Não há no estado de Santa Catarina um município tão preservado quanto Botuverá. A área total da cidade é de 29.619 hectares. Destes, 26.666 hectares são mata atlântica nativa, ou seja, 83,28%. Mas usufruir de toda esta área verde – que seria o equivalente, conforme dados do projeto Atlas da Mata Atlântica, a cerca de 32 mil campos de futebol – e prepará-la para o ecoturismo é o grande desafio dos botuveraenses para os próximos anos.

Reconhecida em todo o Sul do país, e também em outros estados, por ser a “cidade das grutas”, Botuverá é muito mais do que isso. Embora, de fato, as cavernas naturais de mais de 60 milhões de anos sejam o lugar mais estruturado para a recepção dos turistas e um dos mais impressionantes, este é apenas mais um dos atrativos do município.

Em termos de recursos naturais, os botuveraenses são privilegiados. Infindáveis cachoeiras, nascentes, pássaros e outros animais silvestres se espalham pela área verde da cidade. Sua história também é rica, e foi a responsável pela elaboração da maioria das trilhas que vamos conhecer neste especial. Pontos de travessias entre cidades dos antigos imigrantes italianos até hoje são redescobertos e realizados por aventureiros.

Locais onde antes era extraída a madeira das árvores nativas hoje estão tomados pela mata selvagem, e ainda guardam preciosidades e belezas em extinção, tanto da fauna quanto da flora. A proteção também vem pela regulamentação: 1,89 mil hectares pertencem à Reserva Biológica Estadual da Canela Preta, área em que nada pode ser mexido e há restrições até para a visitação. Botuverá também tem boa parte de sua localização dentro do Parque Nacional da Serra do Itajaí, que é uma área de conservação e preservação permanente.

Guinter Schmid

Embora visitados regularmente por trilheiros da região, os locais ainda carecem de estrutura, sinalização e uma atenção ainda maior para que se tornem reais atrativos de ecoturistas ao redor do mundo.

“Temos que fazer nossa parte”
O prefeito de Botuverá, José Luiz Colombi, o Nene, está ciente das carências do município. Para ele, não só a prefeitura, mas toda a comunidade botuveraense precisa se unir no objetivo de atrair cada vez mais adeptos do turismo de aventura.

“O poder público não consegue fazer turismo, mas tem que ser um incentivador. Temos que fazer nossa parte, mas a iniciativa privada, os donos dos terrenos em que ficam estas trilhas e cachoeiras precisam visar lucro. Mas pra isso acontecer eles têm que se capacitar, se preparar”.

Nene afirma que a prefeitura está investindo para atrair e receber melhor os turistas. “Não adianta trazer as pessoas para cá e não ter sequer um hotel. Estamos desapropriando uma área de 50 hectares no qual queremos que seja construído, pela iniciativa privada, um hotel ou cabanas. Neste lugar também pretendemos fazer uma trilha ecológica de um quilômetro, estruturada e sinalizada”.

Município é abundante em recursos naturais e diversidade de fauna e flora. Foto: Guinter Schmid

Quem também acompanha o processo de evolução do ecoturismo em Botuverá é Marciano Leoni, secretário de Turismo do município. Segundo ele, a preservação do meio-ambiente foi um trunfo dos botuveraenses.

“Isso é algo que vem de berço. A cidade está de parabéns, e o poder público está buscando se desenvolver ainda mais no aspecto do ecoturismo. O turismo de aventura está crescendo, e Botuverá tem muito a oferecer para estas pessoas”.

Capacitação técnica
Uma das pessoas que mais colabora na busca por um melhor desenvolvimento do ecoturismo de Botuverá é Ivo Leonardo Schmitz, o Léo. Presidente da Associação de Ecoturismo, Preservação e Aventura do Vale do Itajaí (Assepavi), ele observa enorme potencial turístico na cidade.

No entanto, Léo afirma que tudo parte de uma reformulação da visão do turismo. “O turismo em Botuverá precisa evoluir tecnicamente, e a população precisa entender que dá para sobreviver do ecoturismo. Hoje as pessoas procuram não só ir a uma cachoeira ou atravessar uma trilha, as pessoas buscam experiências. Misturar o passeio com um pouco da vivência da cultura bergamasca, a gastronomia, as festas típicas, algo neste aspecto”.


Você está lendo: – Potencial para ecoturismo [Experiência em vídeo]


Veja também:
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– Fazenda Alegre [Experiência em vídeo]
– Travessia dos Lageados [Experiência em vídeo]
– Trilha das Minas Abandonadas
– Travessia ao Faxinal do Bepe
– Trilha dos 100
– Trilha do Graff
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 Cachoeira do Bégo [Experiência em vídeo]
– Cachoeira do Venzon [Experiência em vídeo]
– Cachoeira do Lageado Baixo [Experiência em vídeo]
– Salto do Sessenta [Experiência em vídeo]
– Cachoeira da Água Fria [Experiência em vídeo]
– Rio Itajaí-Mirim
– Roteiro turístico