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Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Civilização em crise

Sérgio Sebold

Economista e professor independente - sergiosebold@omunicipio.com.br

Civilização em crise

Sérgio Sebold

Até a década de 90, para alguém fazer sucesso era necessário ter um talento privilegiado e apreciável valor moral. Mas isto mudou. Agora o grau da fama é diretamente proporcional ao volume de depravação, do mau gosto que aflige o mundo, e o Brasil não foge a regra. Infelizmente, a vulgaridade substituiu o talento de então. Quanto mais vulgar e ostensivo, melhor.

As redes sociais levaram a juventude a um narcisismo monumental, jamais imaginado – não há realização, sentido ou autenticidade – em que o narcisismo passou ser uma medida definitiva de satisfação e importância onde o “selfie” salta aos olhos. Nunca a lenda grega de Narciso foi tão real como hoje o é. As celebridades de hoje são apenas um reflexo desse modismo cultural. Afinal, o que se procura em nossas celebridades? Talento? Significado? Autenticidade? Nada disto! O que eles veem é a celebridade. Numa pesquisa recente ao se perguntarem aos jovens de 16 anos – O que você quer ser no futuro? 54% responderam: “tornar-me uma celebridade”, 70% não tinha a mínima ideia de como alcançar isso.

A explosão do narcisismo proposto pelas atuais celebridades fez com que os jovens, por não alcançar esta posição – somente alguns entre milhões terão este privilégio – estão se tornando cada vez mais deprimido, partindo para diversos caminhos de fuga. A mais cruel é o suicídio. Não é para menos o sucesso do jogo “baleia branca”. Em todos os quadrantes do mundo há uma expansão do suicídio entre jovens da faixa de 10 a 24 anos, verificado entre 2010 e 2014. Essa é uma resposta das fantasias criadas sobre o futuro. Jovens que sonham com algo completamente vazio e inalcançável pela maioria.

A cultura popular (pop) está deixando uma legião de infelizes, zumbis, alienados. As celebridades são hoje mais reverenciadas do que os ícones religiosos. Esta é a razão pela qual as pessoas num flash viram idiotas, e as celebridades ficam cada vez mais ricas.

Quando morre uma celebridade, os idiotizados criam um cenário de homenagem, digno de qualquer rei ou príncipe. O espírito de manada leva o delírio pelo acontecimento, com todo tipo de manifestação de pesar. Há casos de alguém que nem se interessava até o momento de morrer, passou a reverencia-lo depois de morto. É o caso de Elvis Presley, Michael Jackson… No Brasil, se não for lembrado por algum jornalista, certos personagens jamais serão lembrados pela sua mediocridade artística.

Quando alguém começa despontar no horizonte do sucesso, todo um séquito de interessados, (publicidade, apresentadores de shows etc.), não o deixam mais em paz. Elvis Presley, no auge de sua carreira (40 anos), queria encerrar suas atividades. Os patrocinadores não o deixavam mais em paz; era obrigado usar fraldas descartáveis, não segurava suas necessidades fisiológicas de tanta anfetamina que consumia. Entrava em palco já dopado. Morreu aos 43 anos de ataque cardíaco.

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