Os tecelões de Lodz tiveram participação preponderante em duas fábricas centenárias fundamentais para o desenvolvimento de Brusque: Renaux e Schlösser. Com seu conhecimento e tenacidade, os polacos ajudaram as empresas a se consolidarem e prosperarem no final do século 19 e início do 20.

A primeira grande empreitada no ramo têxtil foi de Carlos Renaux, que havia chegado ao Brasil em 1882 e, após dois anos em Blumenau, aportou em Brusque. O jovem alemão trabalhou como negociante por algum tempo e foi importante para que colonos deixassem de praticar a troca e adotassem o dinheiro.

A partir de 1889, com a febre da imigração na Polônia, tecelões de Lodz fizeram a proposta para que Renaux abrisse uma fábrica em Brusque. Em 1892, ele abriu a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux em sociedade com dois poloneses: Paul Hoepcke e Augusto Klapoth. Mais adiante, os dois deixaram a empresa.

Renaux adquiriu o terreno na estrada dos Pomeranos, que hoje é a avenida Primeiro de Maio, e a empresa começou a funcionar. O início foi conturbado porque naquela época o acesso a Brusque não era tão fácil.

Devido à localização, era fundamental ter também a fiação para a Renaux dar certo. Por isso, em 1900, o próprio empresário conseguiu que a empresa A. O. de Freitas, de Hamburgo (Alemanha), montasse uma fiação em Brusque.

Fábrica Renaux contou com o apoio primordial dos polacos para se consolidar | Foto: Acervo Casa de Brusque

A força e conhecimento dos tecelões poloneses, que na verdade não eram só tecelões, mas tintureiros, fiandeiros e outros profissionais têxteis, foi importante principalmente nesse início. Eles tiveram de treinar muitos novatos, que antes trabalhavam na lavoura.

Pouco depois da primeira leva de tecelões, vieram os Schlösser. Gustavo Schlösser foi contratado por Renaux, por meio de um intermediário, já na Polônia, em 1896.

Gustavo possuía uma formação invejável à época. Nascido na região de Lodz, em 1890, ele havia estudado na Escola Estadual da Indústria de Bielitz, cidade que ficava na área sob domínio do Império Austro-Húngaro.

Schlösser trabalhou como técnico têxtil por cerca de 15 anos na Renaux. Ele orientou também a fabricação de teares de madeira. Em momentos difíceis, Gustavo tinha papel fundamental e ajudou a superá-los.

Tear usado no início da Companhia Industrial Schlösser | Foto: Marcos Borges

Companhia Industrial Schlösser

Gustavo Schlösser foi um autêntico tecelão e empreendedor. Depois de uma década e meia na fábrica Renaux, ele decidiu empreender.

Gustavo Schlösser veio da Polônia para fundar uma das principais indústrias do estado | Foto: Acervo Casa de Brusque

Em 1911, Gustavo fundou a empresa junto com os filhos Hugo e Adolph. Os dois haviam trabalhado na Renaux também, mas saíram antes do pai.

Hugo foi para o Rio de Janeiro, mas não ficou por muito tempo e voltou para Brusque. Em 1908, começou a tecer em casa, em tear manual.

O irmão dele, Adolph, também esteve no estado carioca e voltou. Mas ele foi para Blumenau, onde trabalhou na Empresa Industrial Garcia – que depois foi incorporada à Artex.

Companhia Industrial Schlösser foi muito importante para o desenvolvimento têxtil da região | Foto: Acervo Casa de Brusque

Os filhos responderam ao chamado do pai. Assim, em 1911, nasceu a Gustavo Schlösser & Filhos, que depois se tornou Companhia Industrial Schlösser.

A produção começou com apenas dois teares manuais. Eram feitos cerca de 400 metros de tecidos mensalmente.

O próprio Renaux fornecia o fio aos Schlösser. Ele também se encarregou de comercializar a mercadoria em sua loja.


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