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“Eles são os meus milagres”: moradora de Brusque conta nascimento prematuro dos filhos

Filhos tem 16 anos, e 1 ano e três meses

A moradora do bairro Cedrinho, em Brusque, Jucelia Plavak de Paula, se emociona ao falar do nascimento dos dois filhos, o Natan, de 16 anos, e a Maria Julia, que acaba de completar 1 ano e três meses. Ambos nasceram prematuros.

“Natan nasceu de parto normal, com 26 semanas e três dias. Pesava 1,14 kg e media apenas 33 centímetros. Nasceu todo roxinho, e os médicos chegaram a dizer que ele não sobreviveria. Como a gente não tinha UTI neonatal aqui em Brusque naquela época, ele foi transferido para o Hospital São José, em Florianópolis. Ficou lá durante dois meses, pegou várias infecções no hospital, mas graças a Deus ele foi forte. Sempre foi um menino muito saudável. Não ficou com sequelas, nem dá para dizer que é prematuro”, diz a mãe.

Segundo ela, os médicos informaram, na ocasião, que o bebê nasceu prematuro por conta da pressão alta durante a gravidez, que causou pré-eclâmpsia. Mais tarde, Jucelia também soube que tinha útero didelfo, condição que aumentava os riscos da gestação. Mesmo assim, ela mantinha o sonho de ter uma filha e, 15 anos depois, engravidou novamente.

“Eu sabia dos riscos, mas ela veio. Foi uma gravidez difícil desde o início. Eu sentia muita dor, dores lombares e pélvicas, mas eu confiava. A Maria Julia acabou nascendo com 27 semanas e um dia, também prematura. Pesava 1,66 kg e media 37 centímetros. Nasceu muito bem, coradinha e até chorou. Precisou ficar dois meses na UTI, mas também não ficou com nenhuma sequela. Eu sou muito grata. Eu vou falando e vou me emocionando. Vai passando um filme na minha cabeça. Foram duas gestações prematuras, mas meus filhos sobreviveram. Eles são os meus milagres”, diz Jucelia.

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Causas do parto prematuro


Segundo a médica pediatra Ana Maria Baur, fatores como pressão alta, pré-eclâmpsia e idade materna estão entre as possíveis causas do nascimento de bebês prematuros.

“De uma maneira geral, as causas podem estar relacionadas à mãe, como hipertensão materna, diabetes, idade, obesidade, infecções, gravidez múltipla, alterações da placenta ou razões anatômicas. Há ainda fatores relacionados ao bebê, como malformações e sofrimento fetal. Destaco, com ênfase, os fatores ligados à assistência, condições sociais e estilo de vida, como pré-natal inadequado, uso de drogas, tabaco, bebidas e gestações de risco sem acesso ao pré-natal”, afirma a médica, que também é membro da Associação Brusquense de Medicina (ABM).

Além disso, conforme explica a pediatra, os bebês prematuros podem apresentar maior risco de complicações e até mesmo sequelas, que variam de um bebê para outro.

“As últimas semanas de gestação representam um período acelerado e complexo do desenvolvimento fetal. Diversos órgãos vitais podem ser afetados, como cérebro, pulmões, visão, coração e intestino. Os bebês prematuros apresentam maior imaturidade imunológica e maior chance de alterações metabólicas e nutricionais, o que pode gerar complicações imediatas ou de longo prazo. As principais sequelas estão relacionadas ao desenvolvimento neurológico, atraso, déficit de atenção, entre outras, doença pulmonar crônica e uma preocupação crescente para os pediatras, pois, na idade adulta, há maior risco de obesidade, hipertensão e diabetes”, esclarece.

Sobre os prematuros


O recém-nascido pré-termo, ou prematuro, é aquele que nasce antes do tempo, com menos de 37 semanas de gestação.

“Os pediatras utilizam uma classificação de acordo com a idade gestacional ao nascer: pré-termo tardio, moderado, muito pré-termo e extremo, que é o bebê que nasce antes de 28 semanas. Lembrando ainda que, mesmo sem serem prematuros, os recém-nascidos chamados de termo precoce, nascidos entre 37 e 38 semanas, também exigem mais cuidado, por terem maior risco de sintomas adversos”, afirma Ana.

Ela explica que a evolução da criança depende de diversos fatores, como idade gestacional, peso ao nascer, causa da prematuridade, condições clínicas e assistência neonatal disponível. As taxas de sobrevivência e a possibilidade de sequelas variam muito entre um bebê menor de 25 semanas e outro entre 29 e 32 semanas.

Conforme orienta a pediatra, a prevenção da prematuridade começa antes da gestação, com planejamento, boa nutrição e evitando álcool e drogas.

“Durante a gestação, é essencial iniciar o pré-natal cedo, seguir as consultas e tratamentos indicados. O médico deve controlar doenças maternas, identificar riscos e intervir quando necessário. Além disso, cabe aos gestores públicos promover políticas de prevenção da gravidez não planejada e garantir acesso amplo e de qualidade ao pré-natal e aos serviços de saúde, assim como atenção especializada e seguimento multiprofissional dos recém-nascidos prematuros”, conclui.

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