Otto Renaux foi um dos personagens históricos mais atuantes em Brusque na primeira metade do Século 20. Filho de Carlos Renaux e Selma Wagner, nasceu em 1887 e aos 15 anos começa a trabalhar na fábrica do próprio pai, iniciando um aprendizado na tecelagem. Teve o privilégio de estudar sobre indústria têxtil na Alemanha e em 1918 assumiu a presidência da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S/A, sendo um dos responsáveis por fazer da empresa uma gigante em Santa Catarina.

Praticante de tiro, era um incentivador do esporte em geral e de entidades sociais e educativas. Foi um dos fundadores do Ginásio Cônsul Carlos Renaux e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem, e teve participação política relevante em Brusque.

Mas foi em 1935 que o filho do cônsul foi um dos responsáveis pela criação de uma iniciativa inédita no estado. Renaux e Irineu Bornhausen, de Itajaí, tiveram dificuldades para descontar um cheque em Rio do Sul (à época com o nome Bella Aliança) e tiveram a ideia de fundar um banco voltado à indústria e ao comércio. Genésio Miranda Lins, Bonifácio Schimitt, Antonio Ramos, Francisco Almeida e Augusto Voigt também integraram a iniciativa.

O prédio da agência ao fundo do evento de inauguração da ponte Irineu Bornhausen, em 1953 | Foto: Colégio Cônsul Carlos Renaux/Arquivo – postada no grupo Curto Fotos Antigas de Brusque, no Facebook

No livro Itajaí – Imagens e Memória, consta que em 23 de fevereiro de 1935 foi fundado o Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina, o Banco Inco, com sede em Itajaí. De acordo com Vanessa Follmann Jurgenfeld e Ana Lucia Gonçalves da Silva em trabalho apresentado na 12ª Conferência Internacional de História de Empresas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2015, muitos que atuavam na área de comércio e transporte no Vale do Itajaí entraram no negócio.

“O Banco Inco também representou a entrada do setor têxtil no ramo financeiro de maneira explícita, e foi uma tentativa de preencher um vazio financeiro bancário”, explicam. Em Brusque, a agência, que foi a primeira do município, ficava na rua Conselheiro Rui Barbosa, próxima à ponte Irineu Bornhausen.

Conforme um dos artigos do professor Evaldo Pauli, havia até então apenas nove agências bancárias em Santa Catarina, pertencentes ao Banco Nacional do Comércio, ao Banco do Brasil e ao Banco Sul do Brasil, de Blumenau.

O prédio em foto no final dos anos 80 | Foto: CDHM/Itajaí | Aluizio Haendchen Filho/Arquivo pessoal – postada no grupo Curto Fotos Antigas de Brusque, no Facebook

Crescimento e queda

A expansão do banco foi feroz, adquirindo também outras instituições financeiras. Nos anos 40, foram inauguradas as de Curitiba e do Rio de Janeiro, então capital federal. Durante a década de 50, o Inco já acumulava mais de 100 agências.

Em 1942, o Inco incorporou a Caixa/Banco Agrícola de Blumenau, que em parte pertencia à empresa Hering. Este banco já havia absorvido a Caixa Agrícola, fundada em 1907. A união de capital da Hering e da Renaux tornou possível comprar parte das ações do Banco de Crédito Agrícola de Bella Aliança, em Rio do Sul, que também foi incorporado pelo Inco.

Porém, após o rápido crescimento, o banco foi perdendo força e seus gestores perdiam interesse em levar a iniciativa adiante. Após ter adquirido algumas instituições financeiras, foi o Inco que foi cedido.

Em 1968, o Banco Brasileiro de Descontos, o Bradesco, adquiriu o único banco particular catarinense. “No clima que pôs fim ao Banco Inco operavam também circunstâncias como a de haver passado o tempo de vida dos fundadores e ainda a tendência para a concentração dos bancos em conglomerados maiores”, explica o professor Evaldo Pauli em artigo publicado online em 2012, dois anos antes de sua morte.

A partir de então, o Bradesco assume as operações do Inco e segue sua administração a partir da sede em São Paulo. A sede em Santa Catarina foi transferida de Itajaí para a capital, Florianópolis, na praça XV de Novembro.

“Os 33 anos de Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina foram de notória significação para a economia do Estado”, encerra Pauli.

Agência ficava localizada na rua Conselheiro Rui Barbosa | Foto: Erico Zendron/Arquivo pessoal – postada no grupo Curto Fotos Antigas de Brusque, no Facebook

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