Candidata a deputada federal: Sabrina Avozani defende as privatizações e o direito à posse de armas

Ela garante que abrirá mão de privilégios em seu gabinete, caso eleita

Candidata a deputada federal: Sabrina Avozani defende as privatizações e o direito à posse de armas

Ela garante que abrirá mão de privilégios em seu gabinete, caso eleita

Idade: 40 anos
Naturalidade: Tapera (RS)
Profissão: Gerente de desenvolvimento
Grau de instrução: Ensino Médio completo
Religião: Católica
Nome na urna: Sabrina Avozani
Número na urna: 3007
Candidato a presidente: João Amoêdo (Novo)
Candidato a governador: Não declarou

Sabrina Avozani, gerente de desenvolvimento no setor têxtil, disputará neste ano sua primeira eleição. Candidata a deputada federal pelo partido Novo, ela é natural de Tapera (RS) e está há 19 anos em Brusque.

Casada e mãe de duas filhas, Sabrina saiu de casa aos 17 anos em busca de emprego, após os negócios da família, no setor agropecuário, entrarem em declínio.

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Apesar de disputar o primeiro pleito, ela é ativista política há mais tempo. Desde 2013 participa de movimentos que coordenaram os protestos de rua, sobretudo pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

É defensora da não-interferência do Estado na vida dos empresários, e das privatizações das empresas estatais, assim como da flexibilização do acesso às armas. Na entrevista, a candidata explica suas propostas de campanha.

Assista na íntegra:

Por que decidiu ser candidata a deputada federal?
“Eu tenho em mente que o país que queremos depende de nós. Como ativista de movimento desde a época do impeachment, quando o povo foi para as ruas clamar por justiça após o surgimento da operação Lava Jato, entendi que em 2018, após ser convidada pelo partido Novo, que a mudança seria de dentro do Congresso para fora. Fui resiliente no começo, até o dia em que minha filha chegou em casa e disse para mim que quando crescer ia morar em uma casa grande e ter dois trabalhos. Perguntei se ela ia dar conta de dois trabalhos e ela respondeu: ‘ué, você não trabalha para a Lynel [empresa] e para a Lava Jato? Essa resposta dela foi decisiva para dizer sim, que seria candidata”.

Caso eleita, qual o primeiro projeto de lei pretende propor?
“O corte de privilégios. Eu tenho o comprometimento e chegando no Congresso será minha primeira pauta apresentada. Eu acredito que muitos outros eleitos também farão a mesma coisa. Isso não depende somente de mim. Hoje o nosso Congresso Nacional gasta mais de R$ 29 milhões ao mês. Se não recuperarmos nossa economia, o Brasil não irá avançar, e isso precisa partir do Congresso como exemplo”.

Como seria seu investimento dos recursos de emendas parlamentares? Elas seriam aplicadas 100% na região?
“Quando chegarmos no Congresso vamos ver a melhor forma de aplicar esse dinheiro. Será aplicado com certeza aqui na região. Porém o estado de Santa Catarina é um estado empreendedor, e ele precisa ser analisado em todas as esferas, de ponta a ponta. Temos aí a situação das nossas estradas, que são questões primordiais de investimentos urgentes”.

 

Quando eu falo em armamento, falo em armamento com responsabilidade. Não estou dizendo que vai ter arma na lojinha da esquina

Considera que tem conhecimento técnico suficiente para analisar a execução do orçamento federal?
“Eu acredito que tenho sim. Estou indo para o Congresso com uma equipe preparada. Se falarmos em experiência financeira, essa eu sou sincera em falar [que não tem]. Porém eu já fui empreendedora, sei qual a dificuldade de empreender no país. Com uma equipe de pessoas preparadas, técnicas, tenho certeza que vamos conseguir ótimos resultados”.

Que medidas de economia de recursos pretende tomar no seu gabinete. Está disposta a abrir mão de benefícios?
“Todos, começando pelo número de assessores, cortaria no mínimo 50%, auxílio-moradia, auxílio-paletó, conta de celular será paga por mim mesma, redução de 20% do meu salário, que será doado para instituições”.

A senhora não tem experiência política. Por que iniciar a carreira como deputada federal e não como vereadora, por exemplo?
“Eu me sinto muito preparada para o Congresso. Estou em um partido que está muito bem estruturado, selecionando seus candidatos em processo seletivo. No Congresso estão as pautas que sempre defendi, enquanto ativista de movimento, pautas como o excesso de gastos do governo e de interferência do Estado em nossas vidas. A candidatura a vereadora não é o que faria a diferença. Tudo em nosso país passa pelo Congresso”.

Algumas reformas devem chegar à Câmara dos Deputados. Qual é a mais importante?
“Temos muitas reformas. Enumerar uma prioridade seria algo complexo. Uma das principais é uma Reforma Tributária, essa é emergencial, para que sobre dinheiro para a segurança, a saúde e a educação”.

A senhora é favorável à Reforma da Previdência? Qual é o modelo ideal?
“Eu sou favorável e faço um alerta: nós precisamos entender que se essa reforma não ocorrer o quanto antes, muitos aposentados perderão os seus benefícios. Eu tenho um posicionamento [sobre o modelo ideal], porém, chegando no Congresso é onde vamos debater e aperfeiçoar.”

Como acredita que é possível melhorar as finanças na União?
“Através da Reforma Tributária, simplificação de impostos, do livre mercado, um choque de capitalismo. Precisamos urgentemente sairmos desse sistema socialista, comunista, que destruiu o nosso país. Será através de um choque de capitalismo, dando oportunidade ao empresário, pela não interferência do Estado em nossas vidas. O empresário é estrangulado por essa interferência. Essas medidas são emergenciais para recuperarmos nossa economia”.

Caso eleita, votaria a favor da desestatização de 100% das empresas públicas?
“Eu sou a favor de privatizar tudo sim, 100%. Nós temos mais de 150 estatais, até hoje quantas foram investigadas? Poucas. A Petrobras se tornou um balcão de negócios, dizermos que estatal hoje é do brasileiro, não. As estatais são dos políticos corruptos, não são do povo brasileiro. Precisamos acabar com esse balcão de negócios e gerarmos a livre concorrência”.

Qual foi o principal erro da atual legislatura da Câmara dos Deputados?
“Todos. A começar pela corrupção, seguida de falta de competência, a ganância pelo poder, pensar somente em si e não pensar no que a população precisa, exagero no gasto do dinheiro do pagador de impostos, para bancar privilégios e mordomias para quem, em sua grande maioria, não está trabalhando para a população. Eu não conseguiria enumerar uma coisa positiva em prol da população”.

Essa história de que a mulher recebe menos por homem é uma história inventada por grande parte da imprensa

O seu partido não utiliza fundo partidário e fundo eleitoral. Como sua campanha está sendo financiada?
“Falo com muito orgulho que não usamos. Esse dinheiro é dos pagadores de impostos. Esse foi um dos primeiros motivos que me levou ao partido Novo, o não uso do fundo partidário. E por acreditar em nosso projeto, muitas pessoas se propuseram a ser nossos apoiadores”.

O candidato do seu partido à Presidência, João Amoêdo, declarou que “se empresas pagam salários distintos para homens e mulheres, o Estado não deve interferir”. Você concorda?
“Não tenho conhecimento dessa afirmação dele, vou analisar qual foi a entrevista dele. Vou responder por mim: essa história de que a mulher recebe menos por homem é uma história inventada por grande parte da imprensa. No meu roll de amizades as mulheres estão ganhando igual ou mais do que muitos homens. É a meritocracia, se o empregador acredita que a mulher ou o homem merece mais, é pela competência de seu trabalho, e não por uma distinção de gênero”.

O partido Novo defende as liberdades individuais. Existem setores que apoiam a liberação da maconha e a descriminalização do aborto. Você concorda?
“Sou contra a liberação das drogas, também sou contra o aborto. A mulher tem a liberdade de escolher se quer ou não engravidar, antes de ter relação, tendo ressalvas ao que é permitido por lei, como a questão do estupro, do risco de vida ou do feto nascer sem cérebro. Sou totalmente contra novas mudanças na questão do aborto”.

A senhora defende a redução da maioridade penal, o que criaria mais demanda de vaga nos presídios. Como fazer isso sem causar mais problemas ao Estado?
“Sou a favor da redução da maioridade penal, o jovem já tem consciência de seus atos, tendo em vista que tem a liberdade para votar. Precisamos também anteceder o problema. Se incentivarmos projetos como Proerd [Programa Educacional de Resistência às Drogas, da Polícia Militar], impedindo que os adolescentes entrem para a droga, não teremos problema para resolver na questão penitenciária. O nosso problema será resolvido antes de fazermos com que eles precisem ser presos por terem cometidos atos ilícitos. Mas sou a favor sim da redução da maioridade. Enquanto tivermos os direitos humanos protegendo bandidos e não cidadãos de bem, nós seremos as vítimas”.

A senhora postou um vídeo em que aparece atirando, postou foto segurando uma arma e o logotipo da sua campanha tem um revólver. Acredita que isso pode ser um estímulo à violência?
“De forma alguma. Se entrar um bandido aqui agora, o que vamos fazer? Erguer as mãos para cima. Porém, se ele sabe que você tem o direito a se defender, vai pensar dez vezes antes de entrar aqui. Quando eu falo em armamento, falo em armamento com responsabilidade. Não estou dizendo que vai ter arma na lojinha da esquina, mas temos o direito de defender nossas famílias. São mais de 60 mil mortes ao ano causadas por criminosos e não temos o direito de nos defendermos. Vamos pegar o exemplo do agricultor, hoje o MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] está lá invadindo e ele não pode fazer nada. Ele tem direito a se defender, com toda certeza. Tenho uma bandeira muito forte contra essas invasões de terra, eles chegam lá com uma arma e você não tem direito a se defender. Nós não podemos nos defender enquanto eles chegam causando o terror, entendo sim que eles têm que portar uma arma em suas fazendas e sítios”.


Checamos as informações da entrevista:

O Congresso Nacional gasta R$ 29 milhões ao mês?
Não, é muito mais. De acordo com ONG Contas Abertas, a estimativa é que em 2018 o Congresso Nacional gastaria, na verdade, R$ 29 milhões ao dia ou R$ 1,2 milhão por hora. O cálculo é feito com base no orçamento previsto para a Câmara dos Deputados e o Senado na Lei Orçamentária Anual: R$ 10,5 bilhões.

O Brasil registra 60 mil mortes causadas por criminosos ao ano?
É quase isso. O projeto Monitor da Violência, do portal G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que em 2017 foram 59.103 homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Houve um aumento de 2,7% em relação a 2016, quando foram registradas 57.549 vítimas no país. Nos anos anteriores, os números são: 2015 (55.492), 2014 (57.091), 2013 (54.163), 2012 (53.054) e 2011 (48.084).

O país tem 150 empresas estatais?
Ignorando estatais gerenciadas por estados e municípios, sim. Apenas o governo federal tem 151 empresas públicas. Boa parte delas é dependente de recursos do Tesouro Nacional para funcionar, ou seja, dão prejuízo.

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