Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A colonização italiana no Vale do Itajaí-Mirim – Parte 1

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

A colonização italiana no Vale do Itajaí-Mirim – Parte 1

Rosemari Glatz

A Colônia Itajahy-Brusque foi fundada em 1860 com imigrantes alemães que foram sendo instalados na região central (Stadtplatz), na Rua São Pedro, e em Guabiruba. Em 1869, a Colônia Príncipe Dom Pedro, em cujas terras haviam sido instalados elementos ingleses e irlandeses reemigrados dos Estados Unidos, que ali permaneceram pouco tempo, foi anexada ao território Colônia Itajahy-Brusque.

Em 1869, imigrantes poloneses foram instalados no território da extinta Colônia Príncipe Dom Pedro. Também os poloneses ficaram pouco tempo, pois entre 1871 e 1872 já transmigraram para o Paraná. Finalmente, em 1875, a região passou a ser colonizada com imigrantes italianos. Estes se fixaram e, anos mais tarde, o território deu origem aos municípios de Nova Trento, Vidal Ramos, Presidente Nereu e Botuverá.

O assustador crescimento demográfico da Colônia
Eram novos tempos. Tempos de caos para a jovem Colônia. O engenheiro Pedro Luis Toulois, encarregado da distribuição dos lotes na Colônia, em seu relatório datado de 10/01/1877 para o Presidente da Província de Santa Catarina, escreveu: “Em 1875, a população da Colônia Itajahy-Brusque e Príncipe Dom Pedro era de 4.568 pessoas, e os lotes eram 724. Durante o ano de 1876, a população aumentou em cerca de 4.000 pessoas, e foram preparados 1.123 novos lotes. Em um ano, a população da Colônia quase duplicou. Durante os primeiros 15 anos, foram distribuídos 724 lotes, e no ano passado foram preparados quase o dobro de lotes”.

A instalação dos novos imigrantes
Inicialmente, os imigrantes italianos receberam lotes nas localidades de Poço Fundo e Águas Claras. A seguir, foram distribuídos os terrenos que margeiam o Ribeirão Alferes, já no Vale do Rio Tijucas, onde, em 1875, havia sido criado o núcleo de Nova Trento, ligado administrativamente à Colônia Brusque. A partir de 1876, os imigrantes que chegavam eram levados para ocupar os terrenos montanhosos que faziam parte da extinta Colônia Príncipe Dom Pedro, no médio vale do Itajaí-Mirim. Foi criado o núcleo de Porto Franco, distando 30 km da sede colonial, com colonos, em sua maioria, de origem italiana. Hoje o lugar se chama Botuverá.

A origem do nome de Porto Franco
Dionísio Pedrini, descendente de imigrantes italianos instalados no atual município de Botuverá, em entrevista concedida no dia 25/01/1979 a Roselys Izabel Correa dos Santos (in: Colonização Italiana no Vale do Itajaí-Mirim, Florianópolis, publicado em 1981), explica a origem do nome de Porto Franco: “Quando os primeiros imigrantes vieram para cá, vieram de canoa. Encontraram um remansão, com praia baixa e praia mais alta. Então chegaram ali e amarraram as canoas deles, tiraram as ‘tarecadas’, armaram as barracas e ficaram ali. Quando foi de noite, deu uma trovoada muito grande e o rio encheu. Deu então uma grande enchente. E as canoas desamarraram e foram rodando para aquele remanso. E quando foi de dia eles viram que tinha dado enchente, mas que as canoas permaneceram naquele remanso. O lugar então foi apelidado Porto Franco, porque aquele rio é um porto, seguro (…). Então eles prenderam as canoas de novo e botaram este nome na localidade”.

Famílias pioneiras em Botuverá
São poucos ou até inexistentes os documentos que forneçam os nomes dos italianos que chegaram à localidade de Porto Franco. Mas, segundo o entrevistado Dionísio Pedrini, entre os pioneiros estavam as famílias Morelli, Molinari, Colombi, Maestri, Paini, Pedrini, Rampelotti, Dognini, Tirloni, entre outras. Como consequência de um certo isolamento dos imigrantes italianos ali estabelecidos, em Botuverá houve pouca miscigenação. E isso se observa ainda em 2018.

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