Brusquense é o primeiro catarinense a disputar maratona extrema na Amazônia

No caminho para concluir a Jungle Marathon, atleta deve suportar perigos da mata fechada

Brusquense é o primeiro catarinense a disputar maratona extrema na Amazônia

No caminho para concluir a Jungle Marathon, atleta deve suportar perigos da mata fechada

Não basta ser veloz para completar a Jungle Marathon, competição realizada na Amazônia e que está em sua 11ª edição. É preciso coragem e instinto de sobrevivência. Os atletas convivem com o perigo anunciado, já que no meio da prova pode ser necessário escapar de onças, cobras e outros animais silvestres. Mesmo sabendo das adversidades, o brusquense Jeferson Luís Prette não desiste desse que considera ser o seu sonho como maratonista. A competição será realizada de 1º a 10 de outubro, e Prette viajará no dia 20 de setembro para o local do evento.
Se concluir a prova de 270 quilômetros, Prette será o primeiro catarinense a completar o desafio mais longo da Jungle Marathon. Ele já é o pioneiro no estado a confirmar participação no evento. Isso porque a Jungle Marathon é organizada por um grupo britânico, e poucos brasileiros participaram até hoje. Somente 48 atletas ‘da casa’ completaram a maratona em 11 anos de história.


Sem medo

Corredor desde os 18 anos, Prette, hoje com 22, conheceu a Jungle Marathon há dois anos. Ao saber da aventura, logo ficou fascinado, mas não achava que um dia iria participar. “Para mim era algo muito distante, mas agora estou indo lá realizar este sonho”, diz.
Mesmo com a experiência adquirida nos anos como maratonista – Prette conquistou bronze na última ultramaratona do Bela Vista Country Club, correndo por 24 horas sem parar – o atleta sabe que o que está para enfrentar é diferente de tudo o que já participou. Mesmo assim, disse não temer o desafio. “Estou preparado para concluir a prova”, afirma.
No entanto, um fato assombra o corredor. “Os momentos de solidão na mata serão os mais difíceis para mim”. Além do tempo na selva sem ninguém por perto, Prette precisará se acostumar a dormir no relento. Os competidores só poderão dormir em redes, com as únicas proteções de um mosquiteiro e um toldo como cobertura. O brusquense afirma que terá de ‘treinar’ às noites de sono longe do conforto da casa. “Vou dormir em redes um tempo antes da prova. Também preciso correr com a mochila. Carregaremos 30 quilos nas costas com os mantimentos e o material para dormir”, explica.
Mesmo com tantas dificuldades para a conclusão da prova, Prette afirma que seus pais o apoiaram desde o início. “Eles se preocupam, mas estão contentes com essa decisão. Minha namorada também me incentivou”, diz.

Projeto social

Os esforços de Prette não serão exclusivamente para a satisfação pessoal do ultramaratonista. Ele doará dois quilos de alimentos não perecíveis a cada quilômetro percorrido na selva amazônica. Isso significa que se o atleta concluir a prova, 540 quilos de alimentos serão doados a instituições beneficentes de Brusque e Guabiruba, ainda não definidas.
Prette também afirma precisar de apoio para competir sem ter despesas. Apesar de contar com o patrocínio de Vulture Adventure Camisaria, H-Zen Industrial e Quality Malhas, o brusquense diz que mais marcas podem ajudá-lo na empreitada.

A prova

A emissora internacional CNN elencou a Jungle Marathon como a “prova mais dura do mundo”, e não foi a toa. São 270 quilômetros que devem ser percorridos por cerca de 30 atletas do mundo inteiro pela Floresta Nacional do Tapajós. A umidade chega a picos de 99%, e os termômetros frequentemente marcam 40ºC. Em muitos trechos, com tanta selva, é impossível enxergar o céu.
O caminho é dividido em dez dias, com etapas diferentes. Nos três primeiros dias, os atletas passam por treinamentos de sobrevivência e provas de autossuficiência. É preciso mostrar aos avaliadores a capacidade de suportar o que vem pela frente. Os índios tapajós ensinam como lidar com os perigos da mata, inclusive as onças.
Do quarto ao décimo dia, inicia a maratona. Grande parte das etapas precisam ser percorridas individualmente, sem companhia por cada um dos maratonistas. Em cada dia, há um numero de quilômetros a ser percorrido e, se o atleta não conseguir, é eliminado da prova.
No ano passado, houve polêmica na Jungle Marathon. O maratonista português Carlos Sá desistiu da prova a qual era líder, alegando falta de segurança. Entre várias situações em que citou, falou sobre o encontro com um jaguar e a dificuldade em arranjar postos médicos durante a competição.

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio