Brasil aposta em brusquenses nos Jogos Parapan-Americanos

Matheus Rheine e Soelito Gohr são esperança de medalhas para a delegação brasileira no Canadá

Brasil aposta em brusquenses nos Jogos Parapan-Americanos

Matheus Rheine e Soelito Gohr são esperança de medalhas para a delegação brasileira no Canadá

Começa amanhã o maior evento paralímpico das Américas. Até o dia 15 de agosto, Toronto, no Canadá, receberá os atletas da superação dos três continentes americanos, já que será o palco dos Jogos Parapan-Americanos. Na delegação brasileira – que este ano bateu recorde em número de atletas inscritos – estarão presentes dois atletas naturais de Brusque.

Nas pistas e na estrada, o ciclista Soelito Gohr buscará novas medalhas pela competição. Em sua primeira participação, no Parapan de 2011, Gohr voltou para Brusque com três medalhas. Novamente, o atleta está confirmado nas provas de Corrida em Estrada, Contrarrelógio 21,5 quilômetros, Contrarrelógio 1 km e Perseguição Individual Masculina.

Já o nadador paralímpico Matheus Rheine terá uma experiência nova. Pela primeira vez em competições oficiais internacionais, o brusquense competirá provas de revezamento. Isso porque o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), órgão responsável pela delegação brasileira no Parapan, reuniu bom número de nadadores cegos para competir no Canadá. Além dos revezamentos 4×100 metros Medley e 4 x 100 Livre, Rheine participa das tradicionais provas 50, 200 e 400 metros livres.

‘Estou mais leve’

Com a moral de ter quebrado recordes e faturado medalhas no Campeonato Mundial de Natação Paralímpica no último mês, Matheus Rheine quer aproveitar mais o Parapan. O fato de ter terminado com louvor a principal competição do ano alivia a tensão, segundo ele. “Agora estou relaxado, mais leve. Vou me divertir lá, claro que com objetivo de medalhas, mas com as energias renovadas”, diz. Para Rheine, a atmosfera do Parapan será semelhante a das Paralimpíadas, que serão no Rio de Janeiro no ano que vem. “Nós ficamos alojados em vilas olímpicas entre vários atletas. O ambiente é muito bom, não ficamos presos em hotéis. Podemos sair para caminhar e isso me deixa mais tranquilo para realizar as provas”, explica.

A chance de ouro para Rheine nas provas individuais pode aumentar. Seu principal adversário nas piscinas, o norte-americano Brad Snyder, é dúvida para a competição. Até o fechamento da reportagem, a delegação norte-americana ainda não havia decidido se competiria no país vizinho com a equipe. A de natação – que conta com Snyder – ou com a B, repleta de atletas mais jovens.

Para o técnico do atleta em Brusque, Leonardo Ristow, as duas semanas de descanso foram ideais para Rheine. “É tempo suficiente para nos basearmos no que aconteceu de errado no Mundial e corrigir para o Parapan. Queremos melhorar principalmente o tempo dos 400 metros”, diz. As metas individuais de Rheine são 4min40s nos 400; 58s9 nos 100 metros e 26s nos 50.

Em Toronto, Rheine vai em busca de sua segunda medalha no Parapan. No último, o de Guadalajara (MEX), disputado em 2011, o atleta já faturou uma prata na prova dos 50 metros livre.

Boas lembranças

Depois do acidente que sofreu em 1996 e que limitou os movimentos dos braços, Soelito Gohr demorou para decidir competir como atleta paralímpico. Antes disso, já era um reconhecido ciclista do cenário nacional. Apesar dos convites da CPB, o brusquense seguiu por dez anos no ciclismo para não deficientes. Em 2007, contudo, ano do Parapan no Rio, Gohr resolveu se arriscar no mundo do paraciclismo, mas não competiu no evento continental. Em seu primeiro ano no Parapan, em 2011, estreou com o pé direito: abriu a sequência de medalhas de ouro para o Brasil ao subir no topo do pódio da prova de Contrarrelógio, 21 km.

A competição em Guadalajara, no México, ainda reservaria outros resultados importantes para o brusquense. Na Perseguição Individual Masculina, o atleta subiu novamente ao pódio com medalha de prata, e na prova de Contrarrelógio 1 km, ele ficou com o bronze.

Como paratleta, Gohr é bicampeão da Copa do Mundo de ciclismo na prova de Estrada (2009 e 2010), Campeão Brasileiro de Estrada e Campeão Mundial de Ciclismo de Pista na prova de Scratch, em que o pelotão larga todo junto e vence quem cruzar primeiro a linha de chegada. Este ano, o ciclista faturou a prata na prova de pista durante disputa da Copa do Mundo, em março. No ano passado, Gohr foi eleito o melhor ciclista do país pela própria CPB.

O Brasil no Parapan

O Brasil é o maior pontuador dos Jogos Parapan-Americanos. Ao todo, foram conquistadas 769 medalhas ao longo das quatro edições existentes, sendo 336 de ouro, 237 de prata e 196 de bronze. O país venceu duas edições da competição, exatamente as últimas realizadas, em Guadalajara (2011) e no Rio de Janeiro (2007). Este ano, a delegação quebrou recordes no número de atletas participantes. Serão 270 ao todo, sendo 95 mulheres e 175 homens.

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