Brusque é o segundo município menos violento do país

Estudo do Ipea e FBSP considerou as mortes por homicídio e mortes violentas por causa indeterminada

Brusque é o segundo município menos violento do país

Estudo do Ipea e FBSP considerou as mortes por homicídio e mortes violentas por causa indeterminada

Brusque é o segundo município menos violento do Brasil em 2015, ficando atrás somente de Jaraguá do Sul, com população superior a 100 mil habitantes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 5, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e estão contidos no Atlas da Violência 2017.

Para listar os municípios, o estudo considerou as mortes por agressão (homicídio) e as mortes violentas por causa indeterminada (MVCI). As taxas de Brusque de homicídio e MVCI ficaram em 4,1, atrás apenas de Jaraguá do Sul, que ficou com 3,7. Em 2015, o país registrou 59.080 homicídios, o que significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes.

Para computar os dados, o Atlas da Violência 2017 analisou o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, referentes ao intervalo de 2005 a 2015. Além disso, utilizou também informações dos registros policiais publicadas no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do FBSP.

Entre os municípios mais violentos da relação, o município de Altamira, no Pará, lidera o ranking, com uma taxa de homicídio somada a MVCI de 107. A lista completa consta 30 municípios entre os mais e menos violentos do país.

Pelos dados apresentados, mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, uma redução de 3,3% na taxa em relação a 2014.

O delegado regional da Polícia Civil, Fernando de Faveri, informa que em Brusque, o perfil das vítimas se assemelha ao restante do país: a maioria homens jovens e que possuem uma relação direta ou indireta com tráfico de drogas.

Também há os casos isolados de crimes passionais, como ocorreu em maio deste ano, em que o marido matou a esposa por ciúmes. Porém, essas situações fogem do controle da polícia, pois não tem como prever esse tipo de crime. “De modo geral, as prisões de tráfico de drogas refletem muito no índice de diminuição de homicídios”, salienta de Faveri.

Para o delegado, é difícil achar um fator que seja determinante para explicar as baixas estatísticas do município. Entretanto, um dos fatores principais, na avaliação dele, são os bons indicadores econômicos. “É uma cidade com bastante oferta de empregos, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto e tudo isso reflete na violência”, analisa.

Além disso, a coesão social entre os órgãos do município, como Polícia Militar e Civil, Guarda de Trânsito de Brusque, Corpo de Bombeiros, Ministério Público de Santa Catarina, Poder Judiciário, Acibr, Unifebe são essenciais. “A segurança pública não é somente a polícia, mas a parceria entre várias instituições”, afirma de Faveri.

O comandante da Polícia Militar de Brusque, tenente-coronel Moacir Gomes Ribeiro, festeja os números do Ipea. “Manter níveis tão bons com todos os problemas diários que temos, é realmente um desafio árduo”, diz.

Trabalho investigativo
O trabalho realizado pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Brusque também é um dos destaques positivos na visão do delegado regional. Isto porque a DIC tem um alto índice de resolução de homicídios.

De Faveri revela que o índice de Brusque é próximo de 90%. “Quem comete o homicídio é identificado e isso, obviamente, cria a sensação de punidade, pois o indivíduo que mata sabe que será identificado, preso e será levado a júri”, informa.

Apesar das estatísticas serem favoráveis, o delegado diz que o município não pode ser considerado um paraíso. “É uma luta constante e tudo é muito mutável na área de segurança pública, pois amanhã pode ocorrer uma chacina. Então, é uma batalha diária e que necessita do envolvimento de mais de um órgão”, frisa.

Prevenção
Para diminuir cada vez mais as estatísticas de Brusque, o comandante Gomes afirma que a PM busca realizar ações de policiamento não somente na parte repreensiva, mas também preventiva. Atualmente, a PM de Brusque realiza um trabalho muito forte com o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), além da Transitolândia. “As próprias blitze, como as voltadas à Lei Seca, é uma cultura que tentamos diminuir. Tudo isso ajuda, além, claro, do fortalecimento e aumento do policiamento ostensivo na cidade”, diz.

A participação da sociedade também tem agregado muito, pois dá credibilidade ao trabalho da PM e ajuda a manter o padrão de policiamento, analisa Gomes. “Temos recebido muitas denúncias por diversos meios que utilizamos. Então, o sistema funciona, a cidade cresceu economicamente e em número de habitantes, mas ao mesmo tempo mantêm um vínculo de tradição muito forte, de trabalho, solidariedade e participação”.

Índice controlado
De 2015 até este ano, Brusque mantém um índice controlado de homicídios no município. Neste ano, até o momento, foram registrados quatro casos, sendo que em 2016 foram três e 2015, quatro.

Entretanto, o delegado regional afirma que com essa quantidade de casos em 2017, não dá para indicar que houve um aumento. “Esses números não refletem a realidade, pois temos um fato que gerou duas mortes, no início do ano, e um crime passional. Então não dá para dizer que teve um aumento na violência do município, pois está totalmente controlada e vem seguindo um controle sempre no mesmo patamar”, analisa.

Dados de Brusque

2015 2016 2017*
4 3 4

*Casos registrados até junho de 2017

Municípios mais pacíficos em 2015

# UF Município População Nº de homicídio Nº de MVCI Taxa de homicídio Taxa de MVCI Taxa de homicídio + MCVI
1 SC Jaraguá do Sul 163735 5 1 3,1 0,6 3,7
2 SC Brusque 122775 5 0 4,1 0 4,1
3 SP Americana 229322 9 2 3,9 0,9 4,8
4 SP Jaú 143283 7 2 4,9 1,4 6,3
5 MG Araxá 102238 6 1 5,9 1 6,8

Municípios mais violentos em 2015

# UF Município População Nº de homicídio Nº de MVCI Taxa de homicídio Taxa de MVCI Taxa de homicídio + MCVI
1 PA Altamira 108382 114 2 105,2 1,8 107
2 BA Lauro de Freitas 191436 177 10 92,5 5,2 97,7
3 SE Nossa Senhora do Socorro 177344 159 12 89,7 6,8 96,4
4 MA São José de Ribamar 174267 159 9 91,2 5,2 96,4
5 BA Simões Filho 133202 112 11 84,1 8,3 92,3

 

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