Bairros estão sem coleta seletiva de lixo desde dezembro

O motivo, relatado à prefeitura, é falta de mão de obra na Recicle; trabalho deve retornar em duas semanas

Bairros estão sem coleta seletiva de lixo desde dezembro

O motivo, relatado à prefeitura, é falta de mão de obra na Recicle; trabalho deve retornar em duas semanas

Ainda quando criança, Franciane da Silva Gonçalves aprendeu, com a mãe, sobre a importância de separar o lixo seco e o lixo orgânico. A consciência ambiental repassada a, agora, professora de música, permaneceu junto à ela no decorrer da vida. Todas as quartas-feiras de manhã, Franciane deposita em frente à sua casa, no bairro Steffen, sacolas com plásticos, garrafas, vidros, papeis e demais materiais secos para o recolhimento da coleta seletiva da Recicle – empresa responsável pela coleta de lixo do município.

O problema é que, desde o fim de dezembro, a Recicle paralisou o serviço no bairro. Com isto, a professora tem de manter os lixos armazenados em casa para não serem levados pela coleta “normal” de resíduos. Caso fossem recolhidos, todo o trabalho de conscientização que ela pratica há anos – e também transfere ao filho de quatro anos – seria em vão.

“Minha mãe sempre fez a seleção do lixo. Tinha uma época em que ela levava para os seminaristas quando eu ainda era adolescente, porque eles utilizavam esses materiais. Então, agora, percebemos que é muito importante para o meio ambiente. Aqui em casa, nós lavamos e secamos os materiais antes de colocar nas sacolas. Até meu filho quando come iogurte, por exemplo, lava o plástico antes de colocar no lixo. É uma pena que estejamos tanto tempo sem a coleta. O município precisa disso”, diz.

Há duas semanas, Franciane liga para a Recicle em busca de informações e, há duas semanas, a Recicle responde às indagações dizendo que “na semana seguinte o trabalho será regularizado novamente”. A mesma situação da professora de música ocorre na casa de sua mãe, no bairro Maluche.

A família, porém, não é a única prejudicada pela paralisação nos serviços. Morador do bairro Santa Rita há 17 anos, o representante comercial Ivan Casagrande também reclama da falta de coleta. Ele conta que apenas percebeu que o caminhão não passava quando vizinhos o alertaram. Para certificar-se do fato, na quinta-feira retrasada, 8, ele ficou em frente à sua casa no horário em que a coleta teria de passar. Desta forma, confirmou a ausência.

“A coleta do lixo seco passa na quinta de manhã e no dia seguinte passa a coleta normal, então o lixo sempre era levado de qualquer forma, por isso eu não tinha reparado que a seletiva não estava passando mais. Ou seja, todos aqueles dias que eu separei o lixo acabaram indo com o lixo comum. Nós ficamos muito chateados com isso. E para uma cidade como Brusque, que sofre com enchentes e alagamentos, é importante separar o lixo”, afirma.

Desencontro de informações

Enquanto a gerente da Recicle, Sulamita Lemos, afirma que os serviços de coleta seletiva foram paralisados apenas no fim do ano devido ao aumento de lixo orgânico causado pelas festividades, a coordenadora de Educação Ambiental da prefeitura, Kelle Cristina Henschel, diz que os serviços realmente estão suspensos em todos os bairros do município.

“Nós estamos recebendo muitas reclamações de moradores de todos os bairros. Entrei em contato com o gerente regional de Brusque da Recicle, o Silvano Soares, e ele disse que a Recicle está enfrentando problemas na mão de obra, porque muitos funcionários se demitiram por causa do calor intenso. Muitos não aguentaram. Então eles deram prioridade para a coleta do lixo úmido”, explica Kelle.

Ainda segundo a coordenadora, como a empresa está em busca de novos profissionais, o gerente da regional combinou com a administração municipal que em duas semanas o trabalho deverá ser regularizado. Atualmente, os moradores que ligam para a prefeitura reclamando da falta de coleta são atendimentos de outra forma: Kelle repassa a localização da casa para o gerente regional e a coleta “normal” recolhe o lixo, no entanto, o resíduo seco da residência segue para triagem em vez de ir para o aterro sanitário.

“Isso me preocupa muito, porque não é o ideal. E sempre fazemos todo um trabalho de conscientização com a comunidade. Estamos pedindo muito para que eles tentem resolver o problema. Entendemos que é complicado trabalhar no caminhão nesse calor e como na cidade há muitas oportunidades de emprego, as pessoas preferem procurar um outro trabalho. Então a Recicle sofre com as contratações. Mas mesmo assim precisamos achar a solução”, diz.

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