Casos de cinomose disparam e causam morte de cães em Brusque

Única forma de proteger os animais da grave doença é manter as vacinas atualizadas anualmente

Casos de cinomose disparam e causam morte de cães em Brusque

Única forma de proteger os animais da grave doença é manter as vacinas atualizadas anualmente

Nas últimas semanas, as clínicas veterinárias do município têm percebido um grande aumento no número de casos de cinomose – doença altamente contagiosa entre os cães, que acomete principalmente filhotes que ainda não terminaram o esquema vacinal.

A cinomose é causada por um vírus da família Paramyxovirus, do gênero Morbilivírus. De acordo com veterinários, o vírus se replica nas células sanguíneas e sistema nervoso central do animal. Nos estágios iniciais da doença, um sintoma bastante comum é a diarreia, uma vez que o sistema digestório é, geralmente, o primeiro a ser atingido.

Em um estágio um pouco mais avançado da doença, o sistema respiratório é acometido, sendo observadas secreções normalmente amareladas e densas saindo pelo nariz e região dos olhos.

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Na fase mais tardia da doença, acontece o acometimento do sistema nervoso central, que é quando o animal passa a ter o andar desorientado e tremores musculares que podem evoluir para crises de convulsões.

O veterinário Eduardo Gevaerd, da clínica Vita Vet, diz que é comum o aumento de casos da doença nesta época do ano. “Quando as temperaturas começam a ficar mais altas, geralmente aparecem mais casos”, diz.

A veterinária Stefanie Conink Paulo, da Clínica Fofinhos, ressalta que, embora o vírus seja mais resistente ao frio, na região de Brusque, os casos ocorrem mais no período de primavera e verão. Entretanto, também há registros de cães doentes no inverno.

Doença grave
O veterinário Lucas Felipe de Souza, da SOS Animais, destaca que a doença é transmitida de diversas formas: pelo contato com secreções, urina e fezes infectadas pelos animais doentes. Além disso, casinha, cobertores e alimentos dos animais infectados também são fontes de infecção.

O veterinário alerta, entretanto, que não é necessário o contato direto entre os animais para a doença ser transmitida. “É um vírus muito forte, então, se um cachorro contaminado passeou em um parque e logo depois um outro cachorro que não está com as vacinas em dia esteve no mesmo lugar, pode sim, contrair a doença”.

Com isso, os filhotes com menos de 45 dias ou que ainda não terminaram o esquema vacinal, devem evitar o contato com outros animais e ficar somente em casa. “Sempre oriento que os filhotes devem evitar a rua, parques, praças até completar as três doses da vacina”, diz a veterinária Suelen Schotten, da Pet Center.

A taxa de mortalidade da cinomose é de 85%, ou seja, apenas 15% conseguem sobreviver à doença. Muitas vezes o cão não morre da doença, mas fica com sequelas neurológicas tão graves que precisa ser sacrificado.

Vacinação em dia é fundamental
Todos os veterinários são unânimes quanto a importância da vacinação para a prevenção da doença.

A vacina para cinomose está dentro do pacote oferecido pelas vacinas V8 , V10 e V11. No caso de filhotes, devem receber três doses da vacina a partir de 45 dias de vida, com intervalo de 21 a 30 dias entre as aplicações. Apenas depois da última dose é que o sistema imunológico do filhote estará apto a combater o vírus caso haja contato com ele.

Mas não basta apenas vacinar quando se é filhote. Posteriormente, os cães devem receber uma dose da vacina anualmente, por toda vida. Só assim estarão protegidos da doença.

“Cada vez o vírus está ficando mais agressivo e atacando mais animais adultos do que acontecia antes, por isso, é fundamental manter a vacinação em dia. Como as pessoas não tem convivência com isso, vão deixando e quando o vírus ataca já é tarde”, destaca Eduardo Gevaerd, da Vita Vet.

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Os veterinários destacam ainda que não existe um medicamento específico para a cinomose, por isso, o tratamento é feito para tentar amenizar os sintomas do pet. “É feito somente o tratamento de suporte com antibióticos e outras medicações para aumentar a imunidade do animal e retirar eles desse quadro”, ressalta Stefanie Conink Paulo, da Clínica Fofinhos.

Apesar de difícil, a cura pode acontecer. Entretanto, cães que sobrevivem à doença geralmente costumam ficar com sequelas. O animal que teve a doença evoluída ao estágio de acometimento do sistema nervoso, por exemplo, pode ficar com tremores musculares, andar desordenado e crises convulsivas por toda sua vida, mesmo não portando mais o vírus.

Sintomas
Os sintomas da doença são bastante variados. De acordo com o veterinário Lucas de Souza, da SOS Animais, ela é considerada uma doença de “mil faces”, já que os sintomas não seguem uma ordem, depende muito de cada cão.

Os mais comuns são: tosse, espirros, febre, perda de apetite, apatia, vômito, diarreia, secreções nasais, secreções oculares, falta de coordenação motora, tiques nervosos, convulsões e paralisia.

É importante lembrar que a doença acomete apenas cães. Gatos e humanos não correm risco de infecção.