Sem a menor dúvida, o assunto predominante na mídia dos últimos dias não foi a Reforma da Previdência de Michel Temer, tampouco os foguetes de Donald Trump numa base aérea de Bashar-Al-Assad, mas sim a pisada na bola de um famoso ator José Mayer, que num arroubo de entusiasmo incontrolável assediou uma colega de trabalho na TV Globo, fato que desencadeou um verdadeiro cataclisma, não só no mundo artístico mas também em todo o território nacional.

Por mais que me esforce, não consigo encontrar uma explicação razoável para o gesto tresloucado deste grande ator, de carreira consolidada, com casamento e família bem estruturadas e certamente parte integrante dos devaneios românticos de milhões de donzelas Brasil afora. O estopim deve ter sido o peremptório NÃO da “vítima”, que o inflado ego de um ator de tal envergadura não conseguiu administrar. Ao colocar a “boca no trombone”, a moçoila conseguiu desencadear um dos maiores escândalos comportamentais de que se tem notícia em nosso país.

Desnecessário frisar que o assédio será sempre odioso e condenável, mas mesmo assim vejo a celeuma criada em torno do caso José Mayer exagerada, com pitadas de hipocrisia e muito voltada ao marketing.

O nosso Brasil, país tropical, se tornou conhecido, admirado e visitado por sua alegria, suas belas mulheres e uma apreciada liberalidade nos costumes. O Carnaval constitui um belo exemplo. Nas últimas décadas, no entanto, a liberalidade acabou se transformando em vulgaridade e libertinagem, pano mais do que adequado para atitudes como a deste ator global.

Creio que este clima do “Vale Tudo” também se deve ao fato de que muitas mulheres decretaram o “Libera Geral” e não se dão mais o respeito que deveriam. Abro a internet e me defronto com Luana Piovani, atriz global, filosofando que “ménage deve ser bom, mas não aguentaria”. Ao lado, a herdeira das Casas Bahia, Mariana Goldfarb, num decote que chega ao umbigo, fazendo propaganda de suas recém instaladas próteses de silicone. Enquanto isso, Daniela Mercury, às bitocas com sua esposa, com a mensagem explicita de que “somente a união de duas mulheres nos conduz ao Nirvana”.

Definitivamente, não existem mais limites e palavra “privacidade” foi varrida do Aurélio.
No caso do escândalo de seu funcionário, a TV Globo reagiu rapidamente, suspendendo-o de uma novela e afirmando que “repudia toda e qualquer forma de desrespeito, violência e preconceito”.

Encaro a reação da Globo mais como um blá-blá-blá de marketing, pois boa parte de sua programação contribui decisivamente para a degradação dos costumes de nossa população. Ao produzir e exibir um lixo como o Big Brother Brasil, assume parte da responsabilidade de como as pessoas se comportam e enxergam o mundo.

Imagino que se os imperadores romanos Nero e Calígula ainda estivessem entre os vivos, certamente quereriam se mudar e fixar residência no Brasil em vias de se tornar a Sodoma do pós-modernismo.