Para chegar até a Cachoeira do Bégo, em Botuverá, é preciso informação e força de vontade. O local não é muito conhecido, nem mesmo pelos mais antigos e tradicionais moradores da cidade. Além disso, o acesso é difícil, sendo necessário caminhar por um barranco em meio à mata, embora seja rápido de chegar.

A recompensa por este pequeno sacrifício não poderia ser melhor: uma imensa e deslumbrante cachoeira, que impressiona pela força com a qual atira as águas do alto até uma linda plataforma de pedras. Ali as águas formam um fosso no qual é possível tomar banho em meio à natureza selvagem.

A água, parcialmente represada quando cai da cachoeira, arranja uma brecha pra escapar, formando um exuberante e longo curso d’água. Mais um que abastece as casas das famílias botuveraenses, privilegiadas o recurso hídrico puro e preservado.

Primeiros passos
Para chegar até a Cachoeira do Bégo é preciso entrar em direção à localidade de Ribeirão Porto Franco. As estradas são de chão, com muito cascalho e barro acumulado nos dias chuvosos. Pelo caminho se encontra o que há de mais característico no município de Botuverá: mata atlântica, árvores das mais diversas categorias e, principalmente, fontes de água.

Foto: Cristóvão Vieira

Recurso em abundância no município, a água está presente em todo lugar. Antes de chegar ao destino é possível encontrar uma bela nascente, que brota em meio às pedras, jorrando por um cano colocado lá pela mão humana. Essa nascente se encontra com outras pelo caminho e colabora para a formação dos rios e ribeirões da região.

Quando chegamos a um ponto em que é necessário atravessar um curso de água, deixamos o carro e seguimos a pé. A subida é tranquila em meio a uma estrada de chão, porém limpa. Pelo caminho vamos pisando em folhas e cascalhos. Dali já não se ouve mais a civilização, mas o encontro com a fauna e a flora local é constante.

Trilha do Bégo
A trilha do Bégo, como é conhecida, leva até o município de Nova Trento e é mais utilizada pelos ciclistas. Há dúvidas quanto à origem do nome, mas comenta-se sobre a possibilidade de ser uma abreviação de Bérgamo, província italiana da qual é originária grande parte dos ancestrais botuveraenses que emigraram para o Brasil.

Logo no início da caminhada, porém, começamos a buscar a cachoeira, da qual não se havia muita informação. É necessário desviar da trilha do Bégo e seguir uma picada, ou seja, um caminho em meio à mata feito com o facão. A partir daí são apenas dez minutos a pé até a cachoeira, mas o território é hostil.

Araçari-poca na copa de uma árvore, no caminho para a Cachoeira do Bégo. Foto: Cristóvão Vieira

A fauna se fez presente em abundância, com animais exóticos. Logo de cara, encontramos um pica-pau-de-cabeça-vermelha, a buscar insetos para se alimentar. Também foi possível flagrar um araçari-poca comendo frutas na copa de uma árvore.

Com a umidade, o solo fica liso. Além disso é necessário passar por um barranco estreito, tomando muito cuidado para não cair. Muitas vezes a terra desmorona com a passada. Com ouvidos atentos é possível escutar, cada vez mais, a proximidade da imponente Cachoeira do Bégo.

Forte queda
Do alto de seus cerca de 40 metros, a Cachoeira do Bégo intimida. Já no topo a água é lançada para frente com muita força, formando com isso uma espuma branca. Na medida em que vai batendo nas pedras, sua força é controlada. A água, porém, é espirrada mesmo à distância.

Sentar-se nas pedras e contemplar mais um milagre da natureza é praticamente uma obrigação aos visitantes. Presente na caminhada, o secretário de turismo de Botuverá, Marciano Leoni, se mostrou encantado com o local. “Eu sempre ouvia falar, mas nunca tive a oportunidade de chegar até aqui. Estou deslumbrado. De todas as cachoeiras que eu conheço daqui é ou a mais ou uma das mais lindas de Botuverá”.

Cachoeira do Bégo
Endereço: Estrada Geral do Ribeirão de Porto Franco, na Trilha do Bégo
Acesso: Permitido
Nível de dificuldade: Médio
Riscos: Médios
Sinalização: Sem sinalização


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– Introdução
– Potencial turístico
– Parque das Grutas
– Morro do Barão
– Rebio da Canela Preta
– Floresta dos Xaxins
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– Travessia dos Lageados
– Trilha das Minas Abandonadas
– Travessia ao Faxinal do Bepe
– Trilha dos 100
– Trilha do Graff
– Recanto Feliz
– Cachoeira do Venzon
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– Rio Itajaí-Mirim
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