.

Padre Nivaldo Alves de Souza e irmão Ederson Krause destacam preocupação com segurança e conforto de visitantes | Foto: Marcelo Gouvêa

Período como seminário
Para o diretor da Casa Padre Dehon, a atuação como seminário foi uma necessidade histórica. Na época, descreve, com uma tradição de 85 anos de formação em filosofia e mudanças nos estudos da área, a cidade foi procurada pelos bispos das dioceses de Santa Catarina visando encontrar um lugar para seus seminaristas.

O movimento gerou o aumento no número de seminaristas e a casa precisou mudar seu foco de atuação para auxiliar na formação dos jovens. O local chegou a abrigar 115 alunos em um único ano. Em média, as turmas tinham entre 40 a 50 estudantes.

O irmão Ederson Krause foi aluno da Casa entre 2005 e 2007 e, hoje, trabalha como seu ecônomo. Além dos aluguéis para eventos e das doações de benfeitores e amigos, também a locação do espaço externo, para fotos, ajuda a custear as despesas.

Ele destaca que, no momento, as reformas realizadas na casa visando a segurança e maior conforto no espaço, sobretudo a revisão das estruturas dos quartos. Com as demandas da casa, as doações amenizam as necessidades diárias para manter as operações.

lém de espaços internos voltados à religiosidade, área externa permite descanço e interação com a natureza | Foto: Marcelo Gouvêa


Causa uniu comunidade

O aumento do número de pessoas na Casa Padre Dehon, durante os anos como seminário levou a formação de um grupo de voluntários que doam valores regularmente para a instituição. Hoje são cerca de 80 benfeitores de Brusque e Guabiruba. Desde a criação, eles participam de encontros de forma esporádica, além de uma missa mensal, celebrada com moradores do bairro.

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Moradora do bairro Primeiro de Maio, Isolete Maçaneiro Venturelli, 69, é uma das mais antigas benfeitoras da Casa Padre Dehon. Ela começou a mobilizar amigos e conhecidos para colaborar após conhecer mais o trabalho e os custos para manter o seminário.

De acordo com ela, a ajuda era uma forma de colaborar a suprir a necessidade de mais padres. “Começamos a ajudar até para incentivar a Casa a manter os meninos, era tudo muito caro”.

Passado o período de atuação da Casa como seminário, Isolete vê sua estrutura como parte importante nos movimentos de fé. De acordo com a voluntária, o esforço atual do grupo é para garantir que a Casa mantenha sua atuação e auxilie na formação religiosa na cidade, na região e no estado.

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