Brusque entre as cidades com mais suicídios

A cidade é a sexta colocada em Santa Catarina, segundo pesquisa do Ministério da Saúde

Brusque entre as cidades com mais suicídios

A cidade é a sexta colocada em Santa Catarina, segundo pesquisa do Ministério da Saúde

Brusque está entre as cidades com maior número de suicídios. O Mapa da Violência de 2014: Os Jovens do Brasil, realizado pelo Ministério da Saúde, aponta a cidade como a 94º colocada no ranking nacional de suicídios entre a população geral e em 37º lugar quando é levado em conta somente o contingente de jovens (15 a 24 anos). No âmbito estadual, apenas cinco municípios estão à frente de Brusque. A listagem leva em conta os dados de 2012, mas o levantamento reúne informações a partir de 2008. Nesse período, houve uma média de 11 suicídios por ano, sendo que 2012 foi o ápice, com 16 ocorrências. A secretária municipal de saúde, Ana Beatriz Baron Ludvig, afirma que o município vê estes dados com preocupação.

Um dos fatores apontados pela secretária como indicadores de que a saúde da população não está bem é a quantidade de remédios receitados nas unidades básicas de saúde.”Esses dados são preocupantes, mas o que nós percebemos é que cada vez mais há um aumento prescrição de medicamentos antidepressivos. Essa é uma realidade não só local, mas também nacional. A gente acompanha essa situação com preocupação, porque isso é sinal de que a saúde mental da nossa população não está bem”, diz Ana Beatriz. A cultura de que tudo é resolvido à base de medicamentos também colabora. Para a titular da pasta, as pessoas ainda são resistentes em substituir as medicações faixa preta por hábitos saudáveis ou outros tipos de tratamento.

Luciane Gobbo Brandão, psicóloga especialista em psicoterapia, afirma que a intenção de um suicida não é acabar com a própria vida em si, mas sim acabar com o sofrimento que lhe acomete. Esta dor interna tem as suas raízes em duas ramificações: estrutura psíquica e estresse social. A estrutura envolve a vulnerabilidade do indivíduo em lidar com situação de dificuldades ao longo da vida. “Quando o indivíduo não consegue mais aguentar esse sofrimento, ele busca o jeito mais rápido de acabar com aquilo”, diz Luciane.

Questão cultural
O estresse social é o conjunto de fatores que incidem sobre a vida de um pessoa. “A gente considera como estresse social a pressão de certas culturas sobre o tempo, o trabalho, a parte econômica e outras coisas”, diz Luciane. Segundo ela, quando a pessoa não tem a estrutura para conseguir lidar com isso, pode desenvolver casos de melancolia e depressão.

A questão cultural é particularmente forte no caso de Brusque. Tanto a psicóloga quanto a secretária de saúde afirmam que a pressão social que permeia as tradições germânicas influenciam no estado da saúde mental dos brusquenses. “Além de trabalhar muito, as pessoas se preocupam muito com o trabalho. Elas pensam muito em adquirir bens e alcançar objetivos. Nessa ânsia de ter um status melhor, elas esquecem das coisas mais importante da vida, que é o convívio com a família e os amigos”, diz a secretária.

Luciane participou de um projeto que estudava os suicídios em Pomerode. Naquela época, a cidade mais alemã do Brasil figurava no ranking pela alta taxa de suicídios. “Até surgiram piadas sobre ser proibido vender cordas em Pomerode”, afirma. As duas cidades têm a cultura do trabalho, que caracteriza os alemães e seus descendentes.
Políticas públicas
A solução para diminuir o número de suicídios passa por dar mais suporte aos que necessitam e mudar a “cultura do remédio”. A psicóloga Luciane diz que os grupos de autoajuda são uma opção interessante. Neles, os necessitados podem compartilhar as suas angústias e assim aprender como lidar com elas. Ana Beatriz afirma que já são realizadas reuniões deste tipo nas unidades básicas de saúde do município.
Além disso, segundo a secretária, o município investe em praças e educadores físicos para que a população pratique exercícios físicos. “As pessoas têm que ter um rotina de exercícios. Muitas vezes, ela traria mais benefícios que o remédio que ela está tomando”. Ana Beatriz afirma que o poder público está trabalhando para conseguir implementar uma nova visão da saúde em Brusque. Ela valoriza mais os bons hábitos, em detrimento dos remédios, que causam dependência e nem sempre são a resposta. Uma das dificuldades que o sistema de saúde enfrenta é o “desmame” dos medicamentos, pois os faixa preta causam dependência química, viciam.

O Mapa da Violência
O Mapa da Violência foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde para permitir um diagnóstico sobre a mortalidade da população jovem, em 2005. Incialmente, era produzido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e hoje é elaborado pelo Ministério da Saúde. A publicação objetiva tabular e dar subsídios sobre três formas de morte: homicídio, suicídio e acidentes de transporte. Na edição de 2014, para o dados da população geral, foram avaliados somente municípios com mais de 20 mil habitantes; e para a população jovem, com mais de 15 mil.

 
Ranking nacional de suicídios (população em geral)

Colocação Município Taxa por 100 mil hab. População

1º S. Gabriel da Cachoeira (AM) 51,2 39.097
2º Três Passos (RS) 41,9 23.861
3º S. Paulo de Olivença (AM) 36,7 32.677
4º Amambai (MS) 36,6 35.523
5º Três de Maio (RS) 33,8 23.665
94º Brusque 14,6 109.950

 

Ranking Nacional de suicídios (jovens de 15 a 24 anos)

Colocação Município Taxa por 100 mil hab. Pop. jovem

1º Moju (PA) 41,2 21.859
2º Cruz Alta (RS) 39,7 15.096
3º Tabatinga (AM) 37,3 16.077
4º Alfenas (MG) 25,7 19.487
5º Venâncio Aires (RS) 24,9 16.035
37º Brusque 15,5 32.249

 

Números dos suicídios em Brusque

Ano Pop. geral Pop. jovem

2008 8 1
2009 8 1
2010 9 3
2011 3 1
2012 16 5

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