Baixa no preço do eucalipto faz agricultores diversificarem produções

Produtores estão partindo para outras culturas para sobreviver no mercado

  • Por Redação
  • 15:30
  • Atualizado às 23:40

Baixa no preço do eucalipto faz agricultores diversificarem produções

Produtores estão partindo para outras culturas para sobreviver no mercado

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A alta oferta no mercado e a crise econômica nacional fizeram com que o preço do metro cúbico do eucalipto, árvore utilizada em muitos reflorestamentos na região de Brusque, ficasse estagnado nos últimos anos. Diante desta situação, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) tem recomendado aos agricultores que diversifiquem a sua produção.

Geraci Paulini, de Botuverá, trabalha com o reflorestamento há cerca de 15 anos e é um exemplo desta situação. Segundo ele, pelo menos desde 2007 o preço do metro cúbico da árvore está congelado e, ultimamente, vem caindo. “Além de não aumentar, baixou. Eu vendia o metro em pé a R$ 30 e hoje consigo, ‘apurado’, R$ 25”, afirma.

Paulini diz que neste meio tempo o custo da produção do eucalipto aumentou bastante. Por exemplo, em 2007, um trabalhador para realizar a retirada das árvores custava R$ 20, atualmente, o preço é de cerca de R$ 120. Outro item que agrega despesa é o adubo. O preço de um saco quadruplicou nos últimos oito anos.

Assim como Paulini, José Luiz Colombi, o Nene, também trabalha com o plantio de eucalipto. “Está bem complicado mesmo, porque não tem reajuste no preço há alguns anos”, afirma. Nene exemplifica a situação: há um ano e meio vendeu uma área de reflorestamento por R$ 30 o metro em pé; há dois meses, ou seja, um ano e quatro meses depois, a mesma venda saiu por R$ 25.

A reclamação do agricultor é a mesma de Paulini: os custos para o cultivo do eucalipto aumentaram muito durante este período. Com isso, a situação tem ficado mais complicada. Alguns apostam no cavaco (lenha picada) para agregar valor ao material e facilitar a venda, mas neste mercado já há uma oferta sobressalente. Aí entra a regra de mercado de quanto maior a oferta, menor o preço.

Do outro lado da transação comercial estão muitas empresas da região que utilizam caldeiras. A Kohler & Cia, tinturaria de Guabiruba, é uma destas companhias. O encarregado do setor de cavaco, lenha e madeira, Jorge Kohler, diz que há muita oferta de eucalipto no mercado. Caso decidissem aumentar a produção, haveria “fornecedores de sobra”.

Para o encarregado, o que faz diferença neste mercado excessivamente concorrido é a reputação. A Kohler & Cia mantém fornecedores fixos. “Mantemos os nossos fornecedores na hora boa e ruim. Às vezes, temos demais [eucaliptos], mas tentamos manter todos porque eles [fornecedores] também precisam sobreviver”, diz Kohler.

Armelindo Schlindwein, sócio da Madeireira Oito Irmãos, concorda que existe excesso de oferta de eucalipto no mercado. Para ele, isso se deve à baixa nas vendas, que faz os estoques permanecerem cheios.

Diversificação é o caminho

Edgar Becker, agrônomo da Epagri de Botuverá, reconhece que o valor de mercado do eucalipto caiu. Por isso a empresa estatal de consultoria há algum tempo tenta convencer os agricultores a diversificar a sua produção. “O que fazemos aqui é incentivar a madeira para a lenha. Além disso, incentivamos outras variedades de árvores” diz.

Segundo o agrônomo, nos últimos anos tem se estudado o plantio do mogno africano. Mas como é novo, há muita resistência. O que tem tido maior aceitação é a palmeira pupunha – que dá o palmito em conserva. Becker conta que há vários estudos na Epagri para ajudar os agricultores. “Mas nunca recomendamos a substituição total. Hoje em dia, tem que ter diversas opções”.

Paulini também é proprietário da Paulini Florestal, que vende mudas de árvores. Ele confirma esta tendência e diz que alguns clientes buscam a palmeira pupunha para o plantio, para tentar sobreviver no mercado altamente competitivo da região.

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