Brusquense é a única brasileira a participar de expedição do Mar de Java ao Timor Leste
Expedição começou em Singapura e foi promovida pela OceanX
Expedição começou em Singapura e foi promovida pela OceanX
A brusquense Mariana Zorzo, estudante de mestrado em Oceanografia Física pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi a única brasileira a participar do Young Explorers Program.
O programa aconteceu entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro, e é promovido pela OceanX, uma organização sem fins lucrativos que busca conectar ciência, tecnologia e mídia para promover a alfabetização oceânica. A OceanX já realizou parcerias com instituições e personalidades reconhecidas mundialmente, como a Disney e o cineasta James Cameron.
O projeto seleciona jovens de 18 a 24 anos de todo o mundo para uma imersão a bordo do navio de exploração OceanXplorer, onde os participantes aprendem sobre ciência oceânica, operações e engenharia marinha, além de mídia e storytelling para divulgação científica.
O processo contou com duas etapas. A primeira consistiu em enviar um currículo em inglês, preencher um formulário respondendo a várias questões sobre seus interesses e enviar um vídeo de um minuto explicando o que faria para motivar as pessoas a cuidarem dos oceanos. Na segunda etapa, foi realizada uma entrevista de 15 minutos. Demorou alguns meses até que Mariana recebesse o retorno de que havia sido selecionada para participar.
“Durante o programa, participei de uma expedição que começou em Singapura e navegou pelo Mar de Java até o Timor-Leste, um país de língua portuguesa, vivenciando na prática os desafios e a beleza da exploração oceânica”, explica Mariana Zorzo.
A experiência incluiu oficinas e atividades práticas voltadas à comunicação e à preservação dos oceanos, em colaboração com cientistas e profissionais renomados das áreas de oceanografia, engenharia e mídia.
“Acredito que essa oportunidade reflete não apenas um reconhecimento pessoal, mas também o impacto e a relevância internacional da formação brasileira.”

Mariana relata que, durante sua vivência, pôde conhecer e utilizar tecnologias modernas de exploração do fundo do mar.
A equipe dispõe de um Veículo Operado Remotamente (ROV), controlado à distância, capaz de mergulhar até 6 mil metros de profundidade, realizando diversos tipos de coletas e medições de água, sedimentos e material biológico, entre outros.
Além disso, a embarcação possui dois submersíveis, chamados Neptune e Nadir, que conseguem descer até mil metros de profundidade. Em cada um deles cabem dois cientistas e um piloto.
“Fiz vários tours pelo navio, aprendi como eles conduzem esses veículos, pude mexer nos painéis e entender um pouco melhor como é feita a exploração do oceano profundo. Também realizei atividades em laboratórios de pesquisa, analisando seagrasses (gramíneas marinhas) e aprendi sobre ecossistemas recifais com pesquisadoras da Tunísia e da Malásia.”
Mariana comenta que houve palestras inspiradoras e muito aprendizado, por exemplo, como usar a tecnologia a favor da conservação, para que as pessoas se sintam parte do oceano e queiram lutar por ele.
“Aprendi que a presença cria empatia, e a empatia gera ação. É exatamente disso que precisamos pessoas agindo em prol dos oceanos, porque a crise ambiental existe, e é nosso papel mudar o atual rumo do planeta. Precisamos ser a voz que fala pelos oceanos.”

Foi sua primeira viagem internacional, e para o outro lado do mundo, em um navio de pesquisa com pessoas que não falavam a mesma língua. Mariana conta que, para ela, tudo parecia um desafio, mas que, na expedição, tudo ocorreu bem.
“Talvez o meu maior desafio tenha sido a insegurança na hora de me comunicar com pessoas de várias partes do mundo, que têm culturas muito diferentes da minha. No início, eu estava mais insegura, mas, à medida que conversei com outros profissionais, percebi que o fato de termos algo em comum nos conectava e ultrapassava qualquer barreira cultural. O inglês me ajudou muito nisso, era a única língua pela qual nos comunicamos lá.”
Durante o trecho da navegação até o Timor-Leste, a viagem transcorreu de forma tranquila, com dias ensolarados e mar calmo. A experiência foi marcante, com paisagens deslumbrantes, a presença de golfinhos ao longo do trajeto e sem episódios de enjoo.
Mariana Zorzo tem 23 anos, é ex-aluna da EEB João Hassmann e atualmente mora em Guabiruba. Seu interesse pelo oceano surgiu de uma vontade genuína de melhorar a vida das pessoas e do planeta.
“No ensino médio, quando descobri o impacto que o plástico causa nos oceanos, percebi que eu não podia ficar parada e queria fazer parte da solução. Sempre fui apaixonada por mistérios, e hoje sabemos muito pouco sobre os nossos oceanos. A ciência me possibilita explorar esse ambiente e pesquisar coisas novas, nunca antes descobertas.”
Desde então, ela busca ser uma profissional que faz a diferença, ajudando a enfrentar desafios ambientais e a construir um futuro mais justo e sustentável.
A volta ao Brasil foi emocionante. “Foi incrível. Essa conquista foi minha, da minha família, dos meus amigos e professores. Voltei cheia de ideias e quero aplicar todas elas. Como disse antes, precisamos de pessoas agindo em prol dos oceanos, é nosso papel mudar o atual rumo do planeta. Precisamos ser a voz que fala pelos oceanos”, finaliza.
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