Como a sigla denuncia, a JLM Tecidos nasceu junto com a união de João Luiz Delcastanher com Marilene. O casal fundou a empresa há mais de 28 anos e hoje tem clientela consolidada em diversas cidades de Santa Catarina, além de compradores de outros estados.

Desde o começo, a JLM teve no seu DNA a flexibilidade para buscar novos segmentos, mercados e clientes. Essa característica foi fundamental nos últimos anos, para que a empresa não fosse impactada seriamente pela crise econômica.

Delcastanher, 57 anos, viu que a situação não estava boa e pôs em prática a diversificação. Aumentou o número de opções para os clientes e entrou noutros segmentos de tecido plano.

“Quando essa crise chegou, trouxemos novos produtos, na linha de decoração e outras linhas que não trabalhávamos. Quando caiu um, o outro levantou”, diz o empresário, ao lado da esposa de 51 anos.

A diversificação foi certeira e a JLM conseguiu atravessar os momentos mais conturbados da última crise sem grandes percalços. Em outros tempos, teria registrado bom crescimento. Isso não aconteceu, mas o fato de não ter caído o faturamento já é comemorado por Delcastanher.

“Estamos entrando em outros segmentos. Estávamos focados no vestuário, mas nos últimos anos começamos com a linha de decoração, moveleira, para suprir outros mercados. Assim, está dando certo”, declara.

A história da JLM sempre foi marcada pela diversificação: a empresa começou pequena, mas aos poucos foi crescendo, sempre dando mais opções aos clientes. Por isso, quando a crise chegou, Delcastanher não teve dúvidas da decisão a ser tomada.

Há alguns anos, a JLM vendia apenas no atacado, ou seja, em quantidade, e somente rolos fechados. Mas com o tempo o empresário viu que o mercado estava mudando e passou a atender o varejo também. Diversificou e entrou nesse novo segmento.

O empresário também passou a expandir os produtos. Em vez de vender somente tecido plano para roupas, aderiu ao patchwork e outras linhas. A medida deu resultado. Por isso, quando a crise chegou, ele adotou a medida expansionista, em vez de reduzir e cortar investimentos.

Hoje, a JLM, que completou 28 anos dia 1º de junho, conta com um grande número de clientes em Santa Catarina. A maior parte fica num raio de 150 quilômetros de distância de Brusque.

Cidades como Joinville e Jaraguá do Sul, ambas no Norte catarinense, são atendidas pela JLM. Há ainda alguns clientes fora de Santa Catarina.


Empresa aproveitou boa fase da rua Azambuja

O legado deixado pela rua Azambuja, que fervilhava de clientes de todos os cantos do país na década de 80, é visto também na JLM Tecidos. Foi lá que a empresa se instalou quando foi fundada em 1989.

Também em 89, Delcastanher se casou com Marilene. “Nós casamos e pedimos demissão para começar o próprio negócio. Na época, foi uma aventura”, conta Marilene.

A escolha pelo ramo de tecidos planos não foi por acaso. Delcastanher foi supervisor de vendas da Companhia Industrial Schlösser entre 82 e 89. Antes disso, havia trabalhado numa instituição bancária.

Marilene trabalhava com computadores, também tinha um bom salário, mas os dois decidiram empreender juntos.

“A gente ganhava bem, mas optamos por montar o negócio. Foi bem trabalhoso, mas eu estava bem preparado. Tinha feito treinamentos, sempre trabalhamos com capital de giro próprio. Nunca fomos aventureiros de tomar dinheiro emprestado”, comenta Delcastanher.

Marilene diz que valeu a pena tudo o que passaram para construir a empresa. “A gente se completa muito, porque o que ele não gosta, eu gosto. Ele gosta da parte comercial, enquanto que eu gosto da parte contábil”, comenta a empreendedora.

O primeiro endereço da JLM foi na própria rua Azambuja. Apesar de já estar no fim da década de 80, a via ainda era bastante frequentada por gente que queria roupas e tecidos mais baratos e de qualidade.

A JLM aproveitou o momento e, com gestão eficaz, consolidou-se. Depois, mudou-se mais quatro vezes. Foi para o último endereço – e atual – às margens da rodovia Antônio Heil em 2000, com a obra do novo galpão terminada.

Para os dois empreendedores, Brusque foi fundamental para que a JLM tivesse mercado. Com o setor têxtil em alta, clientes não faltaram. Foi com essa expertise que a empresa conquistou outras cidades, atendidas até hoje.

“A empresa começou bem pequena, só eu e a Mari, depois fomos contratando mais pessoas. Hoje, temos 25 funcionários, uma excelente equipe. Temos colaboradores que trabalham com a gente há 19, 20 anos”, diz o empresário.

Um dos pontos destacados pelos dois é o cuidado com a clientela. Com a porta virada para a rodovia, a cautela precisa ser redobrada, dizem.

“Desde o começo focamos em fazer o trabalho com responsabilidade, transparência e honestidade”, afirma o empreendedor. Com essa mentalidade, avaliam, hoje, que evitaram maiores perdas.


Segunda geração começa a inovar na empresa

A filha de Delcastanher e Marilene, Ana Paula Delcastanher Baumgartner, 26, formou-se em Direito, fez e passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas resolveu abraçar a empresa da família.

Delcastanher e Marilene pretendem ter mais flexibilidade na empresa para poder ir colhendo os frutos de todo trabalho plantado. Por isso, consideram importante a presença da filha na parte administrativa da empresa.

A filha também cuida da parte de mídias digitais da JLM Tecidos, divulgando novos produtos via redes sociais.

Orgulhoso, Delcastanher diz que Ana Paula já tem bastante conhecimento sobre o funcionamento da JLM para poder tocá-la no futuro. No entanto, por enquanto, a empresa deve permanecer com os Delcastanher à sua frente juntos.

A caçula do casal, Bruna Luiza, 23, estuda Psicologia em Coimbra, Portugal. Ela trabalhou na empresa, mas sempre se identificou mais com a Psicologia.

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