Brusquenses migram para prédios e geminados

Constatação vem de dados do Ibplan que mostram o número de construções dos últimos quatro anos

Brusquenses migram para prédios e geminados

Constatação vem de dados do Ibplan que mostram o número de construções dos últimos quatro anos

De 2010 a 2014, o brusquense mudou o perfil na hora de escolher a moradia ideal. As casas, preferência há cinco anos, deram lugar aos prédios e geminados. Os dados do Instituto Brusquense de Planejamento (Ibplan) compravam o cenário: enquanto o número de construções de prédios e geminados – multifamiliar – mantém-se na média nos últimos anos, o número de construções de casas – unifamiliar – caiu mais de 50%.

A apuração calcula a quantidade de alvarás de construção autorizados pelo Ibplan desde 2010. Naquele ano, a categoria “multifamiliar” contou com 119 liberações, ao mesmo tempo, a “unifamiliar” teve 552. Dois anos depois, a queda da segunda categoria começava a ficar evidente: recuou para 404 autorizações. O resultado final que comprova a decaída ocorre em 2014: apenas 250 construções de casas receberam alvará.

Para o diretor-presidente do Ibplan, Laureci Serpa Júnior, os dados são reflexos da facilidade de compra de apartamentos e geminados que já foram construídos. Em comparação aos valores dos terrenos e da posterior construção da casa, Júnior diz que adquirir um apartamento ou um geminado que estão prontos é “mais em conta”.

“Um terreno na cidade está supervalorizado, realmente muito caro. Como tem poucos loteamentos, o preço dos lotes é alto. E financiar uma casa também não é barato. Então geralmente quem vai construir é a pessoa que já tem um terreno. Já quem não detém um espaço próprio vai diretamente para um apartamento ou para um geminado, em que há valores mais baixos”, analisa.

Em agosto do ano passado, o Ibplan fez um levantamento do volume de prédios que estavam em construção. Ao todo, 146 novas edificações eram levantadas nos bairros do município. Anos atrás, segundo o diretor-presidente, a maioria dos multifamiliares referiam-se a prédios de quatro andares. Agora, grande parte dos novos prédios abrigam mais de doze andares. Ou seja, somada à queda das construções de unifamiliares, para Júnior, a quantidade de apartamentos solidifica ainda mais a “migração” dos brusquenses.

“Não dá para analisar pelo número de alvará, mas se analisar pelo número de apartamentos é muito grande a quantidade de brusquenses que está preferindo morar em multifamiliares. No passado, a maioria das pessoas tinha definido que morar em apartamento não era bom, mas agora não se tem mais essa certeza. As pessoas estão buscando os prédios pela qualidade de vida e pela segurança que eles oferecem” diz.
Outra questão relacionada a queda no número de casas é o tamanho das construções. O diretor-presidente afirma que em 2010 a maioria das obras tinham em torno de 70 metros quadrados. Agora, raras são as casas com menos de 100 metros quadrados. A explicação também está no custo e na facilidade de aquisição de apartamentos e geminados com tamanhos menores.

“As pessoas estão preferindo os multifamiliares também porque desde 2011 eles são obrigados a ter área de recreação coletiva e espaço de lazer e trabalho lúdico para as crianças. Então, quem investe em terrenos, sempre constrói casas grandes com espaço para lazer. Agora, quem pode comprar apenas um terreno pequeno, está preferindo comprar apartamento que já vem com tudo isso”.

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A questão financeira e a segurança também são dois argumentos utilizados pelo presidente do Sindicato da Indústria, da Construção e do Mobiliário de Brusque (Sinduscon), Ademir Pereira, para explicar a queda no número de novas casas:

“A falta de dinheiro para fazer financiamentos para a aquisição de um terreno e da construção de uma casa é um dos fatores. E hoje, a população já pensa melhor em questão de segurança e tranquilidade. Um assalto em apartamento é muito difícil, em casas é mais fácil. Então o pessoal está fugindo das casas. E a oferta de apartamentos é muito grande, o que melhora o preço”, afirma.

A estabilidade no número de construções de multifamiliares nos últimos quatros anos reflete também na comercialização. O coordenador do núcleo dos Corretores e Imobiliárias da Associação Empresarial de Brusque (AciBr), Horst Heinig, afirma que a venda de apartamentos e de geminados é maior do que de casas.

“Acontece muito das pessoas venderem a casa para comprarem um apartamento. Dentro do condomínio elas não precisam se preocupar com a limpeza do terreno e essas questões, tudo já é feito. E acho que também tem relação com a localização dos prédios, porque a maioria está no Centro da cidade e, quando estão nos bairros, também geralmente são na área central dos bairros. As pessoas optam pela comodidade”, diz.

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