Arena Brusque ganha memorial aos mestres da capoeira

Etapa é a primeira para criação de Centro Catarinense de Memória à modalidade

Arena Brusque ganha memorial aos mestres da capoeira

Etapa é a primeira para criação de Centro Catarinense de Memória à modalidade

A inauguração do memorial “Camarada toma sentido! Capoeira tem fundamento” – Acervo Fotográfico Jair Moura, traz para Brusque parte da história registrada da capoeira. Ele foi inaugurado em 14 de março, em uma sala da Arena Brusque e é uma homenagem aos mestres João Oliveira dos Santos, o João Grande e João Pereira dos Santos, o João Pequeno.

Nele foram instaladas as primeiras fotos e murais com fotogramas das cenas do filme Dança de Guerra, de 1968, voltado à modalidade da capoeira angola. O material foi cedido pelo diretor do filme, mestre Jair Moura. Ele conviveu com grandes nomes do esporte por mais de 10 anos, como, Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, considerado o maior capoeirista de todos os tempos.

O contato do cineasta e escritor Jair Moura com Brusque veio após conhecer integrantes do grupo de capoeira Camará. O brusquense Marcelo Stotz, o Cabeleira, 56 anos, se dedica ao estudo da capoeira desde os 18 anos e atua em escolas públicas do município há quase 30 anos, repassando ensinamentos e a cultura ligada à modalidade.

No espaço, ele espera reunir material desde a época que começou a estudar sobre o tema. Presidente da Confraria Catarinense da Capoeira, ressalta o valor histórico do material, não só para os cerca de 600 alunos, mas para a valorização do movimento cultural no estado. A intenção, segundo ele, é fazer um centro de memória da capoeira catarinense.

Para Cabeleira, o reconhecimento do município por nomes históricos da modalidade são motivo de orgulho. Com a abertura do espaço, espera facilitar o acesso ao conhecimento vinculado à capoeira. “Isso é uma coisa fantástica. Para quem é do meio é algo fantástico. Quero poder continuar próximo da capoeira, mesmo quando não puder jogar”.

Acervo histórico
São, pelo menos, duas horas diárias de estudo de artigos, pesquisas e documentos históricos ligados ao tema desde o início da adolescência. Livros, cópias de dissertações, artigos, DVDs e arquivos digitais armazenados ao longo dos anos serão disponibilizados no espaço para consulta.

Como uma das formas de divulgar o espaço e os ensinamentos, ele planeja divulgar trechos de filmes e documentários na internet. De acordo com ele, o trabalho não se restringe à compilação de fotos e material, mas a valorização de todo o conhecimento tão enaltecido ao redor do mundo. “Daqui 20 anos as pessoas vão querer saber sobre a capoeira e vão poder vir aqui consultar”.

No início da juventude, a prática da capoeira foi uma alternativa para Stotz superar bullying e violência. Nas aulas ele tenta repassar os ensinamentos como uma forma de moldar o caráter dos praticantes e repassar o respeito, cultura e a importância da dedicação aos estudos.

Reconhecimento inesperado
Os contatos de Stotz com Moura surgiram durante visitas do brusquense a Salvador. Há cerca de três anos ele e um grupo de alunos tinham ido à capital baiana para pesquisar sobre a história da capoeira. No ano passado, um novo grupo de alunos do Camará refez o passeio e despertou o interesse de Moura pelo município.

A curiosidade trouxe o mestre para Brusque durante o Pensar Capoeira, realizado em novembro. Para ele, o respeito e postura dos alunos com a história da capoeira e com os mestres baianos foi fundamental para despertar o interesse pela prática no município. “Este material era para estar em Nova Iorque ou Rio de Janeiro, mas escolheram Brusque.”

Assista ao vídeo:

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