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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Aristocracia republicana

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Aristocracia republicana

José Francisco dos Santos

A palavra “aristocracia” significa, literalmente, governo da nobreza. Surgiu ainda nos primórdios da civilização humana, quando as pessoas consideravam seus chefes tribais como uma espécie de divindade. Assim, tais pessoas eram consideradas naturalmente superiores, com um “pedigree” meio divino. Por isso, mandavam nos “comuns” e tinham direitos e privilégios diferentes. Na história política da humanidade, esse grupo de nobres, mais tarde chamados com os títulos de barões, condes, duques, marqueses, entre outros, governavam junto com os reis. Ao povo “comum” cabia apenas obedecer e pagar as contas.

Já a palavra “república”, ao pé da letra, significa “coisa pública”. Designa um sistema de governo em que aqueles que governam devem fazê-lo nos interesses do que é público, do bem comum. Embora república seja contraposta a monarquia, não significa que os sistemas monárquicos não possam ser “republicanos”, no sentido literal da palavra, nem que os regimes republicanos sejam “aristocráticos”, mantendo privilégios para determinadas pessoas e grupos, em detrimento do interesse comum.

Um dos homens mais republicanos – no sentido original do termo – que o Brasil já teve, foi o jurista, político e escritor pernambucano Joaquim Nabuco, o grande herói da abolição da escravatura. Mas Nabuco era também um defensor ferrenho da monarquia. No entender dele, era mais fácil construir um regime que estivesse realmente cuidando dos interesses da coisa pública – ou seja republicano – sob o comando do imperador Dom Pedro II do que com a proclamação de uma república, que entregasse o poder nas mãos dos políticos que defendiam tal mudança.

Os temores de Nabuco não eram infundados, e a história mostrou o quanto eram proféticos. Mal havia assinado o decreto que criava a República, o Marechal Deodoro se apressou em aumentar, também por decreto, os valores que seriam pagos a ele mesmo. A família real, quando no poder, vivia com uma pensão bastante modesta.

De lá para cá nossos republicanos, com raríssimas exceções, vêm dando mostras do seu espírito aristocrático. Vivemos num país de privilegiados, de supersalários, de vantagens sem fim para políticos e altos funcionários da administração pública, que sangram os combalidos cofres da Nação, sempre sedentos e vorazes por mais e mais impostos. Nos últimos anos isso têm ficado ainda mais explícito. Nós, como os povos antigos, continuamos a manter uma elite de aristocratas, com a diferença de que não são superiores em nada, a não ser na cara de pau.

Nossa república é uma grande mentira, desde a sua proclamação. O que menos se vê é preocupação com a coisa pública, que deveria levar à contenção de gastos e otimização do uso dos recursos, enquanto ocorre exatamente o inverso. As últimas manobras do Congresso Nacional deixam tudo isso cada vez mais óbvio. A impressão é de que estamos entregues aos ratos. E, como disse um amigo, não dá para combinar com os ratos para não comerem o queijo, porque eles são irracionais.

Ai que saudade do Imperador!

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