As primeiras cervejarias datam já dos primeiros anos de Brusque. De acordo com o álbum Brusque 152 anos de história, produzido por O Município, em 1862 a Colônia Itajahy já tinha duas cervejarias. No ano seguinte, em 1863, o número já aumentou para quatro.

Ao longo dos anos, o gosto pela cerveja só cresceu e Brusque teve várias cervejarias que marcaram época, como a de Friedrich Wilhelm Thies, que estava localizada na sede da Colônia Itajahy, próximo da esquina da atual rua Rui Barbosa com a Hercílio Luz. Do morro localizado atrás brotava uma nascente que abastecia a cervejaria e as casas próximas.

Outra que fez história na cidade foi a Cervejaria Lauritzen. Localizada no início do bairro Guarani, o empreendimento de Nicolao Lauritzen ainda está na memória de muitos brusquenses.

Residência e cervejaria de Nicolao Lauritzen, no Guarani | Foto: Curto Fotos Antigas de Brusque

Neto de Nicolao, Kurt Lauritzen, 92 anos, conta que o avô tinha dois engenhos de serra, comércio e a cervejaria. Ele não chegou a conhecê-lo, já que Nicolao faleceu em 1916. Coube ao filho mais velho, também chamado Nicolau, dar continuidade à cervejaria, que produzia a cerveja Marca Brasil.

Kurt conta que, quando acabava a missa, todos iam para a cervejaria, que tinha muitas mesas e lá ficavam até próximo do meio-dia.

“Lembro que tinha caixas que por dentro eram forradas de folhas. Elas vinham de fora, de navio, com certeza, com o lúpulo e o malte para fabricar a cerveja”, lembra.

Ele recorda ainda da forma com que as bebidas eram refrigeradas naquela época. Embaixo da escada da casa tinha um porão de aproximadamente dois metros de altura e lá eram guardadas as garrafas, em meio a pedras que ficavam úmidas e, assim, era possível conservar a temperatura.

Rótulo da cerveja Marca Brasil, da Cervejaria Lauritzen | Foto: Curto Fotos Antigas de Brusque

“Eles colocavam as garrafas lá e fechavam, aí refrescava um pouquinho”.

Além da cerveja, também eram produzidas gasosas na cervejaria. Kurt guarda com carinho uma garrafa de gasosa com uma bolinha de gude que servia para segurar o gás do refresco.

“Onde tinha festa, baile, domingueira, eles atendiam. Naquela época levavam tudo de carroça”, afirma.

Kurt não sabe ao certo até quando a cervejaria funcionou. Antes de fechar as portas, a empresa foi vendida para Paulo Tensini. Depois, Florêncio Domingos, que trabalhava para Tensini, comprou a fábrica, que passou a produzir somente refrigerantes, tornando-se Fábrica de Refrigerantes Mirim. O último dono foi Osmar Melato, na década de 1960.

Cervejaria Appel

A Cervejaria Appel também marcou a história da cidade. Era administrada por Henrique Appel e irmãos e funcionava na rua Lauro Müller, nas proximidades do campo do Carlos Renaux. A cervejaria fabricava a cerveja Brusquense e, assim como a cervejaria Lauritzen, também produzia gasosa. A cervejaria funcionou até os anos 1950.

Rótulo da cerveja Brusquense, da Cervejaria Henrique Appel e Irmãos | Foto: Curto Fotos Antigas de Brusque

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