Bala que era vendida na antiga Confeitaria Koehler ainda é produzida e vendida em Brusque

Atualmente, a bala é produzida por Jean Carlos Bertolini

Bala que era vendida na antiga Confeitaria Koehler ainda é produzida e vendida em Brusque

Atualmente, a bala é produzida por Jean Carlos Bertolini

Açúcar, água, corante e amendoim. Juntos, esses quatro ingredientes se transformam na Balas Brusque, produto centenário que ainda é produzido no município e que a cada dia tem o poder de reavivar as melhores lembranças de brusquenses que cresceram com o sabor deste doce de infância.

Atualmente, a bala é produzida por Jean Carlos Bertolini, 39 anos, neto de José Bertolini, que por muitos anos foi padeiro na extinta Confeitaria Koehler, considerada por muitos como uma das melhores da cidade. Foi em sua época de padeiro que Bertolini aprendeu a receita da bala que ainda faz muito sucesso no município e também fora dele.

“A bala pertencia à família Koehler. Quando eles vieram da Alemanha, seu Alfredo Koehler, que era médico, parece que trouxe a receita dessa bala. Eles abriram a confeitaria e começaram a vender. Meu avô, quando começou a trabalhar com eles, aprendeu a receita”, diz Jean.

Ele não sabe ao certo quando a bala começou a ser produzida em Brusque, no entanto, a data de referência que ele tem é de 1912, com base em registros encontrados na Casa de Brusque.

Bala tem 12 pontos de venda em Brusque / Foto: Jaqueline Kuhn/Especial
Bala tem 12 pontos de venda em Brusque / Foto: Jaqueline Kuhn/Especial

Jean diz que quando seu avô se casou, a família Koehler vendeu a pequena fábrica de balas para ele. A produção ficava na rua Hercílio Luz, próximo ao Clube Caça e Tiro. Lá, seu avô fez o doce até o fim dos anos 1990. “Muitas pessoas tentaram fazer a bala, mas nunca ficava do jeito que meu avô fazia. É um produto muito sensível, e conforme a maneira que é feita, ‘açucara’ muito fácil. Por algum tempo a bala deixou de ser produzida, até que em 2004, eu voltei a fabricar”, diz.

Hoje, a Balas Brusque tem 12 pontos de venda. Jean faz o doce uma vez por semana, o que rende 200 pequenos pacotes que são distribuídos pelo município. Tudo é feito artesanalmente e a bala demora cerca de duas horas para ficar pronta.

Jean diz que é uma honra poder manter o sabor de infância de muitos brusquenses vivo por tantos anos. “Gosto muito de fazer. Além de lembrar do meu avô, que me ensinou, sei que proporciono memórias para muitas pessoas. Essa é a real intenção”.

Saudades da infância

Mesmo depois de tantos anos, a bala de açúcar e amendoim ainda faz muito sucesso. Prova disso é a procura pelo doce na Panificadora Bartz, por exemplo. O local vende Balas Brusque há cerca de 40 anos. A procura, segundo o atendente Tiago Pavesi, é grande, sobretudo de brusquenses que não moram mais no município. “Pessoas que não moram mais aqui, quando vem visitar, sempre fazem questão de levar a bala para se lembrar do passado, da infância”, diz.

Ele diz que a procura, geralmente, é de pessoas com mais idade. “A bala fica em cima do balcão, então tem muita saída”.

Presente

Como a bala faz parte das melhores memórias dos brusquenses, são um ótimo presente para agradar aqueles que já não moram mais aqui. A professora Jaqueline Kuhn enviou na semana passada, por correio, algumas balas para a brusquense Dolores Ingrit Heinzelmann, que atualmente mora em Joinville, para retribuir o envio de coleção de fotos antigas de seu acervo, para o grupo Curto Fotos Antigas de Brusque, no Facebook.

“Conversando por telefone com a senhora Dolores, ela comentou sobre as lembranças que guardou de Brusque. Ela morou aqui quando menina, antes dela e da família se transferirem para Joinville. Dentre as memórias, estava a saudades das balas transparentes, com amendoim, produzidas aqui”, diz.

Quando a professora encontrou as balas ainda à venda, não teve dúvida: comprou alguns pacotinhos e enviou para Dolores.

Jaqueline, inclusive, publicou a foto das balas em seu perfil no Facebook, e logo muitas pessoas se encheram de nostalgia, lembrando da época em que o doce fez parte de suas histórias.

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