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Em meio ao frio extremo, homem dorme em ponto de táxi no Centro de Brusque

Imagens do homem no local circularam nas redes sociais nesta manhã de quarta-feira, 25

Circulou nas redes sociais na manhã desta quarta-feira, 25, imagens de um homem em situação de rua dormindo em um ponto de táxi no Centro de Brusque. O homem é Valmir Alex, de 34 anos. Ele conversou com a reportagem e falou sobre sua atual condição.

Nesta madrugada, alguns locais de Brusque registraram temperaturas de 0.2ºC, que até congelaram os vidros dos carros dos moradores da cidade.

De acordo com um taxista, que chegou para trabalhar às 7h30, Alex, como gosta de ser chamado, já estava no local, dormindo. O trabalhador relatou que é a primeira vez que vê o homem deitado no local.

A reportagem conversou com Alex, que relatou que chegou em Brusque na última quinta-feira, 19, feriado de Corpus Christi. Ele conta que saiu da comunidade terapêutica de Camboriú e chegou até Brusque caminhando.

Valmir Alex, logo após acordar de uma noite dormindo em um ponto de táxi no Centro de Brusque | Vitor Souza/O Município

“Eu estava, na verdade, sem condições financeiras de poder me manter, de manter as despesas de refeição e me estabilizar”. Ele explica que saiu da comunidade por conta de desentendimentos no local. “Então eu preferi sair de lá. E a cidade mais próxima seria Brusque”.

Questionado sobre o porquê não procurou o albergue, ele apenas respondeu que não gosta, sem falar os motivos.

Ele menciona que não conhecia ninguém na região e também não conhecia a cidade. “Não tinha conhecimento de nada, das localizações, dos negócios assim. Mas eu fui me mantendo”.

Nos últimos dias, Brusque registrou fortes chuvas e, sem um lugar para ficar, procurou lugares cobertos para fugir dos temporais. “Mas, no momento, eu me mantenho dormindo numa parada de táxi, para poder se resguardar da chuva”.

E conta ainda que conseguiu uma quantia em dinheiro “no caixa eletrônico com uma conhecida, que enviou um dinheiro pra mim ali”. Com esse valor, ele mantém os custos dos cafés da manhã. Já para o almoço, às vezes, ele conta que consegue com restaurantes após às 14h.

“Estou sendo bem recepcionado, as pessoas são super colaborativas, super legais. Eu, na verdade, não me encontro totalmente, assim, em situação de rua, em termos de falar, né? Não tô, na verdade, em questão de situação de rua totalmente. Tem gente que acredita que sim, mas na verdade não”.

Vitor Souza/O Município

Auxílio da “madrinha”


Ele explica que agora está aguardando o depósito de uma madrinha, que às vezes o auxilia com dinheiro. Essa madrinha reside em Florianópolis. “Eu recebi uma ligação dela, ela falou pra mim que no máximo sábado ela conseguiria verificar o que poderia fazer. Se eu iria para uma cidade mais próxima dela, para algum local onde eu pudesse, talvez, conseguir me estabilizar, pra daí eu ter um emprego, entende?”.

Questionado novamente se até o fim de semana ele permaneceria vivendo na rua, Alex respondeu: “É… dependendo das circunstâncias, sim, né? Porque eu não tenho conhecidos em localização nenhuma aqui na redondeza”.

Chegada na comunidade terapêutica


Alex explica que trabalhava como um tipo de atendente em churrascarias e pizzarias. “Em rodízios de carne, fornecendo aos clientes, não de garçom, mas de qualquer outro tipo de serviço, em churrascaria”.

E continua mencionando que como estava sendo beneficiado pelo Auxílio Brasil, possuía dificuldades para encontrar empregos de carteira assinada, pois, se tivesse um emprego formal, perderia o acesso ao auxílio do governo federal. Então, através dessa mulher chamada Cármen, ele foi instruído a entrar em uma fila de espera para chegar até a comunidade terapêutica.

“Não por questão de alcoolismo. Até tenho o hábito de beber, às vezes, durante o dia, quando tenho dinheiro. Tenho conhecimento disso”.

Assim, nesse local, ele poderia ficar sem se preocupar com pagamento de despesas com comida e mantendo o acesso ao benefício. Alex ficou na comunidade por cerca de um mês.

“Devido a essa situação, foi a melhor forma, pois eu estou sozinho, sem recurso financeiro. O aluguel, hoje em dia, de um quarto, de uma kit-net, está acima de R$ 900, R$ 1,2 mil, R$ 1,4 mil, dependendo do local. E eu de rancho [comida], de compras no supermercado, sozinho, eu me mantenho com uns R$ 1,2 mil, R$ 1,4 mil. Daí também tem as despesas dos cigarros, às vezes de beber um vinho, quem sabe, tomar uma cerveja.

Então, resumindo, ia ter que ter uns R$ 3,5 mil, R$ 4 mil por mês. Assim, eu me obriguei a ter que ir pra comunidade terapêutica”.

Sobre os trabalhos em churrascarias ele menciona que era um pouco imaturo e que às vezes acabava bebendo durante a noite e “não tinha o psicológico legal para trabalhar. Ficava meio desgastado, um pouco com preguiça, entende”.

Mas ressalta que hoje são ações que ficaram no passado. “Eu não sou de gastar em bebidas ou em drogas, esses negócios. Utilizei antigamente, mas hoje em dia não. Sou uma pessoa mais madura, mais vivida, mais inteligente, mais experiente”.

Entretanto, contou que estaria disposto a conseguir um emprego em Brusque com as mesmas funções que exercia nos outros trabalhos. Mas também comenta que seria necessário que a empresa disponibilizasse um local para que ele pudesse ficar.

Valmir Alex não possui um celular, mas diz que está sempre no Centro, com a mesma roupa, "moletom escuro, boné preto e uma mochila de viagem".

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