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Aulas de bergamasco buscam resgatar uso do dialeto italiano em Botuverá

Projeto cultural atende 120 crianças de duas escolas da rede pública do município

Aulas de bergamasco buscam resgatar uso do dialeto italiano em Botuverá

Projeto cultural atende 120 crianças de duas escolas da rede pública do município

O ensino do dialeto bergamasco a estudantes da rede municipal de Botuverá pretende auxiliar a manutenção da língua, trazida por imigrantes de Bergamo, na Itália. O projeto, lançado em fevereiro deste ano, atende cerca de 120 crianças com idades entre os sete e os 11 anos em escolas de Ribeirão do Ouro e Pedras Grandes, duas vezes por semana. As apostilas estão em fase de elaboração.

O prefeito José Luiz Colombi, o Nene, diz que a proposta de repassar o dialeto às crianças é um desejo antigo. Embora não integre a base curricular das escolas, é um passo considerado importante para a preservação da cultura. Antes da medida, Nene chegou a estimar que em 30 anos o bergamasco estaria extinto na cidade.

O chefe da Unidade de Cultura, Pedro Bonomini, é responsável por ensinar o dialeto bergamasco aos alunos. Para ele, a adesão e o desenvolvimento do trabalho no município tem sido motivo de orgulho e alívio.

Antes do ensino nas escolas, a queda da popularidade da língua era motivo de preocupação de Bonomini. Ele chegou a escrever um livro em 2012, alertando para a perda do idioma no município. “A geração mais nova já não fala mais. Com isso, queremos manter o dialeto vivo”.

As primeiras aulas estão sendo focadas no vocabulário próprio do dialeto. De acordo com o professor, com o andamento das aulas, a tendência é que os alunos consigam ter fluência no bergamasco em até três anos.

Como forma de estender o ensino entre os moradores do município, há um planejamento de iniciar tratativas para levar o bergamasco para os estudantes da rede estadual.

Além do trabalho focado no idioma, Bonomini destaca a elaboração de um inventário completo do material cultural do município. Nele estão sendo catalogados objetos de uso dos colonizadores italianos, além de memórias das famílias locais.

Patrimônio imaterial
No ano passado, Nene esteve no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para incluir a língua no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). O dialeto também já inspirou a publicação de livros e estudos na região.

Segundo ele, outros investimentos estão sendo feitos como forma de valorização da cultura local, como um museu destinado à colonização italiana. O local vem sendo preparado há cerca de dois anos.

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