Brusque é campeão da Copa Santa Catarina após derrotar Hercílio Luz nos pênaltis

Time segurou empate com um a menos e venceu nas penalidades

Brusque é campeão da Copa Santa Catarina após derrotar Hercílio Luz nos pênaltis

Time segurou empate com um a menos e venceu nas penalidades

Solta o grito da garganta, torcedor do Brusque. Com raça, humildade e trabalho, um grupo de guerreiros conquistou a taça da Copa Santa Catarina. Com um a menos – Cleyton foi expulso no primeiro tempo em decisão questionável do árbitro -, mesmo assim o time empatou em 1 a 1.

Nos pênaltis, foi a vez de um imperador aparecer. É nos momentos mais difíceis que as lideranças chamam a responsabilidade para si: Júlio Cezar defendeu duas penalidades e ajudou o quadricolor a conquistar o tetracampeonato. Assim como os heróis de 92, de 2008 e de 2010, surgem novos ídolos, os da sagra de 2018.

Com o quarto caneco da segunda maior competição estadual, o Brusque também tem presença garantida na Copa do Brasil 2019. Só com essa participação, fatura, portanto, cerca de meio milhão de reais.

A torcida do Bruscão deu o show a parte. Com cinco ônibus lotados, fizeram a festa na casa adversária e impulsionaram a conquista do quarto caneco.

Heróis contra a polêmica
Os primeiros 45 minutos foram dignos de uma grande final. Polêmica, expulsão duvidosa e muita pressão. O Brusque teve um início superior, como se mandasse na partida. Sem muita criatividade, principalmente no meio-de-campo, o Hercílio Luz tentava o ataque nas ligações diretas da defesa ao ataque.

Com posse de bola e triangulando bem, o Brusque chegou frente a frente com o goleiro Tigre algumas vezes, mas os atacantes não capricharam. A primeira grande chance foi do time da casa com um pataço de fora da área de Léo Costa, que por pouco não entrou. As polêmicas começaram após os 18 minutos

Em uma falta praticada pelo Hercílio Luz, Cleyton acertou com o braço no adversário. Rodrigo D’Alonso marcou a falta a favor do Brusque, mas tirou o cartão vermelho e apresentou ao zagueiro. Expulso, em decisão questionável. Pingo reorganizou a equipe com Mineiro na defesa, sem primeiro volante.

Por incrível que pareça, nos minutos seguintes só deu Bruscão. Aos 27, um ensaio do que aconteceria: Edilson deixou a defesa na saudade, tocou para Jefferson Renan que chutou, mas Tigre defendeu. No lance seguinte, se repetiu, dessa vez com bola na rede. Ele recebeu, limpou e chutou um pouco mais alto, no canto, balançando o barbante para desespero da torcida da casa e o grito ensurdecedor dos torcedores visitantes.

Foi só aí que o Leão acordou e passou a tentar abocanhar o Marreco. Aos 45, Julio Cézar praticou uma defesa milagrosa. No cruzamento da direita, Valdo Bacabal, que havia acabado de entrar, tentou uma puxeta certeira para o gol, mas o goleirão brusquense se atirou e fez a ponte para mandar para fora.

Com um a menos, o Bruscão conseguiu segurar a pressão adversária até o fim do primeiro tempo e levou a vantagem para o vestiário.

Gol no abafa
Os dois times trocaram de lugar no segundo tempo. O campo empinou para o lado da defesa do Brusque. Com um a menos e jogando contra uma equipe que precisava do gol, o quadricolor se segurou como pode. Na defesa, o improvisado volante Mineiro ao lado de Neguete trabalharam forte. Mas não teve como suportar o melhor ataque do campeonato.

Aos 29 minutos, após uma dezena de bolas cruzadas, um tiro pela direita encontrou a cabeça de Valdo Bacabal. Ninguém marcou ele que pulou e testou. Julio César ainda deu um tapa nela, no contrapé, mas não deu: bola na rede e empate do Leão. Nos minutos seguintes, mais pressão.

Contudo, ninguém mais fez gols. A partida foi para a cobrança de pênaltis.

As penalidades
A primeira cobrança foi do Hercílio Luz, muito bem aplicada por Junior Timbó. Airton também deixou sua marca. Na sequência, Zé Antônio e Thiago Pará fizeram, respectivamente para Hercílio e Brusque. Lima, do Leão, e Mineiro, do Marreco, balançaram as redes.

Aí cresceu o nome de Julio Cesar. Ele defendeu o pênalti de Capone. Mas, para dar ainda mais temperos na decisão, Hélio, de maneira displicente, também perdeu, com Tigre defendendo. Na sequência, chamou a bola o artilheiro da Copinha, Conrado. Mas Julio cresceu de novo, caindo no canto certo, dando um tapa e defendendo.

Zé Mateus teve, em seus pés, a bola do lance. Era fazer e comemorar. Não deu outra: bola na rede e Bruscão campeão com todos os méritos da Copa Santa Catarina 2018.

Time de guerreiros
Edilson, lateral-direito, comentou emocionado sobre a conquista. “Até ano passado eu estava jogando campeonato amador. Agora estou aqui, levantando esse título. Agradeço a Deus por esta conquista”. Mineiro, ídolo quadricolor, lembrou que a taça veio após um momento delicado da sua vida. “Eu venho de uma recuperação de seis meses de uma cirurgia. O clube apostou em mim, eu continuei firme e dei a volta por cima. Agradeço a todos que me deram todo o apoio e o incentivo para não desistir”.

Julio Cesar, que entrou no campeonato nas partidas finais, após a lesão do goleiro Dida, celebrou a conquista. “Poder pegar dois pênaltis, é indescritível. Quero agradecer também a essa torcida que fez sua parte e compareceu fora de casa”. Cleyton, capitão que ergueu a taça, também não conteve a euforia. “É uma história de 122 jogos por este clube. Agora podendo dar essa alegria para a torcida, é muito emocionante”. Dida, de muletas, também esteve em campo. “Infelizmente lesionei, mas acontece. Poder acompanhar este grupo de guerreiros e fazer parte desta campanha é o que mais me deixa contente”>

Após a comemoração, Pingo comentou e confirmou sua saída para o Caxias (RS). “Saio com a alegria de poder ter conquistado o título. Faltava isso para deixar no Brusque. Agradeço a diretoria por ter me aberto as portas. Acredito ter feito minha parte. Parto para um novo desafio e espero ser feliz como fui aqui no Bruscão”.

Ficha técnica

Hercílio Luz

Tigre
Victor Guilherme
Cleiton
Zé Antônio
Deca
Leo Costa (Valdo Bacabal)
Capone
Juliano
Bruninho (Junior Timbó)
Rudnei (Conrado)
Lima

Téc. Edson Vieira

Brusque

Julio Cesar
Edilson
Neguete
Cleyton
Airton
Mineiro
Zé Mateus
Safira (Adãozinho)
Eliomar  (Ruan)
Jefferson Renan (Thiago Pará)
Hélio Paraíba

Téc. Pingo

Data: 25/11/2018
Local: Estádio Aníbal Costa, em Tubarão
Hora: 16h
Árbitro: Rodrigo D’Alonso Ferreira
Assistentes: Helton Nunes e Eder Alexandre
Gols: BRU – Jefferson Renan (28 min, 1º T); HER – Valdo Bacabal (29 min, 2º T)
Cartões amarelos: BRU – Safira e Eliomar; HER – Leo Costa e Valdo Bacabal
Cartões vermelhos: BRU – Cleyton
Público: 2.216
Renda: R$ 44.000