Botuverá quer inserir o dialeto bergamasco em inventário nacional

O dialeto foi trazido pelos imigrantes da região de Bérgamo, na Itália, que colonizaram a localidade

Botuverá quer inserir o dialeto bergamasco em inventário nacional

O dialeto foi trazido pelos imigrantes da região de Bérgamo, na Itália, que colonizaram a localidade

Botuverá tem uma riqueza imaterial que está se perdendo: o dialeto bergamasco. No entanto, uma iniciativa da prefeitura pretende mudar isso. O prefeito José Luiz Colombi, o Nene, esteve no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para incluir a língua no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL).

O dialeto bergamasco, falado até hoje em Botuverá, foi trazido pelos imigrantes que colonizaram a localidade. Eles vieram da região de Bérgamo, na Itália. Com o passar do tempo, o dialeto foi perdido no país europeu, por isso os botuveraenses estão entre os últimos falantes da língua no mundo.

A importância do dialeto já foi abordada em um caderno especial de O Município, produzido para o aniversário de Botuverá, em 2015. O assunto já foi tema de livros e de estudos até mesmo de italianos.

Nene diz que o objetivo é que o dialeto bergamasco seja preservado e estudado no município, mas para isso é importante incluí-lo no inventário linguístico do Iphan.

O INDL é o instrumento oficial de reconhecimento de línguas como patrimônio cultural.
O objetivo dele é a “identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas portadoras de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Segundo o Iphan, há cerca de 250 línguas afrobrasileiras, indígenas e de outras origens que são faladas no país, contrariando a ideia de que o Brasil é monolíngue. O INDL objetiva preservar essa diversidade.

Para incluir o dialeto italiano nessa lista nacional, será preciso seguir uma série de regras ditadas pelo INDL. Pedro Luiz Bonomini tocará esse trabalho de inventariar o dialeto ainda hoje falado em Botuverá.

“Tem uma série de regras, são três livros”, afirma Bonomini. Um exemplo da dificuldade que é conseguir a aprovação do Iphan é que, segundo ele, é preciso fazer entrevista com 500 pessoas.

O estudo a ser enviado ao instituto de patrimônio histórico deve mostrar a origem do bergamasco, como ele foi preservado, quem fala e de onde vêm essas pessoas.

Segundo o prefeito Nene, a ideia é incentivar que o bergamasco seja falado nas escolas e outros projetos relacionados à cultura e ao turismo poderão ser executados.

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