Brusque e região têm 5 mil viciados em crack

Dado do Vale do Itajaí foi apresentado pelo deputado estadual Ismael dos Santos na audiência pública do Grupia

Brusque e região têm 5 mil viciados em crack

Dado do Vale do Itajaí foi apresentado pelo deputado estadual Ismael dos Santos na audiência pública do Grupia

Audiência pública realizada ontem na Câmara de Vereadores pelo Grupo de Proteção da Infância e Adolescência (Grupia) abordou o combate às drogas em Brusque, na região e em todo o estado. Durante as discussões, o deputado estadual e presidente da Comissão de Prevenção e Combate às Drogas da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Ismael dos Santos, disse que, em pesquisa realizada pela comissão, identificou-se que Brusque e a região do Vale do Itajaí têm cerca de cinco mil viciados em crack.

Segundo o deputado, o crack “é desesperador em Santa Catarina”. A pesquisa revelou que o estado tem aproximadamente 50 mil usuários. Durante o discurso, Santos também disse que a droga demora entre 5 a 8 segundos para chegar ao cérebro e que o usuário fica sob efeito durante cinco minutos.

“Existe um mito da irrecuperabilidade, que a droga é um mundo sem volta. Acreditamos que é possível sim a recuperação. Encontramos 140 comunidades terapêuticas em Santa Catarina que recuperam o dependente químico”, disse.

Entre as 140 comunidades, de acordo com o deputado estadual, cerca de 80 integram o programa Reviver, parceria do governo do estado e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) que tem como objetivo a prevenção às drogas e o tratamento de dependentes. O índice de reabilitação dentro das cerca de 80 instituições atinge 65% dos acolhidos, afirmou Santos.

“As comunidades terapêuticas não são clinicas de reabilitação. A pessoa que está lá dentro não é um interno, é um acolhido. O acolhido pode interromper o programa a qualquer momento. E lá nós prezamos pelo contato com a família. É importantíssimo o vínculo”.

Ainda segundo o deputado, não há município no estado em que a droga “não tenha batido a porta”. Durante as visitas da Comissão de Prevenção e Combate às Drogas da Alesc a algumas comunidades terapêuticas, Santos disse que foi identificado que praticamente todos os acolhidos entraram no mundo dos entorpecentes por meio do uso da maconha.

“A maconha é o jardim de infância do crack”, disse. O deputado também destacou a importância dos debates para os municípios encontrarem formas de combate. “Temos de buscar uma Santa Catarina sem droga. O que vale a pena são debates como esses e também as nossas ações na construção de uma sociedade livre da dependência química”.

O professor e gerente de Educação da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) de Brusque, Rodrigo Cesari, também participou da audiência pública e ressaltou a importância das comunidades terapêuticas e da família na reabilitação e na vida dos jovens. Em sua fala, Cesari lembrou que trabalhou durante dois anos na comunidade Bethânia, que tem sete sedes espalhadas pelo país. No estado, a comunidade fica em São João Batista.

“A grande raiz do problema de mais de 90% dos acolhidos é a falta de estrutura familiar. E falta sobretudo de amor próprio. O dependente químico perde a identidade. A droga leva tudo aquilo que ele tem e o que ele é”, analisou.

Ainda segundo Cesari, na comunidade Bethânia são utilizadas dinâmicas diferentes para retomar a identidade dos acolhidos. Os homens, por exemplo, são obrigados a fazer a barba todos os dias de manhã. O ato serve para que o acolhido se olhe no espelho e se reconheça. “O dependente tem vergonha de olhar pra ele e ver o que ele se tornou. Ele precisa olhar pra dentro”, explicou.
Responsáveis pelos órgãos de segurança do município também participaram da audiência pública para relatarem a realidade de Brusque. O tenente-coronel da Polícia Militar de Brusque, Moacir Gomes Ribeiro, disse que nos últimos 15 anos, os problemas mais graves enfrentados pela PM eram as mortes e os acidentes no trânsito. Porém, o quadro tem se alterado. Agora, o “consumo desenfreado” de entorpecentes por adolescente e jovens figura no topo da lista.
“Temos diariamente em Brusque apreensões de adolescente consumindo substâncias entorpecentes em alguns pontos notórios do município. E não temos estrutura em termos de efetivo para que possamos fazer uma repressão maior ao uso e ao tráfico de drogas no município”.
Assim como a PM, a Polícia Civil também convive com o aumento do consumo de drogas. O delegado Alex Bonfim Reis, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Brusque, disse que é possível perceber o crescimento do uso de drogas “mais pesadas”, como a cocaína e o crack. “Vemos cada vez mais o aumento do consumo de crack. Onde se compra maconha, se compra crack e se compra cocaína. Não basta afastar a droga das pessoas, tem que afastar as pessoas das drogas”, disse.

Tabela

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