Sem falar Italiano, maestrina brusquense explica desafios de reger coral que interpreta canções folclóricas do país
Louise Clemente Fuck conduz o grupo desde 2022
Uma maestrina de Brusque falou sobre as dificuldades de reger o coral que interpreta canções folclóricas italianas sem falar a língua do país. O Grupo Di Canto Degli Amici Trentini, faz parte do Circolo Trentino di Brusque. Louise Clemente Fuck conduz o grupo desde 2022.
Sem falar italiano, ela segue na condução do grupo, que atualmente reúne 26 integrantes e interpreta canções folclóricas, tradicionais e religiosas. A formação iniciou em 2001.
Louise cresceu em um ambiente musical. Aos 11 anos iniciou aulas de teclado e piano, influenciada pelo pai, que sempre cultivou o gosto pela música. “Comecei motivada a tocar na igreja, participei de grupos de jovens, e aos 15 anos já dava aulas de piano. Dois anos depois comecei a ensinar canto, e nunca me envolvi com nenhuma atividade profissional que não fosse a música”, relembra.
Ao longo de sua trajetória, trabalhou em diferentes áreas: canto, piano e musicalização. Mas é na regência coral que a maestrina encontrou sua paixão. “Tenho um carinho enorme pela regência, é algo que faço de coração. Em Brusque, trabalho com vários corais e cada grupo é único”, afirma.
Desafio e aprendizado em italiano
O convite para assumir o coral do Circolo Trentino surgiu logo após a pandemia. No início, Louise não pôde aceitar por estar em licença-maternidade, mas em fevereiro de 2022 iniciou o trabalho. Entre os primeiros desafios, ela destaca a adaptação ao idioma italiano.
“Não falo italiano fluentemente, mas faço aulas e aprendi muito com o próprio grupo. Reger em outro idioma é sempre desafiador, ainda mais porque boa parte dos integrantes também não fala italiano. Por isso, o trabalho não é apenas musical: primeiro lemos o texto, traduzimos, entendemos o significado. Mais importante do que cantar afinado é compreender o que se está cantando, para então interpretar bem”, explica.
Segundo a maestrina, a cada ensaio surgem questões não só musicais, mas também linguísticas e culturais, como as diferenças entre os dialetos italianos. “Alguns conhecem mais o italiano trentino, outros mais o italiano clássico, então vão surgindo dúvidas no decorrer do ensaio que não são só musicais. É desafiador, mas ao mesmo tempo é muito bom, porque estamos sempre aprendendo juntos”, afirma. “Trabalhamos muito a pronúncia, as consoantes duplas, detalhes que não existem no português”, complementa.
Crescimento cultural
Para Louise, a regência do coral tem sido também uma experiência de crescimento cultural. “Aprendi muito sobre a cultura italiana e tenho visto a alegria e o entusiasmo que ela carrega. Isso contagia o grupo e nos envolve nesse clima de pertencimento”, ressalta.
Entre os momentos mais marcantes vividos com o Grupo Di Canto Degli Amici Trentini, a maestrina destaca os encontros da Liga Cultural e Recreativa do Vale do Itajaí, da qual o grupo faz parte. “É um ambiente especial, porque cantamos para amantes da música coral, mas também temos confraternização e troca entre os grupos. A música realmente funciona como ponte: já participamos de apresentações em que um coral cantava em alemão, outro em polonês, outro em português, e nós em italiano. Cada um traz seu idioma, seu figurino, e isso fortalece a troca cultural”, afirma.
Os ensaios do Grupo Di Canto Degli Amici Trentini acontecem todas às segundas-feiras, às 19h, no Instituto Crespi, no Plaza Rivel. Interessados em participar podem entrar em contato pelo Instagram ou pelo WhatsApp (47) 9 9953-6447.
A ação cultural é executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura, com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Fundação Catarinense de Cultura.
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