Brusquense tem coleção com mais de 100 aparelhos de videogame, reunidos desde a década de 1970

Eduardo Loos, 43 anos, guarda com carinho os jogos que fizeram parte da sua infância

  • Por Redação
  • 15:00
  • Atualizado às 9:27

Brusquense tem coleção com mais de 100 aparelhos de videogame, reunidos desde a década de 1970

Eduardo Loos, 43 anos, guarda com carinho os jogos que fizeram parte da sua infância

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O mundo dos jogos eletrônicos está cada vez mais moderno e com recursos inimagináveis até há alguns anos atrás. Hoje, os jogos de videogame são interativos e de uma realidade impressionante, bem diferente dos primeiros games que se popularizaram nas décadas de 1970 e 1980. No entanto, apesar de toda essa evolução, há aqueles que não abrem mão dos clássicos.

O brusquense Eduardo Loos, 43 anos, é um deles. A história dele com o videogame começou em 1977, aos cinco anos, quando ele foi presenteado pelo pai com um Telejogo, o primeiro videogame lançado no Brasil. O aparelho tinha um sistema simples, com apenas três jogos – futebol, tênis e paredão – e controle fixos no console, mas foi o suficiente para atrair a atenção do garoto.

Em 1983, ano do lançamento dos consoles de segunda geração no Brasil, Loos ganhou um Intellivision, concorrente do famoso Atari e do Odyssey. Aquela altura, os jogos de videogame já haviam se tornado febre no país e sonho de consumo de qualquer criança.

Como o gosto por games sempre esteve muito presente em sua vida, em 1997, Loos decidiu iniciar sua coleção de videogames, principalmente por nutrir uma paixão por sistemas clássicos. Hoje, ele tem por volta de 100 equipamentos, além de cartuchos, disquetes, fitas k7, periféricos, livros e revistas.

“Passei por diversas plataformas diferentes até os dias de hoje. O que mais acho interessante é que além de acompanhar a evolução dos computadores, consoles e dos próprios jogos, consequentemente, você passa a ter uma maior compreensão de diversas áreas interligadas, como o cinema, televisão, música, computação gráfica, mídias, eletrônica, cultura, arte popular e muitas outras”, diz.

Em meio a uma infinidade de jogos disponíveis, o colecionador diz ser difícil escolher os seus jogos prediletos, porém, os gêneros que mais fazem o seu gosto sempre foram os de estratégia, simulação ou tiro com naves.

Sobre os aparelhos preferidos, no entanto, o brusquense não tem dúvidas: os primeiros videogames que teve contato são os seus queridinhos. “Os que tenho mais carinho são o Telejogo, Intellivision, MSX, Commodore Amiga, e também os modelos em que eu apenas sonhava em ter, devido ao preço alto ou por só existirem fora do Brasil e que depois de colecionar, consegui muitos deles como Computador Sharp X/68000, Computador Panasonic MSX2+, NeoGeo e PC Engine”.

Apesar de ter uma grande coleção, Loos lamenta não poder usar os aparelhos com frequência. “Pela escassez de tempo, uso muito aquém do que eu gostaria. Muitos equipamentos eletrônicos deixam de funcionar pela falta de uso. Ainda estou organizando meu acervo de modo que possa tentar ter uma rotina de utilizá-los com determinada frequência, até mesmo para manter seu funcionamento ou saber o estado em que se encontram”.

Para ele, o videogame representa muito mais do que uma forma de entretenimento. “ Os videogames hoje já fazem parte da cultura de nossa sociedade e isso só vai crescer ainda mais em direção ao futuro. É uma indústria que já passou o cinema em termos globais, com títulos, com orçamentos de produção maiores do que muitos filmes. Além da diversidade de usos que os jogos podem ter na educação, medicina, fisioterapia, arte, comunicação social, música, ciências, simulações empresariais e muitas outras”.

Loss destaca ainda a preservação da memória dos videogames. “Desde os primeiros modelos, para que as gerações atuais, que nasceram em um mundo onde a Internet e a comunicação instantânea dominam tenham noção de como tudo evoluiu até chegar aos dias de hoje”.

O lendário jogo Pac-Man é um dos itens da coleção do brusquense / Foto: Bárbara Sales
O lendário jogo Pac-Man é um dos itens da coleção do brusquense / Foto: Bárbara Sales

Velhos tempos dos games em Brusque

O colecionador lembra com carinho da infância, quando sua paixão pelos games começou. Para ele, é impossível falar de videogame em Brusque sem lembrar do “Fliperama”, que ficava em frente ao atual banco Itaú. “Na metade dos anos 1980, lotava com os frequentadores gastando muitas fichas e jogando clássicos como Space Invaders, Xevious, Galaga, Pole Position, Bazooka, Jungle Hunt e tantos outros, além das diversas máquinas de pinball, como Cavaleiro Negro, Vortex, Titan, Rallye”, recorda.

Loos também destaca as lojas Hermes Macedo (HM) e a Loja Renaux Microcenter, estabelecimentos em que os aficionados por games tinham parada certa. “A HM tinha o setor mais completo de videogames na cidade, além de computadores. Já a Loja Renaux Microcenter vendia todo tipo de computador pessoal”.

Já nos anos 1990, as crianças e os jovens faziam a festa na locadora Sol Games, na subida do morro do Colégio Cônsul. “A locadora fez época e traz boas lembranças para muita gente até hoje”, diz.

O colecionar lembra, no entanto, que em cidades próximas a oferta de fliperamas era bem maior. “Em Balneário Camboriú, onde muitos brusquenses passavam o verão, existiam diversos locais onde podíamos conhecer jogos que ainda não haviam aparecido por aqui. O mesmo para Blumenau ou Florianópolis. Na capital, as locadoras de games já haviam surgido anos antes, já na época do Atari, Odyssey. Até mesmo locadoras com jogos para computadores pessoais existiram por lá, nos anos 1980”.

Com o crescimento da internet, Loos lembra que o perfil dos jogos e também de muitos jogadores mudou bastante. Os jogos online viraram febre e, assim, logo surgiram as lan houses. “Nas lan houses, muitos se reuniam para partidas de Quake ou Counter Strike”.


Videogame na história

Para muitos, o primeiro jogo eletrônico da história foi desenvolvido em 1962 por Slug Russel, Wayne Witanen e Martin Graetz, colegas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Estados Unidos. Com o fim de criar algo útil para as horas vagas, os estudantes idealizaram um jogo de batalha espacial capaz de rodar nos arcaicos computadores DEC PDP-1: o SpaceWar.
No entanto, alguns historiadores dizem que o tataravô dos jogos foi desenvolvido quatro anos antes, em 1958, pelo físico Willy Higinbotham, mais conhecido por ter sido um dos criadores da bomba atômica. Tratava-se de um joguinho de tênis mostrado em um osciloscópio e processado por um computador analógico, uma espécie de atrativo aos visitantes de seu laboratório.

Em 1968, um importante capítulo da história dos games é escrito pelo alemão Ralph Baer. Após ter se formado em engenharia eletrônica e trabalhado em diversas empresas de rádio e TV, Baer teve a ideia de criar um aparelho capaz de rodar jogos eletrônicos por meio da televisão.

Tal fato foi de grande importância para o futuro dos games pelo fato de que, até aquele momento, os jogos só rodavam nos computadores e o acesso a eles era restrito a pequenos grupos de estudantes universitários. O alemão desenvolveu e patenteou um aparelho chamado “Brown Box”, capaz de rodar diferentes tipos de jogos, fato que tornou Ralph Baer o “pai” do videogame.

O primeiro console comercializado da história foi o Odissey, elaborado pela empresa Magnavox, em 1972, nos Estados Unidos. O aparelho foi vendido no Brasil mais tarde, no final da década de 70. Fabricado pela Philco e Ford, o console ficou conhecido como Telejogo, o qual basicamente consistia em traços que subiam e desciam para rebater um quadrado.

Um pouco depois do lançamento do Odissey, surge o fenômeno que todos normalmente associam com a história do videogame: o Atari 2600. Projetado por Nolan Bushnell e lançado em 1978 nos Estados Unidos e em 1983 no Brasil, o console é considerado um símbolo cultural dos anos 80, um fenômeno de vendas.

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