Candidato a deputado estadual: Marcos Deichmann defende política sem amarras partidárias

Ele, que concorre à Assembleia Legislativa pela primeira vez, também defende corte de privilégios

Candidato a deputado estadual: Marcos Deichmann defende política sem amarras partidárias

Ele, que concorre à Assembleia Legislativa pela primeira vez, também defende corte de privilégios

Marcos Deichmann (PAT) foi eleito vereador em 2016 e participa de sua segunda eleição. Candidato a deputado estadual, afirma ter recebido proposta de R$ 100 mil de adversário político para deixar de concorrer.

Funcionário do Centro de Imagem do Hospital Azambuja, ele afirma que pretende continuar a disputar eleições e tem ambição de ser candidato a prefeito ou a vice em 2020.

Nesta entrevista, o candidato fala sobre suas propostas de campanha e bandeiras que irá defender na corrida à Assembleia.

Assista à entrevista na íntegra:

Por que  decidiu ser candidato a deputado estadual?
“Eu sempre fui uma pessoa muito crítica na questão política, antes de ingressar nesse meio, eu pensei: não adianta você ficar reclamando, criticando, e não se colocar à disposição para poder melhorar o que acha que tem que melhorar. Brusque tem uma capacidade de crescimento, a nossa região aqui do Vale do Itajaí tem muito a ser beneficiada, e a gente vê que tem pouca representatividade no estado, apesar de termos pessoas eleitas, mas que não veem a nossa cidade, a nossa região, com tanto carinho. Acho que poderia vir muito mais do governo estadual”.

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Qual é o primeiro projeto de lei que pretende propor na assembleia?
“A questão dos privilégios. Isso está numa discussão abrangente e eu acho que seria uma das questões, fazer um projeto de resolução dentro do regimento interno da Assembleia, para que se corte a questão de auxílios e tudo mais. Eu tenho certeza que, assim como vereador, o deputado consegue manter um trabalho, mesmo não tendo auxílio nenhum, não tendo assessores pessoais. Se for eleito, vou fazer esses cortes dentro do gabinete e também propor projetos de lei para que esse corte seja geral”.

Qual seria seu investimento prioritário em emendas parlamentares? Serão aplicadas 100% na região?
“Como representante de Brusque, do Vale do Itajaí, com certeza vou me empenhar para que esses recursos sejam colocados aqui. Estando dentro da Assembleia Legislativa, com certeza essas emendas parlamentares, vou sim colocá-las em Brusque, nas cidades vizinhas que dependem da nossa cidade. Hoje o Hospital Azambuja carrega um fardo muito grande na questão de atendimentos, e realmente recursos são poucos, não vem, a não ser os serviços que eles prestam, ele presta e ele recebe, e às vezes não recebe.”

Qual é o principal problema do estado hoje e o que o senhor pode fazer para resolvê-lo?
“Não é um problema só do estado, é a nível nacional. O Brasil, em certos aspectos, tem muito mais recurso, tem muito mais tecnologia até que os países de primeiro mundo, e o que se vê que o país não tem, é realmente uma questão cultural das pessoas, é aquela questão de se doar, de fazer a coisa acontecer coletivamente, fazer a coisa pelo coletivo. Então hoje qual é a prioridade, se nós quisermos mudar o nosso estado. A base é a educação, formar pessoas que saibam resolver as situações, que ficam menos dependente do poder público. O investimento maciço em educação não é uma coisa que se vai colher hoje, mas nós temos que fazer planejamento para que isso aconteça daqui 20, 30 anos”.

O seu partido até pouco tempo tinha outro nome, PEN, que tinha uma causa ecológica. A mudança do nome significa também uma mudança na ideologia do partido?
“Eu nunca dei muita bola para partido, eu não sou aquele político partidário, que defende a bandeira. E essa questão de mudança de nome, isso ocorreu na época em que o nosso candidato a presidente, o Jair Bolsonaro, veio para o PEN, e uma das condições que ele deu era que se mudasse o nome e também o estatuto. Mas infelizmente algumas coisas acabaram não se acertando, e ele acabou saindo do partido. O PEN resolveu ficar com o nome Patriota”.

Está no seu primeiro mandato como vereador e, caso eleito, teria que deixar o cargo. Não teme rejeição de quem o elegeu?
“Refleti muito sobre essa questão, porque é meu primeiro mandato, não completei meu mandato e já vou querer pular para a esfera estadual. Eu não vejo por esse lado. Se eleito, os dois anos que eu fiquei, tenho certeza que eu fiz um trabalho muito bem feito. É uma oportunidade de você alcançar maiores objetivos para nossa cidade. Como vereador você não tem investimento financeiro, não tem como buscar recursos para investir. Então essa é a oportunidade de você alcançar uma esfera maior pra poder trazer mais recursos”.

Qual a sua avaliação sobre o grande número de candidatos de Brusque? Acredita que há os que querem fazer dessa eleição um trampolim para 2020?
“Eu acho que tem sim. Mas todos têm direito de se candidatar, apesar da crítica de alguns candidatos, de achar que é uma besteira, que deveria todo mundo se unir, para apoiar dois ou três e eleger um. Aí você pergunta para esse candidato: quem é o melhor? Pergunta se ele abriria mão e apoiaria outra pessoa? Quem ele apoiaria? Qual é a resposta? Eu. O ego e a vaidade, às vezes, acabam sendo maior do que a própria vontade de ajudar. Eu acredito no meu trabalho, por isso que me coloquei à disposição e tenho um ideal. Aí existe a questão de se falar: as pessoas da cidade votam em candidatos de fora. Só que os candidatos aqui não estão buscando voto em outro município? Não adianta você reclamar da população que vota nos candidatos de fora e você sair daqui pra procurar voto em outro município, porque lá também tem candidato”.

O senhor é contra ou a favor a manutenção das secretarias regionais? Por quê?
“Sou favorável, porque quando você regionaliza, consegue monitorar melhor as demandas de cada região, do que centralizar tudo numa esfera só. Distribuir agências do governo, não precisa ser também de forma muito abrangente, eu acho que regionaliza. Fazer uma pesquisa de população, naquela região tem quantos habitantes, para você dimensionar isso, eu acredito que seria bom, da mesma forma que hoje um deputado, se for deputado, você não consegue abranger todas as demandas de Santa Catarina sozinho, ou até da região. Você vai ter que ter seu grupo de assessoria. Da mesma forma, acho que essas agências seriam uma assessoria do governo do estado”.

O senhor trabalha no Hospital Azambuja e faz críticas à situação da saúde. Enquanto deputado o que poderia fazer para melhorar essa situação?
“Hoje, o Hospital Azambuja já tem todos os projetos de UTI neonatal, que muito se fala, mas pouco se traz. Tem que ir lá brigar e trazer realmente recursos. A questão de cirurgia oncológica, alta complexidade, de cirurgia ortopédica, vai na rede pública pra ver quantas pessoas que estão aí precisando de prótese, de uma cirurgia, tem que ficar esperando pelo Marieta [hospital de Itajaí], porque eles são alta complexidade, e nós já fizemos esse serviço no Azambuja, a gente faz só que só pode fazer particular ou convênio porque o estado não libera credencial para o hospital fazer. Quem é que vai cobrar? Existe algum deputado que foi lá cobrar? Algum representante foi lá cobrar junto? Não foi. Se tivesse um representante que brigasse pela causa, que fosse no governo do estado e mostrasse os números, que eles devem saber, só que como tá tudo meio amarrado, ninguém fala de ninguém, é por isso que eu quero ter liberdade, eu quero entrar na confiança do voto, eu não quero entrar amarrado com nada. Se hoje tivesse um problema na cidade eu com certeza usaria a tribuna e cobraria do poder Executivo”.

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Hoje os órgãos de segurança sofrem com falta de efetivo. Como prover esses cargos e sem estourar as contas públicas?
“A gente sabe que no meio político hoje, vamos dar um exemplo, se eu te arrumar um emprego no meu gabinete, eu vou te pagar R$ 6 mil, só que tu vai receber R$ 10 mil, quatro é pra mim porque eu tenho que manter o meu esquema de campanha pra reeleição. Isso acontece. É por isso que hoje não se dá conta mais de se sustentar. Temos que desenvolver políticas para que isso termine. Gastos com cafezinho, milhões hoje investidos na Assembleia, são coisas que deveriam estar sendo utilizadas pra segurança pública, para educação, para saúde”.

O governo do estado tem uma política de renúncia fiscal, concedendo isenções e descontos para empresas. O senhor concorda com essa política ou acha que ela tem de ser modificada?
“Tem que ser feito um estudo pra ver de que forma que estão sendo feitas essas isenções. Eu desconheço as empresas. Tem que ter critério, não só as grandes empresas, como as pequenas empresas também geram empregos, elas também tem que ter esse tipo de benefício. Não isenção, talvez uma diminuição, para que o estado também não fique sem arrecadação. Essas empresas contribuíram com o estado? Aumentaram a taxa de emprego? O que elas produziram para contribuir com o estado pra ter esse tipo de isenção? Você tem que ter uma troca. Agora, se for pra fazer isenção de impostos, pra depois lá na frente ela poder bancar a tua campanha, aí desculpa, eu não concordo”.

 

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